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História ** |
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| Introdução Povoação portuguesa do distrito e diocese de Santarém, e da comarca da Golegã, com 1.492 habitantes (dados de 1987). Sede de concelho. Situada na margem direita do Tejo, pertenceu aos Templários. É sede de concelho a partir de 1836. Constituído por 4 freguesias, o concelho tem 11.553 habitantes (dados de 1987). Possui indústrias de fiação, rolhas e cerâmica. Ficam na sua área o famoso castelo de Almourol, o centro militar de Tancos e a grande propriedade agrícola da Quinta da Cardiga. in "Moderna Enciclopédia Universal", ed. Círculo de Leitores A história do concelho da Barquinha é, inevitavelmente,a história do Tejo: o comércio marítimo, a pesca de sobrevivência, o apogeu, a decadência. E é ainda a história de três concelhos outrora prósperos que se fundiram, afinal, num só. Vila Nova da Barquinha, antes de ser criada vila e sede de concelho, em 1836, era um pequeno lugar do concelho de Atalaia. Havia então três concelhos prósperos na região: Praia do Ribatejo (Paio de Pelle), Tancos e Atalaia. Atalaia foi tomada aos mouros em 1147, tendo estado despovoado até 1212, altura em que D.Afonso II lhe deu foral com privilégios para provocar o seu povoamento. Foram-lhe concedidos mais dois forais, em 1315 por D. Dinis e em 1514 D. Manuel. Atalaia fez parte do concelho da Golegã, quando em 1895 foi extinto o concelho da Barquinha. Praia do Ribatejo (Pay Pelle) foi doada por D. Afonso Henriques aos Templários, como comenda, tendo depois passado pare a Ordem de Cristo. O primeiro foral foi-lhe dado por D. Gualdim Pais, em 1180, altura em que ali mandou construir um castelo. D. Manuel concedeu-lhe novo foral em 1519. A major parte da população desta localidade eram pescadores, tendo todos um paqueno pedaço de terra: "(...) Todo o termo desta vila se compõe de pequenos lugares e bastantes pobres aqui não há um grande proprietário, não há comerciantes, quase todos entretanto têm o seu pedaço de terra(...). Quase todos já de antiquíssimos tempos se têm empregado no serviço da pesca, de que tiram muito maiores vantagens do que na cultura de terras bastante áridas e estéreis(...). A pesca destes homens é às vezes no rio Zêzere e muito principalmente no Tejo; como ela porém nestes sítios não lhes daria todos aqueles interesses a que eles aspiram, então emigram para certas partes do Tejo, onde chega a maré, sendo o local de pesca destes homens ordinariamente entre Vila Franca de Xira e Salvaterra de Magos(...). Costumam vir anualmente de Ovar e de suas imediações de 80 a lOO homens que somente aqui permanecem o tempo necessário, e mesmo porque esta gente é mais apta e está mais acostumada a tal serviço. Diz depois que a colheita de azeitona era a que mais abundava e nela se empregam os mesmos pescadores, pois quase sempre acontece acharem-se neste tempo aqui; o sexo feminino igualmente se emprega neste serviço como em todos os outros da agricultura em que podem ser admitidos e para o que são superabundantes(...)"(1) A povoação de Tancos remonta aos primeiros tempos da monarquia. O famoso Castelo de Almourol, localizado nesta área, foi reedificado por D.Gualdim Pais, em 1160. Em 1170 deu-lhe foral, bem como aos seus moradores. Pertencentes ao concelho de Atalaia, foi no reinado de D. Manuel desanexeda, obtendo regalias de foral. A graduação de Vila fora-lhe concedida em 1517 por via do seu crescente povoamento. "Ofereceu Tancos noutros tempos face brilhante em indústria comercial, e os seus habitantes se souberam aproveitar das circunstâncias favoráveis que então o permitiam. Tinha um excelente porto, e era um ponto de comunicação das províncias do norte e Alentejo com a capital fazendo-se por aqui as diferentes transações dos objectos de comércio; o Norte da Estremadura/Beiras mandavam azeite,madeiras, came de porco, frutas, etc.(...) A sorte de Tancos era então próspera e vantajosa(...) mudaram-se entretanto as circunstâncias e com elas a sua sorte. Começou a fazer Abrantes os negócios do trigo do Alentejo, e para ali foi tudo propendendo neste ramo, ou por comodidade de transportes ou por mais industriosos os seus habitantes. A Barquinha começou a absorver o comércio de azeite e inteiramente o das madeiras e também o do pão (...). Tancos foi decaindo progressivamente(...) (2). A sua população, praticamente toda entregue desde sempre ao comércio fluvial, não soube virar-se para a agricultura, e a consequente insuficiência de rendimentos provocou a emigração macica e o seu consequente despovoamento (2ª metade do séc. XVIII). Mais tarde, em 1866, com a construção do polígono de Tancos (à altura a Escola Prática de Engenharia e um Batalhão de Pontoneiros), e posteriormente com o desenvolvimento do vizinho Entroncamento, esta região voltou a ver aumentar a sua população e a melhorar a sue economia. Com a decadência do comércio de Tancos, e gozando simultaneamente das "algumas" aptidões da sua terra, Vila Nova da Barquinha (Barca de seu primeiro nome), viu florescer um verdadeiro empório comercial nos seus limites. Desanexeda de Atalaia em 1938, foi elevada a sede de concelho um ano depois, pela Rainha D. Maria: "(...) Houvesse por bem conceder-line para distintivo honorífico da mesma vila, licença para poder usar de Brasão de Armas que, perpectuando a memória da época em que foi elevada à categoria de Cabeça do Concelho, fosse alusivo à navegação do Tejo, e ao comércio e fontes principals da prosperidade e riqueza daquela terra (...). Me apraz conceder um Brasão de Armas, que será um escudo sem corôa, partido em pelas, na primeira em campo azul uma Bandeira de Ouro em mar de prata e azul, e na segunda em campo da prata uma Oliveira de côr própria entre duas vazilhas de tonda negra, ficando no centro de dous ramos de Carvalho e letras de prata e legenda - Vila Nova da Barquinha (...)" (3). Importante porto comercial, cujo tráfego ficava sujeito a grandes impostos (cujos rendimentos eram usados em melhoramentos da terra) também esta importante região viu decaír a sua economia com o advento do vizinho caminho de ferro. (1) in "Ribatejo
Historico e Moumental" de Francisco Câncio,
Vol. III, 1939. in
DIAGNÓSTICO SÓCIO-CULTURAL DO DISTRITO DE SANTARÉM -
ESTUDO 1, Santarém, 1985, pág. 504-505. |
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