HOME

ConcelhosEconomiaCulturaAmbiente
Institui??esRibatejanosNovo

Lendas e Hist?rias Aqui poder? encontrar lendas e hist?rias que atravessaram os s?culos e que prendem ainda o imagin?rio popular.
A sua colabora??o ? indispens?vel:
conte-nos "aquela hist?ria" que toda a gente da sua terra conhece.
   
     

 

 
  Santar?m

O Cristo da Pastorinha

Rosalina Melro

Narrativas envolventes e muito interessantes, como as est?rias de amor e morte da jovem e bela Xerezade que da imaginap?o e da arte de narrar soube fazer arma de defesa, encantando o rei que a queria matar com o desfiar fantasioso, l?dico e l?rico das Mil e uma Noites, obra recentemente reeditada na vers?o portuguesa concebida para "Temas e Debates" cuja leitura me d? prazer e me sugeriu a ideia de fazer desfilar, pouco a pouco, na sp?ginas da Alma Nova, as mil uma lendas da nossa cultura tradicional.

As lendas surgem no panorama cultural da humanidade na sua imensa e profunda riqueza de tradi??es narrativas geradas por um fundo comum de elementos subjectivos de car?cter m?tico e mistico. A sua fun??o pedag?gico moralizadora acontecia naturalmente como uma qualquer fun??o vital do ser humano. Contar sob a forma de rimance, de conto popular, de epopeia cavalheiresca, de mito religioso (do paganismo ou do cristianismo) e, at?, atrav?s de dramatiza??es de costumes, foi desde que ? poss?vel fazer mem?ria da vida do homem, uma pr?tica da comunica??o narrativa nas comunidades humanas.

As lendas est?o entre essas formas da tradi??o narrativa. Muitas mergulham as suas ra?zes no polite?smo gent?lico ou nas heresias da Alta Idade M?dia. Narrativas l?gicas e sentimentais que se difundiram e se ramificaram, porque colhiam o agrado do povo, um lenitivo para as paix?es da alma, um est?mulo para a criatividade popular, uma via de aproxima??o, por semelhan?a, do Homem aos seus Deuses.

E, porque na sua origem, as lendas se tornaram uma forma espont?nea, natural e necess?ria ao Homem na sua exist?ncia comunit?ria, a escrita iria fix?-las para que pudessem ser lidas e se repetissem de gera??o em gera??o. As lendas eram tradi??es narrativas orais que, desde muito cedo, come?aram a ser passadas a escrito para serem lidas em cerim?nias colectivas, porque a sua forma narrativa era bem recebida pelo povo. Podem ser dados como exemplos as narrativas lend?rias dos Evangelhos Ap?crifos.

O pr?prio nome legenda ou lendatem na sua interpreta??o sem?ntica a marca dessa forma escrita. A legenda - o que era escrito para ser lido - guardava vest?gios m?ticos, hist?ricos, m?sticos, aned?ticos ou novelescos. Os mesmos motivos re?nem-se em isotopias tem?ticas: o universo, a natureza, a religi?o, as lutas her?icas, as quest?es pragm?ticas, as for?as espirituais, os sentimentos, os medos, as cren?as, os mitos antag?nicos da vida e da morte, do amor e do ?dio, tudo, enfim, tem sido fixado pelas lendas tradicionais que se assemelham, mas nunca se repetem ipsis verbis de uma na??o para outra, de uma regi?o para outra.

Para come?ar esta s?rie de artigos que, sem pretenderem provar nada, procuram linhas de reflex?o sobre rela??es existentes entre formas de literatura, ditas populares, e outras formas liter?rias assumidamente eruditas, escolhemos uma lenda que pode ter tido a sua origem num objecto de Arte. Se assim for, podemos dizer que ? uma lenda palaciana que, posteriormente, passou ao dom?nio popular. Trata-se da conhecida "Lenda da Pastorinha" ou "Lenda do Cristo de Montiraz" que reza assim:

"No reinado de D. Afonso III, o Bolonh?s, havia em Montiraz uma bela pastorinha que costumava guardar o seu rebanho nos olivais que rodeavam o convento dos frades pregadores. A formosinha tinha muita devo??o pelo Cristo crucificado que a olhava piedoso l? do alto da capela-mor onde o trade capel?o falava de amor e de justi?a. Um garboso e jovem fidalgo da corte do Bolonh?s tinha por costume passear a cavalo nas cercanias do convento. Viu a jovem pastora e pasmou de tanta formosura e t?o donairoso porte. O fogo do desojo e da paix?o incendiou-lhe o cora??o. Todos os dias passava e sempre saudava a pastorinha que, t?mida, Ihe acenava e, logo, baixava os olhos. Com boas maneiras e mansas palavras, aproximou-se da rapariga e falou, como s? ele sabia, da beleza da paisagem e da solid?o daquele lugar. Quando chovia, recolhiam-se os dois na capelinha. Diante do Cristo crucificado, o fidalgo jurou amor ? pobre pastora. Passaram os meses, o ventre da jovem revelava ao povo o segredo daquele amor. Ent?o, ela pediu ao fidalgo que cumprisse a sua palavra. Ele recusou a sua culpa e deixou de aparecer em Montiraz.

Num Domingo, havia missa e prega??o na capela dos frades e toda a Corte veio assistir. Ap?s a Comunh?o, a pastora, diante de todos pediu ao Senhor Cristo quedesse um sinal, que mostrasse quem era o pai do filho que ela trazia no ventre. E, perante o assombro de toda a gente, o bra?o direito do Cristo soltou-se da cruz e apontou o sedutor que logo pediu perd?o e, ali mesmo, foram casados com a ben??o do padre capel?o."

-O Cristo de Montiraz, segundo alguns eruditos, foi o motivo desta lenda palaciana, origin?ria de Todelo, onde existe uma narrativa semelhante em torno do "Cristo de La Veja'', ali?s, imagem e lenda que se multiplicam em v?rios pueblos" da vizinha Espanha. Lenda de tem?tica m?stica que refor?a a cren?a na interven??o divina a favor dos fracos e dos oprimidos. A imagem que agora se encontra na igreja paroquial de Santa Iria, na Ribeira, ? de grande valor art?stico. Apresenta o bra?o direito pendido da cruz e a modela??o do dorso, onde ? nitida a divis?o da linha que contorna as costelas, acentua a antiguidade do trabalho escult?rico. Outros elementos, como o alongado das m?os, a falta da coroa de espinhos e os panos alongados do saio, levam os especialistas e colocar a feitura da pe?a no s?culo XIII, antes dos Cristos de Almoster e do Museu Machado de Castro.

Segundo outras vers?es, o milagre aconteceu no tempo de D. Afonso IlI, em 1265, ano da morte de S. Frei Gil de Santar?m. ?poca f?rtil em acontecirnentos maravilhosos. N?o faltam autores que colocam o Milagre Eucar?stico de Santo Estev?o nessa mesma ?poca, no ano de 1266. Nesta corrente de opini?o, ter? sido o facto milagroso da Pastorinha que deu origem ? encomenda da imagem art?stica do Cristo de Montiraz.

No s?culo XVII, os historiadores de Santar?m d?o grande desenvolvimento ? narrativa milagrosa, registada tanto pelo Padre In?cio da Piedade e Vasconcelos como pelo Padre Luis Montez Mattoso.

Tamb?m nas academias e tert?lias do s?culo XVIII, o tema foi glosado, a julgar pelo grosso volume de produ??es po?ticas, umas mais conseguidas do que outras, inspiradas na hist?ria da Pastorinha de Montiraz. Dessas poesias, q ue se encontram nos manuscritos de arquivos bibliotec?rios, transcrevemos um soneto da autoria de Gaspar da Fonseca, Abade de Tomar:

Fiada em hum c?rinho lisongeiro
Bella pastora, quanto bella isenta,
Hum quanto falso amor intenta
Por for?a acreditar de verdadeyro.

Com simples f?, mas cora??o inteiro,
Como quem n?o conhece por attenta
Mais vulgo que o rebenho que apascenta,
Testemunha fazer quer de um cordeyro.

De hum cordeyro que aos olhos se Ihe expunha
Sobre uma cruz, ? quanto assombro abra?o!
Se he cauza em que o Juiz foi testemunha.

Do fiel cravo deixando o doce la?o
Que bem para a justi?a se dispunha,
Pois, na vera Cruz, se move o bra?o!

A Lenda da Pastorinha apresenta-nos, portanto, o processo h?brido de erudito-popular ou de popular-erudito que encontramos na maior parte das nossas narrativas lend?rias.

In "Suplemento Cultural de O Mirante" de 23/4/97

Santa Iria, a mais amada

Rosalina Melro

A Cristianiza??o dos povos b?rbaros da Pen?nsula Hisp?nica come?ou logo nos primeiros s?culos da nossa era. A alta ldade M?dia ? um per?odo riqu?ssimo de testemunhos paleocrist?os. Muitas das narrativas lend?rias crist?s referem figuras e factos desse per?odo de grande pureza m?stica e exaltado fervor religioso.

O pitoresco e popular bairro da Ribeira atrai a aten??o dos locais e dos forasteiros para o sentido religioso e tradicional das suas festividades. Agosto abre o ciclo da sua for?a an?mica com o C?rio e o Arraial da Senhora da Sa?de. Trajados a rigor, em breque puxado por uma luzida parelha, os festeiros partem da Igreja paroquial de Santa Iria em romagem ? Capela da Quinta da Sa?de. Lugar que outrora foi Convento Franciscano e hoje ? uma bem cuidada resid?ncia particular.

Preservar o patrim?nio cultural ? tamb?m manter vivas as festas tradicionais de cada comunidade, de cada aldeia rural, de cada bairro urbano. A Ribeira, o hist?rico e pitoresco arrabalde de Santar?m, terra e gente de caracter?sticas muito peculiares, ? uma freguesia que em si pr?pria se orgulha de aliar o rural e o urbano ao seu Tejo.

A Ribeira esforcou-se sempre, atrav?s dos tempos, por celebrar a sua padroeira, a lend?ria Santa Iria. E tamb?m conserva bem vivo o arraial dos arrieiros em louvor de N? S? da Sa?de. Aproxima-se mais uma grande Festa de Santa Iria em Honra de N? S? da Sa?de. Em homenagem aos homens e mulheres que mant?m astradi??es da Ribeira, vamos evocar, nesta s?rie de lendas ribatejanas, a conhecida Lenda de Santa lria.

No ano de 637, o m?s de Agosto fora excepcional quente. Num fim de tarde, os rubores do sol pareciam tingir de sangue a ?gua do rio Tejo. A serene e formosa enseada do Pego aparecia como um luminoso lago sangu?neo.

Vindo das bandas de Nab?ncia, (actual Tomar), um romeiro ajoelhou-se ? beira do rio, em frente ao lugar onde, sete anos atr?s, fora achado um maravilhoso t?mulo de alabastro r?seo, boiando qual ba? de corti?a. Nesse t?mulo, parecendo adormecida, a doce Iria aguardava a chegada de seu tio, o santo abade C?lio. O bondoso C?lio aproximava - se acompanhado de uma multid?o de crist?os. Em sonhos, ele tivera a revela??o de todo o mart?rio de Iria, a mais amada das virgens.

Nesse sonho, ele vira Iria a donzela, bordando nos claustros do mosteiro das Donas de Nab?ncia. Ajoelhado junto de Iria, estava o jovem Britaldo que, muito apaixonado, implorava a Iria que o aceitasse por esposo. Apressou-se a bela Iria a explicar que era imposs?vel, pois fizera voto de castidade. Entregara a Cristo a sua vida. Triste, triste de morrer, Britaldo regressou ao seu castelo. Logo, adoeceu gravemente.

Na vida mon?stica, Iria rezava e trabalhava. Por inspira??o de Deus pede ? sua abadessa e vai falar ao moribundo Britaldo. Com do?ura e firmeza convence-o de sua raz?o e diz-lhe que tenha f?. Britaldo confia em Iria e retoma as suas actividades como castel?o nabantino. Ao ver esta cena, em sonhos, o abade C?lio louvou a Deus. Por?m, a revela??o seguinte foi muito cruel para o seu cora??o de homem santo. Ele assistiu ao ass?dio despudorado que o monge Rem?gio, professor de lria, faz ? donzela. Ela recusa-o energicamente. O malvado Rem?gio, com suas malas-artes d ealquimia, prepara um p? que mistura na comida da sua aluna. Ent?o, o ventre da jovem cresceu como se estivesse gr?vida. Muitos a acusam. Ela proclama a sua inoc?ncia. Mas a cal?nia chega aos ouvidos de Britaldo. Louco de raiva, a sua paix?o transfommada em ?dio, Britaldo ordena ao seu criado Ban?o que v? matar Iria. Ban?o crescera junto de Iria, amava-a como a uma irm?.

Iria a mais amada, Iria t?o desgra?ada! Sem coragem para desobedecer a seu amo, Ban?o duvida da honradez de Iria. Ao alvorecer, surpreendeu-a, quando, pela margem do Nab?o, ela rezava e caminhava em direc??o ? capela da Imaculada Concei??o aonde ia meditar. E tantas eram as suas preocupac?es que nem sentiu os passos do malvado que de um s? golpe a trespassou. Depois, tomado de remorso e de espanto quis fazer desaparecer o corpo casto de Iria, fazendo-o mergulhar nas ?guas do Nab?o.

Tudo isto, o abade C?lio contemplou no seu sonho. E mais Ihe foi dado ver. Os anjos depositaram Iria num t?mulo r?seo e milagroso. Era de pedra mas vogava sobre as ?guas dos rios como se fosse o ber?o do lend?rio ?bidis. Os anjos acompanharam-na na descida dos rios at? que para num pego doTejo, em frente do lugar de Seserigo, onde se levantava um grande penedo.

Ap?s esta revela??o, o abade fez divulgar o milagre e veio de Nab?ncia a primeira romagem a Santa Iria. Era vontade de C?lio levar Iria para o seu mosteiro. Queria glorific?-la e pedir perd?o pelos mart?rios que a virgem sofrera. Talvez, por castigo divino, ningu?m conseguiu tirar a bela Iria do seu sepulcro. Apenas o abade recolheu uma madeixa de loiros cabelos e alguns peda?os do seu vestido. Reliquias que foram guardadas atrav?s dos s?culos na Igreja que, em Tomar, tem por patrono Santa Iria.

Mas quem era o romeiro que se ajoelhava, sete anos ap?s a morte de Iria, no seu lugar sagrado?

Acredita a gente simples que era o seu matador. Falam dele os "rimances" do Cancioneiro Popular Portugu?s. Almeida Garrett recolheu algumas variantes. Narrativas po?ticas do povo que ama e canta os seus amores. " Chamavam-me lria, lria afidalga./ /Por aqui agora, Iria a coitada./ /Andando, andando, toda a noite andava,/ /L? por madrugada que me atentava.../ / Tirou do alfange, ali me matava;/ /Abriu uma cova onde me enterrava./ / No fim de sete anos passa o cavaleiro,/ /Uma linda ermida viu naquele outeiro.// Que ermida ? aquela de tanto romeiro?// ? de Santa Iria, que sofreu marteiro.// -Minha Santa lria, meu amor primeiro,// Se me perdoares, serei teu romeiro.// - Perdoar n?o te hei-de, ladr?o carniceiro,// Que me degolaste que nem um cordeiro."

A desaparecida Capela de Santa Iria, ter? sido edificada sobre um penedo, no lugar onde o assassino de Iria ter? aparecido a rogar o seu perd?o. Em 1886, Pinho Leal, no seu Portugal Antigo e Moderno, ainda refere a exist?ncia de Santa Iria, a pequena (o povo designava deste modo a capelinha primitiva, para a distinguir da Igreja Matriz, ainda hoje chamada pelos mais velhos, Santa Iria, a grande).

Situava-a junto ? Capela de Nossa Senhora das Neves, edif?cio do S?culo XVII, que ainda mant?m a sua tra?a, embora seja actualmente depend?ncia de uma casa particular.

Parece-nos interessante esta vers?o da Lenda de Santa Iria, pois parte da narrativa ? localizada num ponto concreto da Ribeira. Lugar de evoca??es milenares. Nele ressoa o nome de Santa Iria ou Santa Irene. Nome tantas vezes proferido. Nome t?o enraizado no cora??o e na f? do povo que com ele passo a denominar a pr?pria cidade que de Scallabis passou a Chantirene, e em breve, a Santar?m.

in Jornal O Mirante - 16/7/97

A Lenda de Abidis

Rosalina Melro

Outrora existia junto do rio Tejo um reino verdejante e florido. Nas suas florestas havia muitos animais. Os habitantes eram lavradores e ca?adores que amavam a Natureza.

O rei Gorgoris recebeu dos deuses o segredo de fazer o mel. Foi Gorgoris quem ensinou esse segredo ?s abelhas. Por isso era conhecido no seu reino e at? em pa?ses long?nquos pela alcunha de Mel?cola.

Gorgoris tinha uma filha ?nica, a bela princesa Capipso que adorava passear nas areias doiradas das praias do Tejo.

Certo dia, chegou ao cais de Mel?cola o navio do grego Ulisses que vinha abastecer-se de comida e ?gua e, tamb?m, comprar o famoso mel daquela regi?o.

O her?i grego desembarcou para falar com o rei, mas encontrou Calipso e logo se apaixonaram e, esquecidos de tudo, ficaram dias e dias gozando as del?cias daquele pa?s de sol e floridos campos e frondosas florestas. Os ca?adores viram os namorados e foram contar ao rei Gorgoris.

Furioso, o rei amea?ou de morte o estrangeiro Ulisses porque n?o queria que a filha gostasse dele. Ulisses fugiu, ?s escondidas, numa noite escura. E a pobre princesa ficou abandonada e ? espera de, em breve, ter um b?b?... A crian?a nasceu linda como um anjo. Num bra?o tinha marcada a vermelho uma flor que a princesa beijou, com muita ternura.-?bidis, assim te chamar?s!.

Mel?cola mandou p?r o b?b? num cesto e lan?ar o cesto ao rio. O cesto ficou encalhado numa praia do Tejo. Vieram as cor?as beber ao rio. Uma aproximou-se do cesto. Puxou-o e deu de mamar a ?bidis. O Pr?ncipe foi criado pelos animais do bosque.

Vinte anos depois, o rei Gorgoris estava ? morte. Cheio de desgostos, porque n?o tinha nenhum filho, nem nenhum neto para herdar o reino. Os ca?adores falaram-lhe de um jovem, belo e forte, que andava com os animais pelas florestas dos montes e dos vales. O rei ordenou que o trouxessem ? sua presen?a. Armaram-lhe uma ratoeira e apanharam ?bidis. Logo que o viu, a pobre Calipso, que estava muito doente, reconheceu-o pelo sinal no bra?o. Gorgoris pediu perd?o ? filha e ao neto e f?-lo seu herdeiro.

?bidis governou muitos e muitos anos com justi?a e sabedoria. Nos montes, onde foi criado pela cor?a, mandou construir uma cidade e chamou-lhe Esca ?bidis, que significa as del?cias de ?bidis.

1147-A entrevista do Arnado

Jos? Henriques Barata. Lendas da conquista de Santar?m.

(adapta??o)

Conta-se que D. Afonso Henriques, antes da conquista de Santar?m, foi um dia passear para o campo do Arnado, que ficava na margem direita do rio Mondego. Com ele estavam alguns fidalgos-guerreiros, entre os quais Louren?o Viegas, Gon?alo de Sousa e Pero Pais, seu alferes.

Contou-lhes ent?o o seu projecto de conquistar por assalto a cidade de Santar?m. No final da conversa recomendou-lhes que "esta coisa tivessem em grande segredo, sob pena de morte."

De regresso ao pa?o em Coimbra, o rei ouviu uma velha regateira dizer para as outras:

"-Quereis v?s saber o que agora El-Rei com os seus privados falou? Falou com eles como haveriam de tomar Santar?m".

Assim que chegou ao pa?o, D. Afonso Henriques virou-se para aqueles que o acompanhavam e a quem tinha confiado o segredo e disse-lhes:

"-Grande risco correriam as vossas vidas, se vos tiv?sseis afastado de mim antes de ouvir aquela mulher, porque sem d?vida pagar?eis com a cabe?a o seu dito".

1147-A fuga do Alcaide

Jos? Henriques Barata. Lendas da conquista de Santar?m.

(adapta??o)

O alcaide de Santar?m conseguiu fugir, depois de D. Afonso Henriques ter entrado na vila. Diz-se que fugiu pelo Postigo de Santo Est?v?o que, por isso, se passou a chamar tamb?m Postigo da Carreira.

Partiu velozmente em direc??o a Sevilha. O emir que se encontrava na Torre de Ouro, avistou-o ao longe e disse aos que o acompanhavam:

"V?des aquele que vem com grande pressa? ? o acaide Cefrim, de Santar?m. Se naquele rio der ?gua ao cavalo, ? porque a vila de Santar?m foi tomada. Se n?o der, ? porque a vila est? cercada e vem pedir-nos socorro".

O alcaide, ao chegar ao rio, deu de beber ao cavalo. O emir disse ent?o:

"Santar?m foi tomada".

1147-O epis?dio de Pedro Escuro

Jos? Henriques Barata. Lendas da conquista de Santar?m.

(adapta??o)

Pedro Escuro, companheiro de D. Afonso Henriques na tomada de Santar?m, vigiava a porta de Valada, para impedir que por ali se escapassem mouros. Um deles, mais atrevido, conseguiu sair, dizendo arrogantemente a Pedro Escuro que havia de voltar ?quela porta, para experimentar for?as com ele. Pedro Escuro respondeu:

"Iredes e viredes e aqui me acharedes ou morto ou vivo".

N?o voltou o mouro, mas Pedro Escuro, escravo da sua palavra, ordenou no seu testamento que fosse enterrado junto ? porta de Valada.

Como recorda??o deste epis?dio, Pedro Escuro mandou erguer no local uma ermida e um hospital.

No reinado de D. Manuel, os ossos de Pedro Escuro foram tresladados para a Igreja do Hospital de Jesus Cristo, onde, do lado da Ep?stola do altar-mor, se l? ainda o seguinte letreiro:

"Sepultura de Pedro Escuro, do Conselho del-Rey D. Afonso Henriques, a quem o dito Senhor para tomar esta Vila aos Mouros, encarregou a porta de Valada, pela qual entrou, e por mem?ria se mandou enterrar junto dela: e depois por haver institu?do o Hospital de Reclamador, e Palmeiro, mandou El-Rey D. Manuel tresladar seus ossos a esta Igreja donde tem missa quotidiana."

Ditona's enthusiasm in the uk replica watch auction market can also be swiss replica watches uk seen from this transaction price, trading at replica watches a price exceeding the maximum transaction price of replica watches uk $2,500.

1147-Voto do Rei em Alvardos

Jos? Henriques Barata. Lendas da conquista de Santar?m.

Corria o ano de 1147. D. Afonso Henriques e o seu pequeno ex?rcito dirigiam-se a Santar?m com o objectivo de tomarem a Vila. Ao atravessarem a serra de Alvardos (maci?o de Porto de M?s), D. Pedro Afonso (1), disse a D. Afonso Henriques:

"Senhor, ouvi falar de um homem bom e muito santo que se chama Bernardo. Pertence ? ordem religiosa de S. Bento. Diz-se que Deus fez por ele muitos milagres e que n?o h? coisa que ele pe?a a Deus que n?o seja cumprida. Se v?s lhe derdes aqui terra e lugar para se construir um mosteiro em honra de Santa Maria, crede que por merc? de Deus conquistareis Santar?m".

D. Afonso Henriques prometeu e cumpriu: mandou edificar o mosteiro de Alcoba?a.

Conta-se ainda que, quando o rei fez a promessa, esta foi revelada ao Santo que estava em Fran?a. As ora??es que S. Bernardo ent?o dirigiu a Deus, permitiram a vit?ria dos portugueses.

(1) N?o se sabe se D. Pedro Afonso era irm?o de D. Afonso Henriques ou se era seu filho bastardo.

1171-A Espada com asa

Lenda contada por Manuel Bernardes em "Nova Floresta".

Em 1171, Santar?m foi cercada pelos mu?ulmanos. D. Afonso Henriques encontrava-se na vila. Apesar de j? n?o poder montar a cavalo, quis ir combater. Para isso, mandou preparar um carro para o levar ao campo inimigo. Os seus companheiros tentaram dissad?-lo, preocupados com a seguran?a do rei de Portugal. Mas este respondeu-lhes:

-"Se pela ventura alguns tiverem receio, o que n?o cuido, fiquem na Vila, e n?o v?o l?, que eu n?o poderei sofrer tanta vergonha".

E l? partiu para o campo de batalha. Como de costume lutou bravamente, causando muitos mortos no ex?rcito inimigo. Venceram os portugueses.

Depois da batalha, o rei contou que que vira, ao lado do seu bra?o direito, um outro bra?o armado e que terminava junto ao ombro com uma asa de cor p?rpura. Este bra?o tinha-o ajudado na luta e tinha-o defendido dos golpes do inimigo. O rei concluiu que este bra?o pertencia ao seu anjo cust?dio ou ao arcanjo S. Miguel, visto que ele lhes tinha pedido aux?lio antes de entrar na batalha. Muitos dos mouros que tinham tamb?m participado na batalha e que ficaram cativos, afirmaram terem visto o mesmo.

  Sardoal Complete esta informa??o.

  Tomar Complete esta informa??o.

  Torres Novas

A Lenda do Senhor Jesus dos Lavradores

Vers?o do Museu Agricola de Riachos

Numa manh? de Maio dos alvores da idade m?dia,n?o se sabe bem j? quando, um grupo de Cingeleiros destas terras de Riachos, andava, como tantos outros, na lavoura dos seus hastins dos campos do Espargal.

Auxiliavam-nos nas suas duras tarefas juntas de bois de trabalho que, pacientemente, puxavam os arados (feitos de madeira de azinho protegida, nas pontas, por bicos de ferro).

A certa altura e porque os bois n?o conseguiam avan?ar, fincando mesmo, com o esfor?o, os joelhos no ch?o, os lavradores repararam que o bico do arado estava preso numa grande pedra que come?ava a sobressair do ventre da terra.

Escavando, ent?o, descobriram debaixo da laje uma imagem, escura e triste, de um Senhor Jesus Crucificado, que, com a surpresa, os fez cair de joelhos como se de um milagre estivesse acontecendo. Limparam-lhe, depois, a terra h?mida dos cabelos (quase humanos), de entre os dentes da boca enteaberta, dos p?s e das m?os. Ajeitaram-lhe os pregos da cruz e, depois, levaram-na bem para o centro da povoa??o, para o Largo, aonde, sabido do milagroso achado,depressa acorreram, vindos dos seus casais, os outros lavradores-cingeleiros de Riachos.

Carregada a imagem num carro puxado por uma junta de bois (precisamente aquela que a encontrou), enfeitaram-no de flores campestres e de ervas arom?ticas e l? foram a cantar entreg?-la (ainda que contrariadamente... ) ? Igreja da sede da freguesia,em Santiago, perto do Pa?o, em Torres Novas.

A partir da?, todos os anos, em plena Primavera, os cingeleiros de Riachos fizeram nascer a sua "Festa", a Festa da Ben??o do Gado, desfilando alegremente com os seus animais, enfeitados e floridos, numa recorda??o da mem?ria do seu achado.

E sempre, at? aos dias de hoje, os riachenses relembram nesses dias o que h? de mais profundo na sua mem?ria: o encanto de uma lenda que acima de tudo representa a mais profunda liga??o ? Natureza, ?nica fonte de riqueza da sua vida e do seu saber ancestral.

Santo Ant?nio e a Torrejana

Rosalina Melro

Muitas das mais belas narrativas lend?rias de temas m?sticos t?m como personagem principal uma virgem ou um santo popular.

Jos? Joaquim Nunes (1859-1932), fil?logo e acad?mico de renome, publicou uma colect?nea intitulada "Coisas Not?veis e Milagres de Santo Ant?nio" onde se encontram narrativas dos mais ing?nuos milagres do famoso taumaturgo lisboeta entremeadas de narra??es fant?sticas e de po?ticas lendas. Relembramos uma dessas lendas que corre na regi?o de Torres Novas com ligeiras variantes. Conto-a tal como a ouvi, h? muitos anos, numa tarde de soalheiro, em que as historietas e as malhas das l?rias se entreteciam na voz mansa, temperada de saberes ancestrais, da minha Ti Zabel.

"Nunca te falaram da torrejana morta-viva? Foi no bairro d'Elbrom, perto de Torres Novas. Nos primeiros s?culos do reino de Portugal. Governava el-rei D.Dinis. E a Rainha Santa, que tanto Ihe aturou, dava p?o e consolo aos pobres e aos doentes. Numa casa t?rrea, vivia em Elbrom uma devota mulher. Festeira de Santo Ant?nio, patrono do seu bairro, sempre cumpria o que ent?o era preceito de f?: ia a p? ao moinho mais alto da Vila de Torres Novas, cerca do cemit?rio. L? mandava moer farinha e, pela tardinha, regressava a casa. Cozia p?o alvo que dava aos pobres depois da missa, na manh? de Santo Ant?nio. Certo dia, acontecou-lhe, depois de isto cumprir anos e anos a fio, ir moer o seu trigo ao moinho. J? perto do cimo do cabe?o, alevantou-se um vento t?o bruto que Ihe deu na cara e depois a derrubou a ela e ao saco que levava ? cabe?a. A mulher caiu de papo pr? ar e, quando recobrou ?nimo, tinha diante dela um mancebo formoso como um anjo divinal. A mulher p?s-se de p? num repente. O mo?o estendeu-lhe a m?o esquerda e conduzia-a para um po?o que havia perto dali.

Era um po?o largo e profundo. Em vez de ?gua, dele jorravam chamas tais que uniam a terra e o c?u. A torrejana viu, do outro lado do po?o, um rolo de fumo negro e pestilento. Ao mesmo tempo ouviu clamores de afli??o e urros medonhos que vinham a subir do fundo daquele po?o. Temente dos castigos por seus pecados, a mulher encomendou-se ao seu santo protector que na manh? seguinte tinha festa e missa solene na igreja de Elbrom.

E, diante dela come?aram a desfilar, num infind?vel cortejo de danados, homens de todos os of?cios e idades. Estampadas neles havia marcas dos vis pecados. E eram atentados e espica?ados por dem?nios pequenos e terr?veis que os rodeavam como c?es danados. Os mercadores vigaristas passavam carregados de sacos de dinheiro em brasa. Os banqueiros e agiotas, logo a seguir, eram flagelados com grossas cordas de dinheiro a arder. Os ladr?es e os assassinos, os ad?lteros e os pejuros, e todos os demais homens pecadores desfilaram em frente da estarrecida mulher. A cada um, ela viu com seus olhos bem vivos, os dem?nios aplicarem castigos apropriados aos seus enganos e pecados.

Buscando for?a na sua devo??o a Santo Ant?nio, a mulher dirigiu a palavra ao jovem radioso que a acompanhava: - Diz-me, filho de Deus, que lugar ? este? Sorrindo, paciente, o mo?o explicou: - Aqui, toda a alma pecadora deve eternamente padecer, pois o Inferno tu est?s a ver!

Maior, ent?o foi o espanto da mulher. Vozes chamavam homens que ela sabia estarem ainda vivos. Eram gente folgada da corte e da cidade. E sendo vivos, as suas almas j? andavam na condena??o infernal. Coisa tanto de pasmar! Mergulhada neste pasmo, dele foi puxada pela m?o direita do mancebo que, de s?bito, a fez subir a um lugar deleitoso. No ar um perfume de rosas. Em redor, o verde e a frescura de um ridente pomar de belos e apetitosos frutos. No meio do bosque, uma branca tenda. No centro da tenda, um alvo leito de seda muito brilhante e formosura nunca antes imaginada. Em redor do leito, homens de resplandecente, beleza executavam uma dan?a suave.

Trajavam de cortes?os e todos estavam coroados de oiro e pedras preciosas. Bailavam aos pares, ao som de uma melodia celestial. De entre eles destacava-se um que parecia um esposo ? espera da sua amada. E, ao fundo, a mulher avistava as ameias do castelo de Torres Novas.

Vencendo os seus receios de tenta??es demon?acas, a mulher inquiriu do seu acompanhante o nome daquele luger. Sol?cito, o anjo, pois de um anjo se tratava, garantiu-lhe que ela tinha sido eleita pelo seu Santo Ant?nio para contemplar, naquele dia, o lugar da salva??o e da gl?ria. E que visse e se deleitasse pois aquele postumeiro que parecia aguard?-la era mesmo o douto franciscano morto em P?dua. Nesta vis?o, tinha a mulher a recompensa da sua devo?ao e da sua persist?ncia no cumprimento da tradi??o.

Entretanto, como a mulher n?o regressou a casa, os familiares e os vizinhos puseram-se a procur?-la. Acharam-na branca e fria, estendida no ch?o, perto do cemit?rio. Logo a julgaram morta pela tempestade e Ihe abriram uma sepultura. Mas, quando iam para a enterrar, p?s-se a mulher em p? e come?ou a contar tudo quanto vira nas suas milagrosas vis?es. O Padre escutou-a e mandou que fosse ? capela de Elbrom e ali tudo foi escrito num pergaminho da igreja.

Esta lenda, passou de pais para filhos. O povo sempre manteve a cren?a em Santo Ant?nio que naquela Vila de Torres Novas, que hoje ? uma pr?spera cidade, teve um Convento de frades arr?bicos, mandado construir no lugar de Liteiros pelo primeiro duque de Aveiro, em 1562 . Por ser muito h?mido e ficar longe do centro da vila, o fidalgo Ant?o Mogo de Mello e sua esposa, a cult?ssima Sig?ia de Velasco, (dama da corte da Infanta D. Maria), fizeram doa??o aos frades de uma terra no lugar de Berl?. Ali foi constru?do o novo Convento e a igreja de Santo Ant?nio, com grande regozijo do povo. Extintas as ordens religiosas, em 1834, perdurou ainda a devo??o e o top?nimo, pois ?quele lugar se come?ou, desde ent?o, a chamar de Santo Ant?nio.

In "Suplemento Cultural de O Mirante" de 18/6/97

  Vila Nova da Barquinha

A Lenda do Castelo de Almourol

Durante a Idade M?dia, o Castelo de Almourol suscitou a cria??o de numerosas lendas, ?s quais n?o foram decerto alheias a beleza natural do lugar e a harmonia da constru??o. Uma delas ? a de D. Ramiro, alcaide do Castelo de Almourol.

Conta a lenda que, voltando cheio de sede de uma campanha guerreira, encontrou duas formosas mouras, m?e e filha, que traziam com elas uma bilha de ?gua. D. Ramiro pediu ? filha que lhe desse de beber. Esta, assustou-se e deixou cair a bilha. Enraivecido, D. Ramiro matou-as.

Nesse momento apareceu um rapazinho de 11 anos, filho e irm?o das assassinadas. O cavaleiro logo ali o fez cativo e trouxe-o para o castelo. Quando chegou, o pequeno mouro jurou que se vingaria na mulhar e na filha de D. Ramiro, duas damas muito belas.

Tempos depois, a mulher do castel?o definhou e acabou por morrer, v?tima de venenos que o mouro lhe foi dando a pouco e pouco. Por?m, n?o conseguiu matar Beatriz, a filha de D. Ramiro, porque os dois se apaixonaram.

Um belo dia, D. Ramiro chegou ao Castelo na companhia de outro alcaide, a quem tinha prometido a m?o de sua filha. Os jovens apaixonados, inconformados com a sorte que os esperava, fugiram sem deixar rasto.

D. Ramiro morreu pouco depois, vitimado pelo desgosto. O castelo, abandonado, ca?u em ru?nas.

Dizem que, nas noites de S. Jo?o, D. Beatriz e o mouro aparecem, abra?ados, na torre grande do castelo. A seus p?s, D. Ramiro implora perd?o, mas o mouro inflex?vel responde-lhe com dureza:
- MALDI??O!

Adapata??o de:
Os Mais Belos Castelos de Portugal, ed. Verbo, Lisboa, 1992, p?g. 189

     
[HOME] [Novo] [Concelhos] [Economia]
[
Cultura] [Ambiente] [Institui??es] [Ribatejanos]

Contacte-nos
Contacte-nos