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Geografia  
    Breve Introdução
Geografia Física
Geografia Humana
Geografia Económica
Distrito de Santarém - Meio Físico

- Características geo-morfológicas
- Análise Climatológica
- Hidrografia

História e Geografia de Santarém

       
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    Breve Introdução

Ribatejo - Região do centro de Portugal que abrange os terrenos da bacia do Tejo entre Abrantes e o começo do Mar da Palha. Limitado a O e a SO pela Estremadura, a NO pela Beira Litoral, a N e NE pela Beira Baixa, a E e S pelo Alentejo, tem 7.500Km2 de área e uma população de 532.600 h., sendo a sua densidade populacional de 71 h./Km2 (a do país é de 107 h./Km2).

in "Moderna Enciclopédia Universal" - Círculo de Leitores

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Geografia Física

Com forma elíptica, o Ribatejo é cortado a meio pelo rio Tejo no sentido NE-SO. Constituem o seu solo terrenos terciários e quaternários que formam uma bacia de sedimentação. De NO para O tem começo das abas das serras de Aire, Candeeiros e Montejunto.
O relevo é uniforme, predominando as formas baixas e planas, com altitudes inferiores a 200m.
A temperatura média anual oscila pelos 16ºC, sendo a média das máximas de 22,4ºC e das mínimas de 9,9ºC. A precipitação média anual é de 700mm. As águas são drenadas até ao Tejo por vários afluentes como o Zêzere, o Alviela, o Asseca e o Alenquer, na margem direita, e o Alpiarça, o Muge e o Sorraia, na margem esquerda.

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Geografia Humana

O Ribatejo abrange 17 dos 21 concelhos de Santarém (os outros 4 pertencem à Beira), num total de 388.000 habitantes (dados de 1981) e 3 dos 14 concelhos de Lisboa, num total de 143.000 habitantes (dados de 1981).
A população ribatejana, de 464.700 habitantes em 1970, passou a 532.600 habitantes, em 1981. Além das cidades de Santarém, Tomar, Torres Novas e Vila Franca de Xira, os principais núcleos populacionais, com população superior a 15.000 habiitantes, são Alverca, Coruche e Via Longa.(...)
O povoamento é mais denso na margem direita no que na margem esquerda do Tejo.

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Geografia Económica

Região de excelentes aptidões agrícolas, pratica-se a NO uma agricultura intensiva e variada, ficando a SO a exploração extensiva, onde os vários campos alternam com os sobreiros. Os campos ribeirinhos, alagados no Inverno, devido às cheias, produzem trigo, milho, arroz, tomate, vinho e produtos hortícolas; as suas pradarias alimentam touros e cavalos. Nas outras áreas, ainda húmidas, cultivam-se o milho e produtos hortícolas e nas mais secas, trigo, vinho e oliveiras. As suas principais indústrias são as alimentares, de cimentos, de produtos químicos, de montagem de automóveis, de metalurgia, de curtumes e de madeiras.

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Distrito de Santarém - Meio Físico


Composto pelos concelhos de
ABRANTES, ALCANENA, ALMEIRIM, ALPIARÇA, BENAVENTE, CARTAXO, CHAMUSCA, CONSTÂNCIA, CORUCHE, ENTRONCAMENTO, FERREIRA DO ZÊZERE, GOLEGÃ, MAÇÃO, RIO MAIOR, SALVATERRA DE MAGOS, SANTARÉM, SARDOAL, TOMAR, TORRES NOVAS, VILA NOVA DA BARQUINHA e VILA NOVA DE OURÉM, o distrito de Santarém é limitado a NORTE pelos distritos de Leiria e Castelo Branco, a SUL pelos de Lísboa, Setúbal e Évora, e tem uma área total de 6 634, 53 Km2(cerca de 7,5% do continente).

O Distrito de Santarém abrange a maior parte dos concelhos da região natural denominada RIBATEJO (lembremos que à província do Ribatejo pertencem concelhos como por exemplo Alenquer, Alcochete, Azambuja, Vila Franca de Xira, Barreiro, e outros) e ainda outros pertencentes à BEIRA e à ESTREMADURA. Ribatejo seria assim toda a região banhada pelo Tejo no seu curso ínferior.

Localizado no centro do país, “encravado" entre a cordilheira central e as longas planícies alentejanas, e atravessado a meio, longitudinalmente, pelo rio mais importante da Península (com a sua Importante bacia hidrográfica), o TEJO, o distrito de Santarém está considerado na área geográfica com maiores potencialidades agro-pecuárias do país e numa das melhores planícies aluviais da Europa.


Características geo-morfológicas
"Ao findar a Era Primária, processaram-se durante o Antrocolítico, na Península Ibérica como em toda a Europa, importantes movimentos orogénicos ( ... )que enrugaram e alteraram profundamente os materiais originados na primeira parte do Paleozóico, no Pré-Câmbrico. Estas formações, constituídas por Rochas Sedimentares, eruptivas e metamórfícas, dada a fase de estabilidade que atravessaram durante milhões de anos, ficaram sujeitas a uma acção erosiva, prolongada, que necessariamente conduziu a um importante nivelamento. Entretanto, na periferia deste núcleo central designado Meseta Ibérica ou
Maciço Respérico, o mar do Secundário e do Terciário, por intermédio de oscilações rítmicas foi depositando materiais, ora finos, ora mais grosseiros (...). Estas formaçõespost-paleozóicas de origem marinha constituem hoje as orlas meso-cenozoicas da Penímula e as depressbes periféricas (do Tejo e Sado, ibérica e bética). (...).
Neste último Período os movimentos orogénicos alpídicos, inicíados no fim do Mezozóico, atingiram uma fase de importâncía fundamental para a actual morfologia da Meseta. Provocaram-lhe um abaulamento da sua parte central (prefigurando assim a actual Cordilheira Central a separar as depressões castelhanas) e importantes fracturas com os consequentes desnivelamentos dos blocos. Nas áreas deprimidas e sem escoamento para o mar, processa-se em seguida a deposição de materiais detríticos de origem continental e lacustre, mais grosseiros (conglomerados e arenitos) junto das escarpas, mais finos (argilas) na parte mais central das depressões. Sobre estas camadas (...) depositam-se calcáreos e margas. Ficaram assim, ao findar o Miocénico, formados os rebordos montanhosos da Meseta e prefiguradas as duas unidades morfológicas mais importantes: Cordilheira Central e depressões castelhanas (...). No início do Quaternário o clima evolui no sentido de uma maior humidade, a rede hidrográfica organiza-se e, a favor de uma relativa estabilidade tectónica, processam-se novos ciclos de erosão. (...) Nos períodos mais quentes, o degelo provoca a elevação do nível do mar e os rios depositam materiais que depois irão de novo ser escavados, deixando como testemunhos, em posição elevada em relação ao curso actual, amplos depósitos de material rolado. Estas formações de terraços constituem as marcas mais importantes da evolução geológica do Antropozóico (... )(1)

O distrito de Santarém divide-se, quanto ao aspecto geo-morfológico, em três zonas distintas:

l - O Ribatejo-Norte / o "
Bairro" - terras "argilo-arenosas ou argilo-calcáreas, férteis e de boas qualidades físicas, entremeadas com arenatas pobres e de fraca aptidão cultural( ... ). São medianamente acidentadas, onduladas, e correspondem geologicamente às formações terciárias da margem direita do Tejo, especialmente o Miocénio Lacustre, coberto num ou noutro ponto por depósitos lenticulares de areias pliocénicas ou terraços quaternários ainda imperfeitamente reconhecidos. Constituem uma sub-região perfeitamente delimitada, a Sul e a Este pela planície aluvionar do Tejo, a Norte e a Oeste por terrenos mais elevados e acidentados das formaçõs mesozóicas da Serra do Montejunto e do Maciço de Porto de Mós desde Vila Franca, Rio Maior, Torres Novas até um pouco além de Tomar( ... ) Agrologicamente, estas terras são caracterizadas por uma constituição física variável de argilo-arenosa a areno-argilosa, com manchas frequentemente argilo-calcáreas (...) "(2). Tem aptidões para as culturas arbustivas e arborícolas, especialmente a oliveira e a vinha.

2 - O Ribatejo sul / a "
Charneca" - zona de montado, de solo predominantemente arenoso formado por areias miocénicas e pliocénicas "situada para além da margem esquerda do Tejo (...) há que considerar geologicamente duas formações distintas, embora litologicamente bastante semelhantes. São elas, o Miocénico-lacustre, natural prolongamento da mancha dos "Bairros" da margem direita, que constitui, na parte mais setentrional, uma vasta planície ondulada, para o Norte de Almeirim, Coruche, Mora e Pavia e estendendo-se nesta direcção e para leste um pouco para além de Ponte de Sor e Alvega, até findar no Tejo; e o Pliocénico, numa grande planície arenosa, cortada pelo curso inferior do Sorraia e do Almansor ( ... ). No conjunto, os depósitos terciários da margem esquerda do Tejo dão origem a solos arenosos ou areno-argilosos muito pobres e quase exclusivamente revestidos, para o interior e para o sul, de montados de sôbro e azinho, ou matos em regime pastoril. É certo que nas zonas mais próximas do Vale do Tejo e dentro dos concelhos da Chamusca, Alpiarça e Almeirim, as terras miocénicas se apresentam por vezes mais encorpadas, argilo-arenosas e medianamente férteis, ainda na sua maior parte revestidas com sobreiros, mas também permitindo a cultura da oliveira associada à vinha e aos cereais. Outra excepção é a que resultou do desbravamento de grandes extensões de charnecas arenosas nos termos de Salvaterra de Magos, Muge, Marinhais, Coruche, etc, levada a efeito, desde a última metade do século passado, pelos núcleos populacio nais da Beira Litoral que ali se fixaram, em consequência do aforamento dos baldios municipais. A sucessiva incorporação de estrumes ao solo e a existência de água a pequena profundidade (...) permitiram (...) que terras pobríssimas se tornassem fecundas e hoje se apresentem em grande parte revestidas de vinha ou produzindo quantidades apreciáveis de milho, trigo, centeio e legumes. São os chamados "foros" e alargam-se nas imediações de Salvaterra de Magos, Marinhais, Coruche, etc (...). Também as faixas pliocénicas que correm ao longo dos aluviões do Tejo e dos seus afluentes se apresentam com um importante revestimento florestal em que abundam o pinheiro bravo e o eucalipto (...)."(3)


3 - A Lezíria / "
Campo" ou "Terras da Borda d'Agua” - “na planície marginal do Rio e do curso inferior dos seus afluentes (...) os solos são de aluviões modernos, inteiramente constituídos à custa de materiais detríticos minerais e orgânicos, transportados pelas águas fluviais, desde os saibros e areias grosseiras às partículas finíssimas de argila e nateiro. Assentam, a uma profundidade variável mas sempre superior à espessura normal da camada de desenvolvimento radicular, sobre leitos de calhaus rolados, alternando com estratos de saibros mais ou menos grosseiros, camadas de areia e leitos de argila. (...) ... mais uma vez se verifica que a água, agente directo, imediato e insubstituível da produtividade das terras, desempenhou e ainda desmpenha outro papel não menos importante, desagregando as rochas, transportando os seus detritos, reduzindo-os, pulverizando-os e depositando-os por fim em extensas várzeas, num estado de extraordinária divisão, constituindo argilas e nateiros finíssimos, imensamente ricos e férteis. (,..)".(4) Estes terrenos abrangem sobretudo os concelhos de Golegã (por inteiro), parte da Chamusca, Alpiarça, Almeirim, Salvaterra de Magos e Benavente, e as suas principais culturas são a vinha, o arroz, o milho, o trigo, os pomares e as produções hortículas.

Análise Climatológica

Temperatura do ar

MESES

JAN

FEV

MAR

ABR

MAI

JUN

JUL

AGO

SET

OUT

NOV

DEZ

ANO

Temperaturas

Temp.Máx.Abs.

20,5

25,0

29,4

33,0

37,2

41,0

45,3

42,4

42,0

36,0

30,0

28,4

45,3

Temp.Mín.Abs.

-3,5

-4,5

-1,0

1,5

4,3

5,4

9,9

9,5

7,5

3,0

0,2

-3,0

-4,5

Temp.Méd.Diá.

9,9

10,8

13,2

15,3

11,7

20,9

23,1

23,3

21,6

18,2

13,4

10,2

16,5

Temp.Méd.Máx.Diá.

14,4

15,8

18,4

21,2

24,1

27,9

30,9

31,1

28,7

24,1

18,1

14,7

22,5

Temp.Méd.Mín.Diá.

5,5

5,9

8,0

9,3

11,3

13,9

15,3

15,5

14,6

12,3

8,7

5,8

10,5

Quadro 1
Fonte: CMA - Delegação de Alpiarça do Ministério da Agricultura

Para a análise do clima do distrito, utilizaremos os valores colhidos na Estação Meteorológica da Escola Agrícola de Santarém (referentes ao período de 1941 a 70), uma vez que seria bastante difícil coordenar os dados de diferentes postos, e tanto mais que, à excepção de uma ou outra zona de micro-clima, toda a região possui uma unidade climática própria.
"De relevo pouco acentuado e em muitas partes nulo, abrigado por Oeste, em toda a sua extensão, pelas Serras de Aire, Candeeiros, Montejunto e Sintra, que constituem como que o extremo ocidental, em terra portuguesa, da Cordilheira Luso -Castelhana e resultando na sua totalidade de um preenchimento por terrenos terciários lacustres e quaternários de uma vasta e arredondada bacia de fraca ondulação, pode considerar-se o Ribatejo uma unidade climática regional, relativamente uniforme, dentro das múltiplas variantes que sob este aspecto o País reveste. (...) Assim a muralha de abrigo constituída pela cordilheira de serranias (...) que se opõe aos ventos de Oeste, e a baixa cota das terras ribatejanas, deverão necesswiamente contribuir para que a queda pluviométrica nesta região tenha um valor apreciávelmente mais baixo do que teria normalmente a esta latitude e nas condições de relativa proximidade do oceano em que se encontra. Esse valor não é, porém, tão baixo como seria se o Vale do Tejo não fosse amplamente aberto à penetração dos ventos marítimos do sudoeste, ventos chuvosos por excelência, nas nossas condições geográficas.( ... ) Sob o ponto de vista higrométrico, é fácil de reconhecer que toda a sub-região ribeirinha, "Borda de Água”, pela constante evaporação que se dá à superfície das águas dos rios e dos seus afluentes, beneficia de um grau de humidade relatíva bastante elevado, em especial no Verão, circunstância que muito contribue para que nestas terras as culturas de sequeiro tenham uma apreciável resistência à secura, apesar dos calores ardentes que aqui se verificam. Atinge valores sensivelmente mais baixos o estado higrométrico da atmosfera nas terras de "Bairros" e de "Charneca", e esse facto traduz-se, no período de estiagem, em consequências por vezes desastrosas para as culturas. (5)

Do quadro I poderemos inferir que a temperatura média do ar é de 16,5 ºC.
Os meses mais quentes são Julho, Agosto e Setembro, com temperaturas absolutas diá rias que chegam a atíngir os 45ºC. Nestes meses, as máximas e mínimas médias díárias são da ordem dos 31º e 15,5º respectivamente. Os meses mais frios são Dezembro, Janeiro e Fevereiro, com temperaturas médias diárias de cerca de 10,0 ºC, chegando a atingir os 3 graus negativos (em valores absolutos mínimos), embora esporadicamente. As variações anuais e diárias (amplitudes térmicas) não são, em geral, muito elevadas: 10º /23ºC.
Os meses de maior precipitação são de Novembro a Março, com uma precipitação média de cerca de 66% do anual. Os meses mais secos são Julho e Agosto. Os valores de humidade são relativamente elevados; com uma média anual de 78% às 9h e 66% às l8h, com máximos em Dezembro, Janeiro e Fevereiro e mínimos de Julho a Setembro. O número médio de dias de nevoeiro é de 20,3, com maior frequência de Outubro a Março. O número de dias de insolação é elevado, com maior percentagem de Maio a Setembro e menor de Novembro a Março.
Os ventos dominantes são os de NOROESTE. De Inverno dominam os ventos de sudoeste e de sudeste.
Temos, assim, esta região caracterizada do ponto de vista climático, como sendo TEMPERADA HÚMIDA, exceptuando-se, principalmente, os concelhos de confluência com o Alentejo, mais secos e quentes, e os do norte do dístrito, mais húmidos: "Verifica-se que o Ribatejo tem em todas as estações uma temperatura mais elevada do que a Beira Litoral; é mais quente de verão e mais frio de inverno do que a Estremadura, ao passo que se dá o contrário em relação à região alentejana adjacente, onde estas duas estações são mais rigorosas. Acusa uma queda pluviométrica anual bastante inferior à Beira Litoral e também à da Estremadura, mas excede de modo sensível a altura de chuvas registada no Alto Alentejo durante o mesmo período. É mais húmido e acusa menor evaporação do que as regiões vizinhas e, finalmente, beneficia, em cada ano, de um número total de horas de sol descoberto superior ao observado em Coimbra e em Lisboa, e que só é excedido na região do Alto Alentejo”. (6)


Hidrografia


O distrito de Santarém é atravessado longitudinalmente pelo RIO TEJO, que nasce em Espanha na Serra de Albarracim, entra em Portugal nas denominadas Portas de Rodão, e no distrito de Santarém, no concelho de Mação, na Amieira. Em Abrantes, entra no seu baixo curso, e recebe o seu afluente ZÊZERE mesmo ao lado da vila de Constância. Perto de Azinhaga recebe o ALMONDA (que nasce na Serra de Aire e atravessa o concelho de Torres Novas) e em Vale de Figueira, nas Barreiras da Bica, o ALVIELA (que nasce no concelho de Alcanena, no Polge de Minde, e surge à superfície nos denominados "Olhos de Água”). São seus afluentes ainda o RIO MAIOR e o SORRAIA (que atravessa os concelhos mais a sul, Coruche e Benavente), e ainda um sem número de RIBEIRAS. (como consta da análise pormenorizada dos concelhos). Esta rede hidrográfica constitui uma das mais importantes da península. Merecem a nossa atenção duas questões relacionadas com este facto:
. O ESTADO DE POLUIÇÃO dos rios, iniciada, sobretudo, há cerca de 25/30 anos, pela industrialização da região, nomeadamente pelas indústrias de papel, cortumes, têxteis e as ligadas à pecuária. Carente de um planeamento cuidado do tratamento de esgotos industriais, a região encontra-se de uma forma lastimosa, em situação de perigo para o seu ecossistema, especialmente os Rios Almonda e Alviela (sem falar no problema da devastação das matas de pinhal - verdadeiro património natural da nossa região - pelos fogos, da plantação desmedida de eucaliptos, com oconsequente empobrecimento da terra em termos de recursos aquíferos);


A QUESTAO DAS CHEIAS, DO DESASSOREAMENTO DO TEJO e o seu PLANO DE REGULARIZAÇÃO: "Anteriormente ao séc. XIV todas as preocupações referentes ao rio Tejo se concentravam nas suas condições de navegação durante o reinado dos Filipes (...) Estas acções baseavam-se na visão política de consolidação da união entre os países peninsulares, na existência de um apreciável tráfego comercial entre Espanha e Portugal, se possível, entre Lisboa e Madrid, através duma via fluvial muito importante (...). Na década de 1780 surge, pela primeira vez, a necessidade de estudar o Tejo sem ser do ponto de vista exclusivo da navegação (...). Os trabalhos de Estêvão Cabral ocupam-se do traçado do Tejo, da possibilidade de alvercamento e dos ataques de margens (...)” (7). O "Plano geral das obras que convirá fazer para melhorar o regime o Tejo e e iciar os seus campos adjacentes", estudo publicado em 1883 pelo Ministério das Obras Públicas, marca a data em que o Tejo começou a ser estudado especialmente do seu ponto de vista económico e social, não só pela diminuição do interesse do Rio em termos de navegação, pela construção dos caminhos de ferro, mas também pelo desenvolvimento económico da região que progressivamente ía ganhando vulto, especialmente em termos da sua agricultura e do aproveitamento máximo desta planície aluvial.


O problema das cheias tem a ver, essencialmente, com as questões da regularização do leito do rio Tejo, com a construção de diques e barragens, com o planeamento agrícola. Prejudicam principalmente as regiões ribeirinhas das zonas a sul de Abrantes, Chamusca, Golegã (acrescendo aqui o problema da inserção do Almonda no Tejo), Almeirim, Santarém e Cartaxo, e ainda Vila Nova da Barquinha, Constância e Alpiarça. Os diques mais importantes da região são: o Dique dos Vinte (ligando a Chamusca à Golegã), o de S. João (na azinhaga), o Dique do Pinheiro, o Dique de El-Rei e o da Boa Vista, o Dique de Valada e o das Ómnias. Um dos elementos mais importantes do esquema hidráulico da zona sul é a Obra de Defesa das Lezírias grandes, constituída por vaiados insubmersíveis, quer do lado do Tejo quer do Sorraia, em Benavente. O Plano de Regularização do rio Tejo, da responsabilidade do Ministério das Obras Públicas está datado de 1979.
São as seguintes as Albufeiras da região: Castelo de Bode, Belver, Pracana, Caldeirão, Matão e Magos, quase todas para produção de energia eléctrica, a primeira também para abastecimento de água potável e a de Magos exclusivamente para rega e recreio.
Salientamos ainda a existência de duas importantes RESERVAS NATURAIS: a do PAÚL DO BOQUILOBO, na Golegã, a maior colónia de garças do país e mesmo da península, e a do ESTUÁRIO DO TEJO, em Benavente, onde são acolhidos 75% de toda a população invernante europeia de alfaiate.

(1) CUNHA, José Correia - “Caracterização Geográfica da Bacia Hidrográfica do Tejo” in Colóquio Sobre o Desenvolvimento da Bacia Hidrográfica do Tejo, Junho, ?, Santarém, 1970, pág. 2-3-6.
(2) FRAZÃO, Eduardo Mendes - “A Autonomia Regional do Ribatejo Sob o Aspecto Agro-Climático” in Boletim da Junta da Província do Ribatejo, ?, ?, pág. 76-77.
(3) idem, pág. 78-79.
(4) idem, pág. 73.
(5) idem, pág. 69-70.
(6) idem, pág. 71.
(7) DIRECÇÃO GERAL DOS RECURSOS E APROVEITAMENTOS HIDRÁULICOS - “Plano de Regularização do Rio Tejo”, Ministério da Habitação e Obras Públicas, Lisboa, 1978, pág. 3-4.

in DIAGNÓSTICO SÓCIO-CULTURAL DO DISTRITO DE SANTARÈM - ESTUDO 1, Santarém, 1985, pág. 42-48.

       
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