** HISTÓRIA **
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Concelho de Benavente
Pelourinho de Benavente
Pelourinho de Benavente
[Introdução] [Quadro Histórico]

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Introdução

Benavente deve a sua origem a um grupo de colonos estrangeiros que se fixou na margem Sul do Tejo.
A vinda destes estrangeiros obedecia ao plano de D. Sancho I de povoar as terras conquistadas aos mouros, realizando assim a sua ocupação efectiva. Em 1199 originava-se a povoação de Benavente, que por ficar nos limites do Castelo de Coruche, subordinado à Ordem de Calatrava, foi construída sob a égide e senhorio desta ordem militar. Neste facto se tem também filiado o nome da povoação, sabido que à mesma ordem pertencia também o castelo de Benavente, no reino de Leão.
Benavente foi o segundo concelho instituído ao Sul do Tejo. Tem foral antigo, dado por D. Paio, ou Pelágio, mestre da Ordem Militar de Évora, em 25 de Março de 1200, confirmado em Santarém em 1218, e foral novo de D. Manuel I, dado em 16 de Maio de 1516. Além disso recebeu privilégios de vários monarcas, especialmente D. Dinis e D. Fernando.
A povoação tem um aspecto agradável e simpático, e no seu tecido urbano inserem-se apreciáveis residências, antigas e modernas, e um parque arborizado onde se integra a nova igreja paroquial e ainda um Pavilhão Gimnodesportivo com obra de ampliação em fase de acabamento bem como um Centro Cultural junto ao Palácio da Justiça, em plena actividade. Junto do cais velho ainda se vislumbram, na toponimia e na estrutura dos edifícios antigos, vestígios da sua navegação fluvial, anterior às obras de hidráulica que transformaram substancialmente a região.
No largo do Município, fronteiro aos Paços do Concelho, foi reerguida com base nos fragmentos que estavam em poder da Câmara, o gracioso pelourinho quinhentista.

in "Roteiro Turístico", Região de Turismo do Ribatejo

 

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Quadro Histórico

"Até à eclosão do Caminho de Ferro, o concelho de Benavente disfrutava uma posição privilegiada no respeitante à capacidade de drenagem das suas produções devido às excelentes condições de transporte flavial: Vala Nova, que unia Benavente directamente ao Tejo; Rio Sorraia, que servia Benavente e parte da freguesia de Samora Correia; Rio Almansor, que ligava a vila de Samora Correia ao Sorraia, além de permitir o transporte de produtos da terra para montante; e, no extremo sul, fazendo de fronteira com o concelho de Alcochete, a Ribeira das Enguias, navegável desde finais do séc. XVIII e com importantes melhoramentos no século seguinte.

Estas vantagens da acessibilidade a Lisboa e a outros mercados não tiveram entretanto o aproveitamento desejável, por um lado, devido ao facto de grande parte do concelho, mormente a parte meridional da freguesia de Samora Correia ester sujeita à exploração floreatal para o necessário abastecimento de Lisboa em lenha e por outro lado, devido à estrutura fundiária, em que avultavam vastos latifúndios com utilização muito extensiva (mato, floresta, caça, criação de gado). Destes latifúndios, que se prolongavam pelos concelhos vizinhos das duas margens do Tejo, destacavam-se os da Coroa, do Infantado, da Casa da Rainha, da Patriarcal que, entre outros, vieram a dar origem, com a nacionalização no regime liberal, à Companhia das Lezírias, a primeira grande empresa agrícola de tipo capitalista moderno. A Companhia das Lezírias, constituída em 1835, comprou as propriedades que então abrangiam cerca de 48 000 ha e trouxe, com as obras de hidráulica e recuperação de lezírias e com a plantação florestal, um certo tipo de desenvolvimento, embora mantendo dominante, até aos nossos dias, a agricultura extensiva e o sistema de arrendamento(…)

Com a introdução e difusão do caminho de ferro, o concelho de Benavente (...) ficou marginalizado relativamente a essa inovação, pelo que o tranqporte fluvial continuou a desempenhar a sua fungão. Assim, ao contrário do que acontecia noutras regiões, o caminho de ferro não trouxe nenhuma alteração sensível à estrutura económica e social de Benavente: as mercadorias continuavam a ter nos rios o melhor eixo de transporte, enquanto as pessoas só em Vila Franca de Xira e mais tarde em Muge encontravam as eetações ferroviárias mais próximas. O transporte fluvial, a partlr de Benavente ou de Samora Correia manteve-se activo até depois da Segunda Granda Guerra e a sua decadência, que de qualquer forma se iniciara com o desenvolvimento do tráfego automóvel, só se acelerou após a inauguração da ponte sobre o Tejo em Vila Franca de Xira.

Esta marginalização relativamente às inovações dos dois transportes mecânicos teve, necessariamente consequências na estrutura economica e social do concelho de Benavente. Com a inauguração da ponte sobre o Tejo e a canalização do tráfego para o Alentejo e margem sul do médio Tejo, verifica-se o desenvolvimento do cruzamento do Porto Alto, primeiro através da instalação de restaurantes, bombas de gasolina e oficinas de reparação, depois com a instalação de algumas indústrias, que beneficiavam de terrenos baratos, relativamente à proximidade de Lisboa. Também a gricultura beneficia da localização, desenvolvendo-se a produção hortícola e florícola para o mercado de Lisboa. Mais recentemente, já nos anos 70 e com grande ênfase na actualidade, regista-se em Samora Correia a expansão da construção civil, moradias e prédios, para populações que têm o seu local de trabalho na margem esquerda, no eixo industrial Vila Franca de Xira-Lisboa.(...)

A progressiva melhoria dos meios de transporte e a expansão da área metropolitana de Lisboa, originaram assim um processo de transformação física, económica e social, na freguesia de Samora Correia.

Um pouco mais afastada, mas beneficiando das funções decorrentes de ser sede de concelho, a freguesia de Benavente tem também registado algum desenvolvimento relacionado com a proximidade de Lisboa (indústria, comércio e habitagão). Já Santo Estevão, a terceira freguesia do concelho, afogada no latifúndio, tem menos perspectivas; aí, o fenómeno induzido por Lisboa é semelhante ao que se verifica em muitas localidades do Alentejo relativamente próximas de Lisboa (concelhos de Coruche, Montemor-o-Novo, Arraiolos, Chamusca, Mora, Vendas Novas e outros) - o trabalho na construção civil, com vinda a casa aos fins-de-semana, por vezes apenas quinzenalmente.
O concelho de Benavente, embora ainda não participe activamente do dinamismo da Área Metropolitana de Lisboa, aparece-nos já na sua sombra, integrando-se progressivamente, quer pelo desenvolvimento de certas actividades económicas, quer pelo crescimento da função dormitório. É na freguesia de Samora Correia que este processo se encontra em fase mais adiantada". (1)

(1) "Utilização dos Tempos Livres" – relatório nº1, Concelho de Benavente (caracterização sócio-económica e equipamentos colectivos) – SEC/INIC – Estudos para o Planeamento Regional e Urbano – 1981, pág. 3-6.

in DIAGNÓSTICO SÓCIO-CULTURAL DO DISTRITO DE SANTARÉM - ESTUDO 1, Santarém, 1985, pág. 92-93.

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