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Geografia  
    Breve Introdu??o
Geografia F?sica
Geografia Humana
Geografia Econ?mica
Distrito de Santar?m - Meio F?sico

- Caracter?sticas geo-morfol?gicas
- An?lise Climatol?gica
- Hidrografia

Hist?ria e Geografia de Santar?m

       
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    Breve Introdu??o

Ribatejo - Regi?o do centro de Portugal que abrange os terrenos da bacia do Tejo entre Abrantes e o come?o do Mar da Palha. Limitado a O e a SO pela Estremadura, a NO pela Beira Litoral, a N e NE pela Beira Baixa, a E e S pelo Alentejo, tem 7.500Km2 de ?rea e uma popula??o de 532.600 h., sendo a sua densidade populacional de 71 h./Km2 (a do pa?s ? de 107 h./Km2).

in "Moderna Enciclop?dia Universal" - C?rculo de Leitores

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Geografia F?sica

Com forma el?ptica, o Ribatejo ? cortado a meio pelo rio Tejo no sentido NE-SO. Constituem o seu solo terrenos terci?rios e quatern?rios que formam uma bacia de sedimenta??o. De NO para O tem come?o das abas das serras de Aire, Candeeiros e Montejunto.
O relevo ? uniforme, predominando as formas baixas e planas, com altitudes inferiores a 200m.
A temperatura m?dia anual oscila pelos 16?C, sendo a m?dia das m?ximas de 22,4?C e das m?nimas de 9,9?C. A precipita??o m?dia anual ? de 700mm. As ?guas s?o drenadas at? ao Tejo por v?rios afluentes como o Z?zere, o Alviela, o Asseca e o Alenquer, na margem direita, e o Alpiar?a, o Muge e o Sorraia, na margem esquerda.

in "Moderna Enciclop?dia Universal" - C?rculo de Leitores

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Geografia Humana

O Ribatejo abrange 17 dos 21 concelhos de Santar?m (os outros 4 pertencem ? Beira), num total de 388.000 habitantes (dados de 1981) e 3 dos 14 concelhos de Lisboa, num total de 143.000 habitantes (dados de 1981).
A popula??o ribatejana, de 464.700 habitantes em 1970, passou a 532.600 habitantes, em 1981. Al?m das cidades de Santar?m, Tomar, Torres Novas e Vila Franca de Xira, os principais n?cleos populacionais, com popula??o superior a 15.000 habiitantes, s?o Alverca, Coruche e Via Longa.(...)
O povoamento ? mais denso na margem direita no que na margem esquerda do Tejo.

in "Moderna Enciclop?dia Universal" - C?rculo de Leitores

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Geografia Econ?mica

Regi?o de excelentes aptid?es agr?colas, pratica-se a NO uma agricultura intensiva e variada, ficando a SO a explora??o extensiva, onde os v?rios campos alternam com os sobreiros. Os campos ribeirinhos, alagados no Inverno, devido ?s cheias, produzem trigo, milho, arroz, tomate, vinho e produtos hort?colas; as suas pradarias alimentam touros e cavalos. Nas outras ?reas, ainda h?midas, cultivam-se o milho e produtos hort?colas e nas mais secas, trigo, vinho e oliveiras. As suas principais ind?strias s?o as alimentares, de cimentos, de produtos qu?micos, de montagem de autom?veis, de metalurgia, de curtumes e de madeiras.

in "Moderna Enciclop?dia Universal" - C?rculo de Leitores

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Distrito de Santar?m - Meio F?sico


Composto pelos concelhos de
ABRANTES, ALCANENA, ALMEIRIM, ALPIAR?A, BENAVENTE, CARTAXO, CHAMUSCA, CONST?NCIA, CORUCHE, ENTRONCAMENTO, FERREIRA DO Z?ZERE, GOLEG?, MA??O, RIO MAIOR, SALVATERRA DE MAGOS, SANTAR?M, SARDOAL, TOMAR, TORRES NOVAS, VILA NOVA DA BARQUINHA e VILA NOVA DE OUR?M, o distrito de Santar?m ? limitado a NORTE pelos distritos de Leiria e Castelo Branco, a SUL pelos de L?sboa, Set?bal e ?vora, e tem uma ?rea total de 6 634, 53 Km2(cerca de 7,5% do continente).

O Distrito de Santar?m abrange a maior parte dos concelhos da regi?o natural denominada RIBATEJO (lembremos que ? prov?ncia do Ribatejo pertencem concelhos como por exemplo Alenquer, Alcochete, Azambuja, Vila Franca de Xira, Barreiro, e outros) e ainda outros pertencentes ? BEIRA e ? ESTREMADURA. Ribatejo seria assim toda a regi?o banhada pelo Tejo no seu curso ?nferior.

Localizado no centro do pa?s, “encravado" entre a cordilheira central e as longas plan?cies alentejanas, e atravessado a meio, longitudinalmente, pelo rio mais importante da Pen?nsula (com a sua Importante bacia hidrogr?fica), o TEJO, o distrito de Santar?m est? considerado na ?rea geogr?fica com maiores potencialidades agro-pecu?rias do pa?s e numa das melhores plan?cies aluviais da Europa.


Caracter?sticas geo-morfol?gicas
"Ao findar a Era Prim?ria, processaram-se durante o Antrocol?tico, na Pen?nsula Ib?rica como em toda a Europa, importantes movimentos orog?nicos ( ... )que enrugaram e alteraram profundamente os materiais originados na primeira parte do Paleoz?ico, no Pr?-C?mbrico. Estas forma??es, constitu?das por Rochas Sedimentares, eruptivas e metam?rf?cas, dada a fase de estabilidade que atravessaram durante milh?es de anos, ficaram sujeitas a uma ac??o erosiva, prolongada, que necessariamente conduziu a um importante nivelamento. Entretanto, na periferia deste n?cleo central designado Meseta Ib?rica ou
Maci?o Resp?rico, o mar do Secund?rio e do Terci?rio, por interm?dio de oscila??es r?tmicas foi depositando materiais, ora finos, ora mais grosseiros (...). Estas forma??espost-paleoz?icas de origem marinha constituem hoje as orlas meso-cenozoicas da Pen?mula e as depressbes perif?ricas (do Tejo e Sado, ib?rica e b?tica). (...).
Neste ?ltimo Per?odo os movimentos orog?nicos alp?dicos, inic?ados no fim do Mezoz?ico, atingiram uma fase de import?nc?a fundamental para a actual morfologia da Meseta. Provocaram-lhe um abaulamento da sua parte central (prefigurando assim a actual Cordilheira Central a separar as depress?es castelhanas) e importantes fracturas com os consequentes desnivelamentos dos blocos. Nas ?reas deprimidas e sem escoamento para o mar, processa-se em seguida a deposi??o de materiais detr?ticos de origem continental e lacustre, mais grosseiros (conglomerados e arenitos) junto das escarpas, mais finos (argilas) na parte mais central das depress?es. Sobre estas camadas (...) depositam-se calc?reos e margas. Ficaram assim, ao findar o Mioc?nico, formados os rebordos montanhosos da Meseta e prefiguradas as duas unidades morfol?gicas mais importantes: Cordilheira Central e depress?es castelhanas (...). No in?cio do Quatern?rio o clima evolui no sentido de uma maior humidade, a rede hidrogr?fica organiza-se e, a favor de uma relativa estabilidade tect?nica, processam-se novos ciclos de eros?o. (...) Nos per?odos mais quentes, o degelo provoca a eleva??o do n?vel do mar e os rios depositam materiais que depois ir?o de novo ser escavados, deixando como testemunhos, em posi??o elevada em rela??o ao curso actual, amplos dep?sitos de material rolado. Estas forma??es de terra?os constituem as marcas mais importantes da evolu??o geol?gica do Antropoz?ico (... )(1)

O distrito de Santar?m divide-se, quanto ao aspecto geo-morfol?gico, em tr?s zonas distintas:

l - O Ribatejo-Norte / o "
Bairro" - terras "argilo-arenosas ou argilo-calc?reas, f?rteis e de boas qualidades f?sicas, entremeadas com arenatas pobres e de fraca aptid?o cultural( ... ). S?o medianamente acidentadas, onduladas, e correspondem geologicamente ?s forma??es terci?rias da margem direita do Tejo, especialmente o Mioc?nio Lacustre, coberto num ou noutro ponto por dep?sitos lenticulares de areias plioc?nicas ou terra?os quatern?rios ainda imperfeitamente reconhecidos. Constituem uma sub-regi?o perfeitamente delimitada, a Sul e a Este pela plan?cie aluvionar do Tejo, a Norte e a Oeste por terrenos mais elevados e acidentados das forma??s mesoz?icas da Serra do Montejunto e do Maci?o de Porto de M?s desde Vila Franca, Rio Maior, Torres Novas at? um pouco al?m de Tomar( ... ) Agrologicamente, estas terras s?o caracterizadas por uma constitui??o f?sica vari?vel de argilo-arenosa a areno-argilosa, com manchas frequentemente argilo-calc?reas (...) "(2). Tem aptid?es para as culturas arbustivas e arbor?colas, especialmente a oliveira e a vinha.

2 - O Ribatejo sul / a "
Charneca" - zona de montado, de solo predominantemente arenoso formado por areias mioc?nicas e plioc?nicas "situada para al?m da margem esquerda do Tejo (...) h? que considerar geologicamente duas forma??es distintas, embora litologicamente bastante semelhantes. S?o elas, o Mioc?nico-lacustre, natural prolongamento da mancha dos "Bairros" da margem direita, que constitui, na parte mais setentrional, uma vasta plan?cie ondulada, para o Norte de Almeirim, Coruche, Mora e Pavia e estendendo-se nesta direc??o e para leste um pouco para al?m de Ponte de Sor e Alvega, at? findar no Tejo; e o Plioc?nico, numa grande plan?cie arenosa, cortada pelo curso inferior do Sorraia e do Almansor ( ... ). No conjunto, os dep?sitos terci?rios da margem esquerda do Tejo d?o origem a solos arenosos ou areno-argilosos muito pobres e quase exclusivamente revestidos, para o interior e para o sul, de montados de s?bro e azinho, ou matos em regime pastoril. ? certo que nas zonas mais pr?ximas do Vale do Tejo e dentro dos concelhos da Chamusca, Alpiar?a e Almeirim, as terras mioc?nicas se apresentam por vezes mais encorpadas, argilo-arenosas e medianamente f?rteis, ainda na sua maior parte revestidas com sobreiros, mas tamb?m permitindo a cultura da oliveira associada ? vinha e aos cereais. Outra excep??o ? a que resultou do desbravamento de grandes extens?es de charnecas arenosas nos termos de Salvaterra de Magos, Muge, Marinhais, Coruche, etc, levada a efeito, desde a ?ltima metade do s?culo passado, pelos n?cleos populacio nais da Beira Litoral que ali se fixaram, em consequ?ncia do aforamento dos baldios municipais. A sucessiva incorpora??o de estrumes ao solo e a exist?ncia de ?gua a pequena profundidade (...) permitiram (...) que terras pobr?ssimas se tornassem fecundas e hoje se apresentem em grande parte revestidas de vinha ou produzindo quantidades apreci?veis de milho, trigo, centeio e legumes. S?o os chamados "foros" e alargam-se nas imedia??es de Salvaterra de Magos, Marinhais, Coruche, etc (...). Tamb?m as faixas plioc?nicas que correm ao longo dos aluvi?es do Tejo e dos seus afluentes se apresentam com um importante revestimento florestal em que abundam o pinheiro bravo e o eucalipto (...)."(3)


3 - A Lez?ria / "
Campo" ou "Terras da Borda d'Agua” - “na plan?cie marginal do Rio e do curso inferior dos seus afluentes (...) os solos s?o de aluvi?es modernos, inteiramente constitu?dos ? custa de materiais detr?ticos minerais e org?nicos, transportados pelas ?guas fluviais, desde os saibros e areias grosseiras ?s part?culas fin?ssimas de argila e nateiro. Assentam, a uma profundidade vari?vel mas sempre superior ? espessura normal da camada de desenvolvimento radicular, sobre leitos de calhaus rolados, alternando com estratos de saibros mais ou menos grosseiros, camadas de areia e leitos de argila. (...) ... mais uma vez se verifica que a ?gua, agente directo, imediato e insubstitu?vel da produtividade das terras, desempenhou e ainda desmpenha outro papel n?o menos importante, desagregando as rochas, transportando os seus detritos, reduzindo-os, pulverizando-os e depositando-os por fim em extensas v?rzeas, num estado de extraordin?ria divis?o, constituindo argilas e nateiros fin?ssimos, imensamente ricos e f?rteis. (,..)".(4) Estes terrenos abrangem sobretudo os concelhos de Goleg? (por inteiro), parte da Chamusca, Alpiar?a, Almeirim, Salvaterra de Magos e Benavente, e as suas principais culturas s?o a vinha, o arroz, o milho, o trigo, os pomares e as produ??es hort?culas.

An?lise Climatol?gica

Temperatura do ar

MESES

JAN

FEV

MAR

ABR

MAI

JUN

JUL

AGO

SET

OUT

NOV

DEZ

ANO

Temperaturas

Temp.M?x.Abs.

20,5

25,0

29,4

33,0

37,2

41,0

45,3

42,4

42,0

36,0

30,0

28,4

45,3

Temp.M?n.Abs.

-3,5

-4,5

-1,0

1,5

4,3

5,4

9,9

9,5

7,5

3,0

0,2

-3,0

-4,5

Temp.M?d.Di?.

9,9

10,8

13,2

15,3

11,7

20,9

23,1

23,3

21,6

18,2

13,4

10,2

16,5

Temp.M?d.M?x.Di?.

14,4

15,8

18,4

21,2

24,1

27,9

30,9

31,1

28,7

24,1

18,1

14,7

22,5

Temp.M?d.M?n.Di?.

5,5

5,9

8,0

9,3

11,3

13,9

15,3

15,5

14,6

12,3

8,7

5,8

10,5

Quadro 1
Fonte: CMA - Delega??o de Alpiar?a do Minist?rio da Agricultura

Para a an?lise do clima do distrito, utilizaremos os valores colhidos na Esta??o Meteorol?gica da Escola Agr?cola de Santar?m (referentes ao per?odo de 1941 a 70), uma vez que seria bastante dif?cil coordenar os dados de diferentes postos, e tanto mais que, ? excep??o de uma ou outra zona de micro-clima, toda a regi?o possui uma unidade clim?tica pr?pria.
"De relevo pouco acentuado e em muitas partes nulo, abrigado por Oeste, em toda a sua extens?o, pelas Serras de Aire, Candeeiros, Montejunto e Sintra, que constituem como que o extremo ocidental, em terra portuguesa, da Cordilheira Luso -Castelhana e resultando na sua totalidade de um preenchimento por terrenos terci?rios lacustres e quatern?rios de uma vasta e arredondada bacia de fraca ondula??o, pode considerar-se o Ribatejo uma unidade clim?tica regional, relativamente uniforme, dentro das m?ltiplas variantes que sob este aspecto o Pa?s reveste. (...) Assim a muralha de abrigo constitu?da pela cordilheira de serranias (...) que se op?e aos ventos de Oeste, e a baixa cota das terras ribatejanas, dever?o necesswiamente contribuir para que a queda pluviom?trica nesta regi?o tenha um valor apreci?velmente mais baixo do que teria normalmente a esta latitude e nas condi??es de relativa proximidade do oceano em que se encontra. Esse valor n?o ?, por?m, t?o baixo como seria se o Vale do Tejo n?o fosse amplamente aberto ? penetra??o dos ventos mar?timos do sudoeste, ventos chuvosos por excel?ncia, nas nossas condi??es geogr?ficas.( ... ) Sob o ponto de vista higrom?trico, ? f?cil de reconhecer que toda a sub-regi?o ribeirinha, "Borda de ?gua”, pela constante evapora??o que se d? ? superf?cie das ?guas dos rios e dos seus afluentes, beneficia de um grau de humidade relat?va bastante elevado, em especial no Ver?o, circunst?ncia que muito contribue para que nestas terras as culturas de sequeiro tenham uma apreci?vel resist?ncia ? secura, apesar dos calores ardentes que aqui se verificam. Atinge valores sensivelmente mais baixos o estado higrom?trico da atmosfera nas terras de "Bairros" e de "Charneca", e esse facto traduz-se, no per?odo de estiagem, em consequ?ncias por vezes desastrosas para as culturas. (5)

Do quadro I poderemos inferir que a temperatura m?dia do ar ? de 16,5 ?C.
Os meses mais quentes s?o Julho, Agosto e Setembro, com temperaturas absolutas di? rias que chegam a at?ngir os 45?C. Nestes meses, as m?ximas e m?nimas m?dias d??rias s?o da ordem dos 31? e 15,5? respectivamente. Os meses mais frios s?o Dezembro, Janeiro e Fevereiro, com temperaturas m?dias di?rias de cerca de 10,0 ?C, chegando a atingir os 3 graus negativos (em valores absolutos m?nimos), embora esporadicamente. As varia??es anuais e di?rias (amplitudes t?rmicas) n?o s?o, em geral, muito elevadas: 10? /23?C.
Os meses de maior precipita??o s?o de Novembro a Mar?o, com uma precipita??o m?dia de cerca de 66% do anual. Os meses mais secos s?o Julho e Agosto. Os valores de humidade s?o relativamente elevados; com uma m?dia anual de 78% ?s 9h e 66% ?s l8h, com m?ximos em Dezembro, Janeiro e Fevereiro e m?nimos de Julho a Setembro. O n?mero m?dio de dias de nevoeiro ? de 20,3, com maior frequ?ncia de Outubro a Mar?o. O n?mero de dias de insola??o ? elevado, com maior percentagem de Maio a Setembro e menor de Novembro a Mar?o.
Os ventos dominantes s?o os de NOROESTE. De Inverno dominam os ventos de sudoeste e de sudeste.
Temos, assim, esta regi?o caracterizada do ponto de vista clim?tico, como sendo TEMPERADA H?MIDA, exceptuando-se, principalmente, os concelhos de conflu?ncia com o Alentejo, mais secos e quentes, e os do norte do d?strito, mais h?midos: "Verifica-se que o Ribatejo tem em todas as esta??es uma temperatura mais elevada do que a Beira Litoral; ? mais quente de ver?o e mais frio de inverno do que a Estremadura, ao passo que se d? o contr?rio em rela??o ? regi?o alentejana adjacente, onde estas duas esta??es s?o mais rigorosas. Acusa uma queda pluviom?trica anual bastante inferior ? Beira Litoral e tamb?m ? da Estremadura, mas excede de modo sens?vel a altura de chuvas registada no Alto Alentejo durante o mesmo per?odo. ? mais h?mido e acusa menor evapora??o do que as regi?es vizinhas e, finalmente, beneficia, em cada ano, de um n?mero total de horas de sol descoberto superior ao observado em Coimbra e em Lisboa, e que s? ? excedido na regi?o do Alto Alentejo”. (6)


Hidrografia


O distrito de Santar?m ? atravessado longitudinalmente pelo RIO TEJO, que nasce em Espanha na Serra de Albarracim, entra em Portugal nas denominadas Portas de Rod?o, e no distrito de Santar?m, no concelho de Ma??o, na Amieira. Em Abrantes, entra no seu baixo curso, e recebe o seu afluente Z?ZERE mesmo ao lado da vila de Const?ncia. Perto de Azinhaga recebe o ALMONDA (que nasce na Serra de Aire e atravessa o concelho de Torres Novas) e em Vale de Figueira, nas Barreiras da Bica, o ALVIELA (que nasce no concelho de Alcanena, no Polge de Minde, e surge ? superf?cie nos denominados "Olhos de ?gua”). S?o seus afluentes ainda o RIO MAIOR e o SORRAIA (que atravessa os concelhos mais a sul, Coruche e Benavente), e ainda um sem n?mero de RIBEIRAS. (como consta da an?lise pormenorizada dos concelhos). Esta rede hidrogr?fica constitui uma das mais importantes da pen?nsula. Merecem a nossa aten??o duas quest?es relacionadas com este facto:
. O ESTADO DE POLUI??O dos rios, iniciada, sobretudo, h? cerca de 25/30 anos, pela industrializa??o da regi?o, nomeadamente pelas ind?strias de papel, cortumes, t?xteis e as ligadas ? pecu?ria. Carente de um planeamento cuidado do tratamento de esgotos industriais, a regi?o encontra-se de uma forma lastimosa, em situa??o de perigo para o seu ecossistema, especialmente os Rios Almonda e Alviela (sem falar no problema da devasta??o das matas de pinhal - verdadeiro patrim?nio natural da nossa regi?o - pelos fogos, da planta??o desmedida de eucaliptos, com oconsequente empobrecimento da terra em termos de recursos aqu?feros);


A QUESTAO DAS CHEIAS, DO DESASSOREAMENTO DO TEJO e o seu PLANO DE REGULARIZA??O: "Anteriormente ao s?c. XIV todas as preocupa??es referentes ao rio Tejo se concentravam nas suas condi??es de navega??o durante o reinado dos Filipes (...) Estas ac??es baseavam-se na vis?o pol?tica de consolida??o da uni?o entre os pa?ses peninsulares, na exist?ncia de um apreci?vel tr?fego comercial entre Espanha e Portugal, se poss?vel, entre Lisboa e Madrid, atrav?s duma via fluvial muito importante (...). Na d?cada de 1780 surge, pela primeira vez, a necessidade de estudar o Tejo sem ser do ponto de vista exclusivo da navega??o (...). Os trabalhos de Est?v?o Cabral ocupam-se do tra?ado do Tejo, da possibilidade de alvercamento e dos ataques de margens (...)” (7). O "Plano geral das obras que convir? fazer para melhorar o regime o Tejo e e iciar os seus campos adjacentes", estudo publicado em 1883 pelo Minist?rio das Obras P?blicas, marca a data em que o Tejo come?ou a ser estudado especialmente do seu ponto de vista econ?mico e social, n?o s? pela diminui??o do interesse do Rio em termos de navega??o, pela constru??o dos caminhos de ferro, mas tamb?m pelo desenvolvimento econ?mico da regi?o que progressivamente ?a ganhando vulto, especialmente em termos da sua agricultura e do aproveitamento m?ximo desta plan?cie aluvial.


O problema das cheias tem a ver, essencialmente, com as quest?es da regulariza??o do leito do rio Tejo, com a constru??o de diques e barragens, com o planeamento agr?cola. Prejudicam principalmente as regi?es ribeirinhas das zonas a sul de Abrantes, Chamusca, Goleg? (acrescendo aqui o problema da inser??o do Almonda no Tejo), Almeirim, Santar?m e Cartaxo, e ainda Vila Nova da Barquinha, Const?ncia e Alpiar?a. Os diques mais importantes da regi?o s?o: o Dique dos Vinte (ligando a Chamusca ? Goleg?), o de S. Jo?o (na azinhaga), o Dique do Pinheiro, o Dique de El-Rei e o da Boa Vista, o Dique de Valada e o das ?mnias. Um dos elementos mais importantes do esquema hidr?ulico da zona sul ? a Obra de Defesa das Lez?rias grandes, constitu?da por vaiados insubmers?veis, quer do lado do Tejo quer do Sorraia, em Benavente. O Plano de Regulariza??o do rio Tejo, da responsabilidade do Minist?rio das Obras P?blicas est? datado de 1979.
S?o as seguintes as Albufeiras da regi?o: Castelo de Bode, Belver, Pracana, Caldeir?o, Mat?o e Magos, quase todas para produ??o de energia el?ctrica, a primeira tamb?m para abastecimento de ?gua pot?vel e a de Magos exclusivamente para rega e recreio.
Salientamos ainda a exist?ncia de duas importantes RESERVAS NATURAIS: a do PA?L DO BOQUILOBO, na Goleg?, a maior col?nia de gar?as do pa?s e mesmo da pen?nsula, e a do ESTU?RIO DO TEJO, em Benavente, onde s?o acolhidos 75% de toda a popula??o invernante europeia de alfaiate.

(1) CUNHA, Jos? Correia - “Caracteriza??o Geogr?fica da Bacia Hidrogr?fica do Tejo” in Col?quio Sobre o Desenvolvimento da Bacia Hidrogr?fica do Tejo, Junho, ?, Santar?m, 1970, p?g. 2-3-6.
(2) FRAZ?O, Eduardo Mendes - “A Autonomia Regional do Ribatejo Sob o Aspecto Agro-Clim?tico” in Boletim da Junta da Prov?ncia do Ribatejo, ?, ?, p?g. 76-77.
(3) idem, p?g. 78-79.
(4) idem, p?g. 73.
(5) idem, p?g. 69-70.
(6) idem, p?g. 71.
(7) DIREC??O GERAL DOS RECURSOS E APROVEITAMENTOS HIDR?ULICOS - “Plano de Regulariza??o do Rio Tejo”, Minist?rio da Habita??o e Obras P?blicas, Lisboa, 1978, p?g. 3-4.

in DIAGN?STICO S?CIO-CULTURAL DO DISTRITO DE SANTAR?M - ESTUDO 1, Santar?m, 1985, p?g. 42-48.

       
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