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Cancioneiro As quadras que apresentamos foram recolhidas em
Alves Redol. Cancioneiro do Ribatejo. Centro Bibliográfico. V. Franca de Xira: 1950

"Quem não tem olhado senão à superfície da nossa literatura, não crê que ao pé, por baixo, andava outra literatura que era a verdadeira nacional, a popular, a vencida, a tiranizada por invasores gregos e romanos."
Garrett
   
       
     
 
  Abrantes Adeus Castelo d'Abrantes
onde batem as trindades;
não se podem ter amores
só por causa das saudades
Abrantes

Naquele castelo d'Abrantes
muito custa ser soldado:
encostado a uma cana
muiti frio tenho passado.
Abrantes

Santo António de Lisboa
venha ver o que cá vai;
deu doença nas cachopas
que até o cabelo lhes cai.
Pego

  Alcanena Trigueirinha e engraçada,
sou filha de lavrador:
vou ao mato, vou à lenha,
quer assim o meu amor.
Serra de Santo António

Nâo há terra como Minde,
Serra como a de Alvados;
Festa como a das Virtudes,
onde cantam namorados.
Minde

Vai-te carta, vai-te carta,
que lindos olhos vais ver,
quem me dera ir agora,
onde esta carta vai ter.
Alcanena

  Almeirim O amor mai-lo dinheiro,
não pode andar encoberto:
o dinheiro é chocalheiro,
o amor é desinquieto.
Almeirim

Á entrada de Almeirim
está um portão encarnado,
onde mora a minha sogra,
a mãe do meu namorado.
Almeirim

O relógio de Valverde
já não dá as horas certas;
faz andar o meu amor
p'las esquinas e travessas.
Almeirim

  Alpiarça Vou entrando em Alpiarça,
alegrem-se ó moradores,
vou dar revista aos meus olhos,
alegria aos meus amores
Alpiarça

No Outeiro do Carvalhal,
logo ali à entrada,
está uma pereirinha nova
qu'inda não foi abanada.
Alpiarça

Vou-me embora deixo o campo,
vou-me embora o campo deixo;
de cá não levo saudades
mas também cá as não deixo.
Alpiarça

  Benavente Se me vires de pau e manta,
não cuides que sou pastor:
sou da vila de Samora,
das Lezirias guardador.
Samora Correia

Não m'importo ser soldado,
contando que o batalhão
traga sempre na bandeira
bordado o teu coração.
Benavente

O meu amor disse à mãe
que me havia de deixar.
Agora deixo-o eu;
tome lá, vá-se gabar!
Samora Correia

  Cartaxo Eu não quero ir ao campo
que lá faz muito calor
eu não quero ser campina
que o meu bem é pescador.
Palhota

No Verão, cheio de calor,
muito pescador se passa:
lá vão uns para o melão,
outros ficam à fataça.
Palhota

A carta que me mandaste
meti-a numa gaveta;
quem me dera ver teus olhos,
como vejo a tua letra.
Ereira

  Chamusca É um relago na vida
Na Borda d'Água morar:
Quem tem sede vai beber
Quem tem calor vai nadar
Chamusca

Meu amor é da Charneca,
conhecido por varapau;
cheguem-se para aqui tiranas
que ele tem cara de mau.
Chamusca

Vai-te embora passarinho,
deixa a baga do loureiro,
deixa dormir o menino
que está no sono primeiro.
Chamusca

  Constância O salgueiro da Borda d'Agua
deita a raiz p'ra onde quer;
é como o rapaz solteiro
enquanto não tem mulher.
Montalvo

O cravo caiu do céu,
quebrou o pé, ficou coxo;
e a rosa de sentimento
toda se vestiu de roxo
Constância - Brogueira

Tu de lá e eu de cá,
dás suspiros e eu dou ais;
dáme um sorriso dos teus,
já que não pode ser mais.
Brogueira

  Coruche Tens no seio dois limões,
não foram inda espremidos;
quando olho para ti,
vario dos meus sentidos
Coruche

Ó ares da minha terra
vinde já aqui buscar-me,
que os ares da terra alheia
não fazem senão matar-me.
Coruche

Alegria não a tenho,
tristeza comigo mora;
tenho o meu amor à vista,
tristeza de mim vai fora.
Coruche

  Entroncamento Complete esta informação.

  Ferreira do Zêzere Milho alto, milho alto,
milho alto, folha estreita;
Á sombra do milho alto
namorei uma sujeita.
Ferreira do Zêzere

Ó meu amor, meu amor,
quem te há-de ver abalar;
co'a saca de roupa às costas
para a vida militar.
Águas Belas

Dei um nó na fita verde
e outro na amarela;
ainda espero dar outro
na igreja d'Águas Belas.
Águas Belas

  Golegã Cantei uma noite inteira,
uma noite no Tojal;
adeus Casal do Serrão,
adeus ó estrada real.
Azinhaga

Anda lá para diante,
desenrola este novelo;
adeus Casal do Mendanha,
adeus Casal do Rebelo.
Azinhaga

  Mação Complete esta informação.

  Ourém Complete esta informação.

  Rio Maior Complete esta informação.

  Salvaterra de Magos Vim trabalhar p'ra lezíria,
esta lezíria sem fim,
quem me dera já domingo
pr'a te ter ao pé de mim.
Salvaterra

Vai-te sol, vai-te sol,
que tamanho foi o dia...
amanhã quando voltares,
vem com maior alegria.
Salvaterra

Num homem que é cavador,
é que eu faço estimação:
a enxada é o seu cravo
e o seu craveiro é o chão.
Salvaterra

  Santarém Borda d'Água, Borda d'Água,
Borda d'Água, Santarém;
vale mais a Borda d'Água
do que quanto o mundo tem.
Santarém

Santarém é boa terra,
dá de comer a quem passa...
Quem dinheiro não levar
nem água lhe dão de graça.
Santarém

O meu amor não está cá,
não está cá nem já cá vem;
foi p'ra monda, do arroz,
passou o Tejo p'ra além.
Santarém

  Sardoal Ó vila do Sardoal,
duas coisas te graça:
é a torre da igreja
e o pelourinho da praça
Sardoal

Viva o nosso patrão
com o colete d'ilhozes;
não vimos cá para o ano
se não nos der as filhozes.
Sardoal

  Tomar Adeus vila de Tomar,
adeus ó rio Nabão,
adeus meu querido anjo
levo-te no coração.
Tomar

Ó Joaquim, Joaquim,
Ó Joaquim ramalhete;
já me cá estão a agradar
os botões do teu colete.
Junceira

É menino dorme, dorme,
o sono não te quer vir,
venham os anjos do céu
ajudá-lo a dormir.
Tomar

  Torres Novas Por seres de gente fina
não me tires a mim do rol;
a lua é pequenina
e às vezes encobre o sol.
Torres Novas

O Carvalhal é dos alhos,
a Golegã dos melões;
os Riachos dos boieiros,
Torres Novas dos pimpões.
Torres Novas

O amor duma mulher
é caldo verde amornado;
quando o amor arrefece,
temos o caldo entornado.
Torres Novas

  Vila Nova da Barquinha A ribeira quando enche,
vai de pedrinha em pedrinha;
leva-me lá esta carta
ao meu amor da Barquinha.
Barquinha

Chovem águas, crescem rios,
dêem navios à costa;
não tomes amores com outro
até segunda resposta
Barquinha

Eu tenho uma casa em Tancos
alicerces na Marinha,
as paredes em Alverca
e os telhados na Barquinha.

Tancos

     
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