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Distrito de
Santarém - Meio Físico
Composto pelos concelhos de ABRANTES, ALCANENA, ALMEIRIM, ALPIARÇA, BENAVENTE, CARTAXO, CHAMUSCA, CONSTÂNCIA, CORUCHE, ENTRONCAMENTO, FERREIRA DO ZÊZERE, GOLEGÃ, MAÇÃO, RIO MAIOR, SALVATERRA DE MAGOS, SANTARÉM, SARDOAL, TOMAR, TORRES NOVAS, VILA NOVA DA BARQUINHA e VILA NOVA DE OURÉM, o distrito de
Santarém é limitado a NORTE pelos distritos de Leiria e
Castelo Branco, a SUL pelos de Lísboa, Setúbal e
Évora, e tem uma área total de 6 634, 53 Km2(cerca de
7,5% do continente).
O Distrito de Santarém abrange a maior parte dos
concelhos da região natural denominada RIBATEJO
(lembremos que à província do Ribatejo pertencem
concelhos como por exemplo Alenquer, Alcochete, Azambuja,
Vila Franca de Xira, Barreiro, e outros) e ainda outros
pertencentes à BEIRA e à ESTREMADURA. Ribatejo seria
assim toda a região banhada pelo Tejo no seu curso
ínferior.
Localizado no centro do país, encravado"
entre a cordilheira central e as longas planícies
alentejanas, e atravessado a meio, longitudinalmente,
pelo rio mais importante da Península (com a sua
Importante bacia hidrográfica), o TEJO, o distrito de
Santarém está considerado na área geográfica com
maiores potencialidades agro-pecuárias do país e numa
das melhores planícies aluviais da Europa.
Características
geo-morfológicas
"Ao findar a Era Primária, processaram-se durante o
Antrocolítico, na Península Ibérica como em toda a
Europa, importantes movimentos orogénicos ( ... )que
enrugaram e alteraram profundamente os materiais
originados na primeira parte do Paleozóico, no
Pré-Câmbrico. Estas formações, constituídas por
Rochas Sedimentares, eruptivas e metamórfícas, dada a
fase de estabilidade que atravessaram durante milhões de
anos, ficaram sujeitas a uma acção erosiva, prolongada,
que necessariamente conduziu a um importante nivelamento.
Entretanto, na periferia deste núcleo central designado
Meseta Ibérica ou
Maciço Respérico, o mar do Secundário e do Terciário,
por intermédio de oscilações rítmicas foi depositando
materiais, ora finos, ora mais grosseiros (...). Estas
formaçõespost-paleozóicas de origem marinha constituem
hoje as orlas meso-cenozoicas da Penímula e as
depressbes periféricas (do Tejo e Sado, ibérica e
bética). (...).
Neste último Período os movimentos orogénicos
alpídicos, inicíados no fim do Mezozóico, atingiram
uma fase de importâncía fundamental para a actual
morfologia da Meseta. Provocaram-lhe um abaulamento da
sua parte central (prefigurando assim a actual
Cordilheira Central a separar as depressões castelhanas)
e importantes fracturas com os consequentes
desnivelamentos dos blocos. Nas áreas deprimidas e sem
escoamento para o mar, processa-se em seguida a
deposição de materiais detríticos de origem
continental e lacustre, mais grosseiros (conglomerados e
arenitos) junto das escarpas, mais finos (argilas) na
parte mais central das depressões. Sobre estas camadas
(...) depositam-se calcáreos e margas. Ficaram assim, ao
findar o Miocénico, formados os rebordos montanhosos da
Meseta e prefiguradas as duas unidades morfológicas mais
importantes: Cordilheira Central e depressões
castelhanas (...). No início do Quaternário o clima
evolui no sentido de uma maior humidade, a rede
hidrográfica organiza-se e, a favor de uma relativa
estabilidade tectónica, processam-se novos ciclos de
erosão. (...) Nos períodos mais quentes, o degelo
provoca a elevação do nível do mar e os rios depositam
materiais que depois irão de novo ser escavados,
deixando como testemunhos, em posição elevada em
relação ao curso actual, amplos depósitos de material
rolado. Estas formações de terraços constituem as
marcas mais importantes da evolução geológica do
Antropozóico (... )(1)
O distrito de Santarém divide-se, quanto ao aspecto
geo-morfológico, em três zonas distintas:
l - O Ribatejo-Norte / o "Bairro" - terras
"argilo-arenosas ou argilo-calcáreas, férteis e de
boas qualidades físicas, entremeadas com arenatas pobres
e de fraca aptidão cultural( ... ). São medianamente
acidentadas, onduladas, e correspondem geologicamente às
formações terciárias da margem direita do Tejo,
especialmente o Miocénio Lacustre, coberto num ou noutro
ponto por depósitos lenticulares de areias pliocénicas
ou terraços quaternários ainda imperfeitamente
reconhecidos. Constituem uma sub-região perfeitamente
delimitada, a Sul e a Este pela planície aluvionar do
Tejo, a Norte e a Oeste por terrenos mais elevados e
acidentados das formaçõs mesozóicas da Serra do
Montejunto e do Maciço de Porto de Mós desde Vila
Franca, Rio Maior, Torres Novas até um pouco além de
Tomar( ... ) Agrologicamente, estas terras são
caracterizadas por uma constituição física variável
de argilo-arenosa a areno-argilosa, com manchas
frequentemente argilo-calcáreas (...) "(2). Tem
aptidões para as culturas arbustivas e arborícolas,
especialmente a oliveira e a vinha.
2 - O Ribatejo sul / a "Charneca" - zona de
montado, de solo predominantemente arenoso formado por
areias miocénicas e pliocénicas "situada para
além da margem esquerda do Tejo (...) há que considerar
geologicamente duas formações distintas, embora
litologicamente bastante semelhantes. São elas, o
Miocénico-lacustre, natural prolongamento da mancha dos
"Bairros" da margem direita, que constitui, na
parte mais setentrional, uma vasta planície ondulada,
para o Norte de Almeirim, Coruche, Mora e Pavia e
estendendo-se nesta direcção e para leste um pouco para
além de Ponte de Sor e Alvega, até findar no Tejo; e o
Pliocénico, numa grande planície arenosa, cortada pelo
curso inferior do Sorraia e do Almansor ( ... ). No
conjunto, os depósitos terciários da margem esquerda do
Tejo dão origem a solos arenosos ou areno-argilosos
muito pobres e quase exclusivamente revestidos, para o
interior e para o sul, de montados de sôbro e azinho, ou
matos em regime pastoril. É certo que nas zonas mais
próximas do Vale do Tejo e dentro dos concelhos da
Chamusca, Alpiarça e Almeirim, as terras miocénicas se
apresentam por vezes mais encorpadas, argilo-arenosas e
medianamente férteis, ainda na sua maior parte
revestidas com sobreiros, mas também permitindo a
cultura da oliveira associada à vinha e aos cereais.
Outra excepção é a que resultou do desbravamento de
grandes extensões de charnecas arenosas nos termos de
Salvaterra de Magos, Muge, Marinhais, Coruche, etc,
levada a efeito, desde a última metade do século
passado, pelos núcleos populacio nais da Beira Litoral
que ali se fixaram, em consequência do aforamento dos
baldios municipais. A sucessiva incorporação de
estrumes ao solo e a existência de água a pequena
profundidade (...) permitiram (...) que terras
pobríssimas se tornassem fecundas e hoje se apresentem
em grande parte revestidas de vinha ou produzindo
quantidades apreciáveis de milho, trigo, centeio e
legumes. São os chamados "foros" e alargam-se
nas imediações de Salvaterra de Magos, Marinhais,
Coruche, etc (...). Também as faixas pliocénicas que
correm ao longo dos aluviões do Tejo e dos seus
afluentes se apresentam com um importante revestimento
florestal em que abundam o pinheiro bravo e o eucalipto
(...)."(3)
3 - A Lezíria / "Campo" ou "Terras da Borda d'Agua - na
planície marginal do Rio e do curso inferior dos seus
afluentes (...) os solos são de aluviões modernos,
inteiramente constituídos à custa de materiais
detríticos minerais e orgânicos, transportados pelas
águas fluviais, desde os saibros e areias grosseiras às
partículas finíssimas de argila e nateiro. Assentam, a
uma profundidade variável mas sempre superior à
espessura normal da camada de desenvolvimento radicular,
sobre leitos de calhaus rolados, alternando com estratos
de saibros mais ou menos grosseiros, camadas de areia e
leitos de argila. (...) ... mais uma vez se verifica que
a água, agente directo, imediato e insubstituível da
produtividade das terras, desempenhou e ainda desmpenha
outro papel não menos importante, desagregando as
rochas, transportando os seus detritos, reduzindo-os,
pulverizando-os e depositando-os por fim em extensas
várzeas, num estado de extraordinária divisão,
constituindo argilas e nateiros finíssimos, imensamente
ricos e férteis. (,..)".(4) Estes terrenos abrangem
sobretudo os concelhos de Golegã (por inteiro), parte da
Chamusca, Alpiarça, Almeirim, Salvaterra de Magos e
Benavente, e as suas principais culturas são a vinha, o
arroz, o milho, o trigo, os pomares e as produções
hortículas.
Análise
Climatológica
Temperatura
do ar
MESES
|
JAN
|
FEV
|
MAR
|
ABR
|
MAI
|
JUN
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JUL
|
AGO
|
SET
|
OUT
|
NOV
|
DEZ
|
ANO
|
Temperaturas
|
Temp.Máx.Abs.
|
20,5
|
25,0
|
29,4
|
33,0
|
37,2
|
41,0
|
45,3
|
42,4
|
42,0
|
36,0
|
30,0
|
28,4
|
45,3
|
Temp.Mín.Abs.
|
-3,5
|
-4,5
|
-1,0
|
1,5
|
4,3
|
5,4
|
9,9
|
9,5
|
7,5
|
3,0
|
0,2
|
-3,0
|
-4,5
|
Temp.Méd.Diá.
|
9,9
|
10,8
|
13,2
|
15,3
|
11,7
|
20,9
|
23,1
|
23,3
|
21,6
|
18,2
|
13,4
|
10,2
|
16,5
|
Temp.Méd.Máx.Diá.
|
14,4
|
15,8
|
18,4
|
21,2
|
24,1
|
27,9
|
30,9
|
31,1
|
28,7
|
24,1
|
18,1
|
14,7
|
22,5
|
Temp.Méd.Mín.Diá.
|
5,5
|
5,9
|
8,0
|
9,3
|
11,3
|
13,9
|
15,3
|
15,5
|
14,6
|
12,3
|
8,7
|
5,8
|
10,5
|
Quadro 1
Fonte: CMA - Delegação de Alpiarça do Ministério da
Agricultura
Para a análise do clima do distrito, utilizaremos os
valores colhidos na Estação Meteorológica da Escola
Agrícola de Santarém (referentes ao período de 1941 a
70), uma vez que seria bastante difícil coordenar os
dados de diferentes postos, e tanto mais que, à
excepção de uma ou outra zona de micro-clima, toda a
região possui uma unidade climática própria.
"De relevo pouco acentuado e em muitas partes nulo,
abrigado por Oeste, em toda a sua extensão, pelas Serras
de Aire, Candeeiros, Montejunto e Sintra, que constituem
como que o extremo ocidental, em terra portuguesa, da
Cordilheira Luso -Castelhana e resultando na sua
totalidade de um preenchimento por terrenos terciários
lacustres e quaternários de uma vasta e arredondada
bacia de fraca ondulação, pode considerar-se o Ribatejo
uma unidade climática regional, relativamente uniforme,
dentro das múltiplas variantes que sob este aspecto o
País reveste. (...) Assim a muralha de abrigo
constituída pela cordilheira de serranias (...) que se
opõe aos ventos de Oeste, e a baixa cota das terras
ribatejanas, deverão necesswiamente contribuir para que
a queda pluviométrica nesta região tenha um valor
apreciávelmente mais baixo do que teria normalmente a
esta latitude e nas condições de relativa proximidade
do oceano em que se encontra. Esse valor não é, porém,
tão baixo como seria se o Vale do Tejo não fosse
amplamente aberto à penetração dos ventos marítimos
do sudoeste, ventos chuvosos por excelência, nas nossas
condições geográficas.( ... ) Sob o ponto de vista
higrométrico, é fácil de reconhecer que toda a
sub-região ribeirinha, "Borda de Água, pela
constante evaporação que se dá à superfície das
águas dos rios e dos seus afluentes, beneficia de um
grau de humidade relatíva bastante elevado, em especial
no Verão, circunstância que muito contribue para que
nestas terras as culturas de sequeiro tenham uma
apreciável resistência à secura, apesar dos calores
ardentes que aqui se verificam. Atinge valores
sensivelmente mais baixos o estado higrométrico da
atmosfera nas terras de "Bairros" e de
"Charneca", e esse facto traduz-se, no período
de estiagem, em consequências por vezes desastrosas para
as culturas. (5)
Do quadro I poderemos inferir que a temperatura média do
ar é de 16,5 ºC.
Os meses mais quentes são Julho, Agosto e Setembro, com
temperaturas absolutas diá rias que chegam a atíngir os
45ºC. Nestes meses, as máximas e mínimas médias
díárias são da ordem dos 31º e 15,5º
respectivamente. Os meses mais frios são Dezembro,
Janeiro e Fevereiro, com temperaturas médias diárias de
cerca de 10,0 ºC, chegando a atingir os 3 graus
negativos (em valores absolutos mínimos), embora
esporadicamente. As variações anuais e diárias
(amplitudes térmicas) não são, em geral, muito
elevadas: 10º /23ºC.
Os meses de maior precipitação são de Novembro a
Março, com uma precipitação média de cerca de 66% do
anual. Os meses mais secos são Julho e Agosto. Os
valores de humidade são relativamente elevados; com uma
média anual de 78% às 9h e 66% às l8h, com máximos em
Dezembro, Janeiro e Fevereiro e mínimos de Julho a
Setembro. O número médio de dias de nevoeiro é de
20,3, com maior frequência de Outubro a Março. O
número de dias de insolação é elevado, com maior
percentagem de Maio a Setembro e menor de Novembro a
Março.
Os ventos dominantes são os de NOROESTE. De Inverno
dominam os ventos de sudoeste e de sudeste.
Temos, assim, esta região caracterizada do ponto de
vista climático, como sendo TEMPERADA HÚMIDA,
exceptuando-se, principalmente, os concelhos de
confluência com o Alentejo, mais secos e quentes, e os
do norte do dístrito, mais húmidos: "Verifica-se
que o Ribatejo tem em todas as estações uma temperatura
mais elevada do que a Beira Litoral; é mais quente de
verão e mais frio de inverno do que a Estremadura, ao
passo que se dá o contrário em relação à região
alentejana adjacente, onde estas duas estações são
mais rigorosas. Acusa uma queda pluviométrica anual
bastante inferior à Beira Litoral e também à da
Estremadura, mas excede de modo sensível a altura de
chuvas registada no Alto Alentejo durante o mesmo
período. É mais húmido e acusa menor evaporação do
que as regiões vizinhas e, finalmente, beneficia, em
cada ano, de um número total de horas de sol descoberto
superior ao observado em Coimbra e em Lisboa, e que só
é excedido na região do Alto Alentejo. (6)
Hidrografia
O distrito de Santarém é atravessado longitudinalmente
pelo RIO TEJO, que nasce em Espanha na Serra de
Albarracim, entra em Portugal nas denominadas Portas de
Rodão, e no distrito de Santarém, no concelho de
Mação, na Amieira. Em Abrantes, entra no seu baixo
curso, e recebe o seu afluente ZÊZERE mesmo ao lado da
vila de Constância. Perto de Azinhaga recebe o ALMONDA
(que nasce na Serra de Aire e atravessa o concelho de
Torres Novas) e em Vale de Figueira, nas Barreiras da
Bica, o ALVIELA (que nasce no concelho de Alcanena, no
Polge de Minde, e surge à superfície nos denominados
"Olhos de Água). São seus afluentes ainda o
RIO MAIOR e o SORRAIA (que atravessa os concelhos mais a
sul, Coruche e Benavente), e ainda um sem número de
RIBEIRAS. (como consta da análise pormenorizada dos
concelhos). Esta rede hidrográfica constitui uma das
mais importantes da península. Merecem a nossa atenção
duas questões relacionadas com este facto:
. O ESTADO DE POLUIÇÃO dos rios, iniciada, sobretudo,
há cerca de 25/30 anos, pela industrialização da
região, nomeadamente pelas indústrias de papel,
cortumes, têxteis e as ligadas à pecuária. Carente de
um planeamento cuidado do tratamento de esgotos
industriais, a região encontra-se de uma forma
lastimosa, em situação de perigo para o seu
ecossistema, especialmente os Rios Almonda e Alviela (sem
falar no problema da devastação das matas de pinhal -
verdadeiro património natural da nossa região - pelos
fogos, da plantação desmedida de eucaliptos, com
oconsequente empobrecimento da terra em termos de
recursos aquíferos);
A QUESTAO DAS CHEIAS, DO DESASSOREAMENTO DO TEJO e o seu
PLANO DE REGULARIZAÇÃO: "Anteriormente ao séc.
XIV todas as preocupações referentes ao rio Tejo se
concentravam nas suas condições de navegação durante
o reinado dos Filipes (...) Estas acções baseavam-se na
visão política de consolidação da união entre os
países peninsulares, na existência de um apreciável
tráfego comercial entre Espanha e Portugal, se
possível, entre Lisboa e Madrid, através duma via
fluvial muito importante (...). Na década de 1780 surge,
pela primeira vez, a necessidade de estudar o Tejo sem
ser do ponto de vista exclusivo da navegação (...). Os
trabalhos de Estêvão Cabral ocupam-se do traçado do
Tejo, da possibilidade de alvercamento e dos ataques de
margens (...) (7). O "Plano geral das obras
que convirá fazer para melhorar o regime o Tejo e e
iciar os seus campos adjacentes", estudo publicado
em 1883 pelo Ministério das Obras Públicas, marca a
data em que o Tejo começou a ser estudado especialmente
do seu ponto de vista económico e social, não só pela
diminuição do interesse do Rio em termos de
navegação, pela construção dos caminhos de ferro, mas
também pelo desenvolvimento económico da região que
progressivamente ía ganhando vulto, especialmente em
termos da sua agricultura e do aproveitamento máximo
desta planície aluvial.
O problema das cheias tem a ver, essencialmente, com as
questões da regularização do leito do rio Tejo, com a
construção de diques e barragens, com o planeamento
agrícola. Prejudicam principalmente as regiões
ribeirinhas das zonas a sul de Abrantes, Chamusca,
Golegã (acrescendo aqui o problema da inserção do
Almonda no Tejo), Almeirim, Santarém e Cartaxo, e ainda
Vila Nova da Barquinha, Constância e Alpiarça. Os
diques mais importantes da região são: o Dique dos
Vinte (ligando a Chamusca à Golegã), o de S. João (na
azinhaga), o Dique do Pinheiro, o Dique de El-Rei e o da
Boa Vista, o Dique de Valada e o das Ómnias. Um dos
elementos mais importantes do esquema hidráulico da zona
sul é a Obra de Defesa das Lezírias grandes,
constituída por vaiados insubmersíveis, quer do lado do
Tejo quer do Sorraia, em Benavente. O Plano de
Regularização do rio Tejo, da responsabilidade do
Ministério das Obras Públicas está datado de 1979.
São as seguintes as Albufeiras da região: Castelo de
Bode, Belver, Pracana, Caldeirão, Matão e Magos, quase
todas para produção de energia eléctrica, a primeira
também para abastecimento de água potável e a de Magos
exclusivamente para rega e recreio.
Salientamos ainda a existência de duas importantes
RESERVAS NATURAIS: a do PAÚL DO BOQUILOBO, na Golegã, a
maior colónia de garças do país e mesmo da península,
e a do ESTUÁRIO DO TEJO, em Benavente, onde são
acolhidos 75% de toda a população invernante europeia
de alfaiate.
(1) CUNHA, José Correia - Caracterização
Geográfica da Bacia Hidrográfica do Tejo in
Colóquio Sobre o Desenvolvimento da Bacia Hidrográfica
do Tejo, Junho, ?, Santarém, 1970, pág. 2-3-6.
(2) FRAZÃO, Eduardo Mendes - A Autonomia Regional
do Ribatejo Sob o Aspecto Agro-Climático in
Boletim da Junta da Província do Ribatejo, ?, ?, pág.
76-77.
(3) idem, pág. 78-79.
(4) idem, pág. 73.
(5) idem, pág. 69-70.
(6) idem, pág. 71.
(7) DIRECÇÃO GERAL DOS RECURSOS E APROVEITAMENTOS
HIDRÁULICOS - Plano de Regularização do Rio
Tejo, Ministério da Habitação e Obras Públicas,
Lisboa, 1978, pág. 3-4.
in DIAGNÓSTICO SÓCIO-CULTURAL DO DISTRITO DE SANTARÈM
- ESTUDO 1, Santarém, 1985, pág. 42-48.
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