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O espelho do Concelho: pontos fracos e fortes Os pontos fortes e fracos de cada concelho.
Um retrato do distrito, segundo as reuniões preparatórias do Congresso Empresarial da Região de Santarém, promovido pelo
Nersant. (1)
   
       
     

 
  Abrantes Nem tudo como dantes

Com bons acessos, zonas industriais e inúmeras potencialidades, o concelho de Abrantes tem registado, no entanto, uma acentuada perda de população e um acelerado envelhecimento, ao mesmo tempo que se verifica pouco dinamismo no investimento empresarial. Estas as principais preocupações manifestadas na reunião concelhia do Congresso.

Abrantes foi o oitavo concelho do distrito que perdeu mais população residente. Entre 81 e 94, Abrantes perdeu 7,8% da sua população, qualquer coisa como 819 pessoas que trocaram Abrantes por outras paragens. Abrantes é também o sexto concelho mais envelhecido do distrito, com urna taxa de 144,4%.

Menos más são as taxas de analfabetismo (14,7%) e de população com nível de instrução (80,5%), que colocam o concelho a meio da tabela do distrito, embora ainda muito aquém da média nacional.

O pior indicador do concelho é mesmo o desemprego. Com 16,34% da população activa desempregada, Abrantes é o terceiro concelho com a maior taxa de desemprego do distrito.

Quanto à distribuição da população empregada por sectores, verifica-se o grande peso do terciário, com 51,26%, seguindo-se a indústria com 38,48%, e por último a agricultura, reduzida a apenas 10,26% da população empregada.

As indústrias transformadoras assumem um grande peso no concelho, quer em volume de emprego no concelho, quer em volume de negócios, sendo as indústrias de alimentação e as indústrias de madeiras as mais importantes. Seguem-se os sectores do comércio, da construção e da produção e distribuição de electricidade, por via da Central do Pego.

Os participantes do debate identificaram como principais pontos fracos do concelho a falta de mão de obra qualificada e as acessibilidades internas. Foi criticada a formação profissional, considerando-a inadequada às necessidades do concelho. Os empresários queixaram-se da ausência de facilidades à implantação de novas ernpresas, verificando-se pouco dinamismo do investimento no concelho. A falta de mentalidade empresarial, a deficiente rede de transportes públicos de passageiros e de mercadorias e os frequentes cortes na distribuição de electricidade foram considerados pontos fracos do concelho.

As acessibilidades no interior do concelho são consideradas um importante estrangulamento ao desenvolvimento, estando o concelho cortado ao meio pelo Tejo. Já as acessibilidades externas, com o IP6 a dar acesso directo à auto estrada, foram consideradas boas, mas falta ainda concluir o IP6...

O abandono do mundo rural e a falta de apoio aos pequenos proprietários e agricultores das zonas desfavorecidas do concelho foi apontado como o derradeiro ponto fraco. A posição geográfica central no País, as potencialidades do sector florestal e os recursos hídricos (rio Tejo e barragem de Castelo de Bode) foram os grandes pontos fortes identificados nesta reunião. Consideradas muito positivas foram também as acessibilidades externas, as potencialidades turísticas, a existência de recursos naturais por explorar, e o potencial energético do concelho, (Central Termoeléctrica do Pego e, futuramente, a rede de gás natural).

Disponibilidade de mão de obra, a existência de know-how no sector da metalomecânica e da metalurgia e de uma forte indústria do azeite (são do concelho as duas maiores empresas de azeites do País), foram igualmente incluídos nos pontos fortes. A diversidade e equilíbrio do tecido empresarial foi sublinhada como positiva, sendo destacado o facto de existirem em Abrantes algumas empresas com efeito multiplicador no tecido empresarial à sua volta. O hospital e a rede escolar, com todos os graus de ensino a funcionar, foram também considerados pontos positivos.

O presidente da Câmara de Abrantes, Nelson Carvalho, recordou que o concelho foi muito afectado pelo processo de interiorização do País verificado desde há algumas décadas, que conduziu ao envelhecimento da população e ao despovoamento das zonas rurais. "Há, porém, razões positivas para termos esperança e confiança no futuro do concelho", declarou o autarca, referindo-se a um conjunto de obras em curso ou projectadas para breve, casos da continuação das obras do IP6 e da construção de uma nova ponte sobre o Tejo no concelho, a sul da actual. Referiu a aposta do Município no novo parque industrial de Abrantes, com 200 hectares de área disponível para a instalação de empresas. O projecto está praticamente concluído, devendo a primeira empreitada ser lançada em breve. Referiu ainda a futura instalação de um centro de dinamização empresarial em Abrantes, em parceria com o Nersant. Sublinhou ainda a colaboração que o Município está a prestar à Associação Comercial, no sentido de se aproveitarem os apoios do concelho, bem como o grande empreendimento turístico que se está a construir na Barragem do Castelo de Bode na zona do concelho de Abrantes. Considera que todos estes projectos são indícios positivos de que Abrantes pode estar a entrar num novo ciclo de desenvolvimento.

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  Alcanena Um concelho industrial

São muito positivos os indicadores sócio económicos do concelho de Alcanena, no contexto do distrito. O que não impede que surjam algumas preocupações com os problemas da poluição, com a incapacidade para fixar a população flutuante e com o fraco desenvolvimento do sector terciário.

Alcanena é o concelho mais industrializado do distrito, beneficiando de uma insignificante taxa de desemprego. Outros bons indicadores apontam a quarta menor taxa de analfabetismo do distrito, a par da quarta mais elevada percentagem da população com nível de instrução. Foi um dos poucos concelhos do distrito que viram a população residente aumentar nas décadas de 80 e 90, pese embora o crescimento ser quase nulo (0,4). Curiosamente, apresenta uma elevada taxa de envelhecimento da população, bastante superior à média nacional.

Quanto à distribuição da população empregada por sectores, verifica-se o peso esmagador da indústria, que emprega 64,22% da população, sendo de longe o concelho do distrito onde este sector tem maior importância relativa. O comércio e os serviços apenas dão emprego a 31,18% da população empregada, sendo o concelho do distrito em que o terciário tem menor peso relativo. Em termos de emprego, a agricultura é quase insignificante, com apenas 4,60% da população.

No debate sobre os pontos fracos do concelho, foi manifestada alguma preocupação pela excessiva dependência do concelho relativamente às indústria de curtumes e de têxteis. A má imagem do concelho de Alcanena do ponto de vista da poluição foi considerada um ponto fraco, com os alcanenenses a sofrerem diariamente os maus cheiros, pese embora a significativa melhoria ambiental verificada nos últimos anos, fruto dos grandes investimentos realizados pelos industriais e pelo Governo.

Os empresários queixam-se da falta de ensino e Formaçao profissional dirigida às necessidades das indústrias e da falta de pessoal qualificado. O concelho debate-se com a dificuldade em fixar a população flutuante no concelho, sendo significativo o número de pessoas de concelhos vizinhos a trabalhar em Alcanena. O fraco desenvolvimento do sector terciário no concelho foi considerado um ponto fraco, assim como a incapacidade de atrair novos investimentos industriais fora das indústrias de curtumes e têxteis. Razões apontadas para esta situação prendem-se com o custo elevado dos terrenos, com a falta de uma zona industrial e com o elevado custo dos salários.

Quanto a pontos fortes, Alcanena beneficia de boas acessibilidades e de uma localização geográfica privilegiada. A existência de boas infra-estruturas ambientais foi considerada um ponto forte, colocando a indústria de Alcanena numa situação exemplar no nosso País. O forte desenvolvimento industrial de Alcanena foi considerado um ponto fortíssimo, tendo sido destacada a existência de um tecido empresarial saudável, sólido e flexível, com efeitos multiplicadores a montante do sector dos curtumes. Outro ponto forte é o bom apetrechamento tecnológico e a experiência acumulada da indústria de curtumes, e as boas relações com os mercados estrangeiros, em especial com o Brasil.

O centro tecnológico das indústrias do couro em Alcanena foi apontado como uma potencialidade. O pleno emprego, a qualidade de vida relacionada com o elevado poder de compra e o rendimento per capita superior à média foram também consideradas virtualidades concelhias.

As potencialidades turísticas do concelho foram consideradas um ponto forte, pese embora a falta de estruturas hoteleiras, tendo sido destacadas as boas condições naturais dos Olhos d'Água e do Parque Natural das Serras d'Aire e Candeeiros.

No final, o presidente da Câmara, Luís Azevedo, concordou com o retrato do concelho aqui traçado. Sobre a questão ambiental afirmou que "o ar que se respira em Alcanena não é de boa qualidade, problema que terá de ser resolvido, definitivamente, com a maior brevidade". Porém, referiu que os grandes investimentos realizados neste últimos anos melhoraram significativamente a qualidade do ambiente do concelho. A resolução dos problemas ambientais passa também pela despoluição da bacia de Minde e Mira d'Aire, problema que tem afectado o abastecimento de água às populações. Luís Azevedo revelou aqui que foi já lançado pelo 1NAG o concurso público internacional para a construção da ETAR de Minde.

O presidente da Câmara afirmou que a criação de duas novas zonas industriais, uma em Minde e outra em Vila Moreira, tem sido uma preocupação da autarquia, mas só agora foram autorizadas as expropriações dos terrenos. O autarca revelou ainda que o concelho irá beneficiar de uma significativa melhoria das acessibilidades. Ao longo deste ano, o orçamento municipal prevê 200 mil contos de investimento na rede viária municipal, ao mesmo tempo que o Governo deverá investir cerca de 800 mil contos na construção de um acesso directo de Alcanena à auto-estrada e na criação de uma circular a Alcanena e Vila Moreira.

O presidente da Câmara sublinhou a existência no concelho de bons equipamentos nas áreas do desporto, cultura e educação. Salientou o facto do concelho beneficiar de uma total cobertura de abastecimento de água. Quanto ao problema do lixo, referiu que foi aberto concurso para a adjudicação da recolha no concelho, ao mesmo tempo que o Município aderiu ao projecto intermunicipal do aterro sanitário intermunicipal do Médio Tejo.

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  Almeirim À espera da nova ponte

Foi um retrato optimista do desenvolvimento do concelho aquele que saiu da reunião concelhia de Almeirim do Congresso Empresarial da Região de Santarém . Tão optimista que houve mesmo quem comparasse os pontos fracos a uma constipação num corpo saudável, enquanto outro participante, antecipando-se ao futuro, quis juntar ao elenco dos pontos fortes a futura nova ponte sobre o Tejo.

Os indicadores sócio-económicos colocam Almeirim entre os quatro concelhos do distrito que registaram o maior crescimento da população residente entre 81 e 94, e também a quarta maior taxa de natalidade. O concelho apresenta, no entanto, elevadas taxas de analfabetismo, um baixo nível de instrução da população. O comércio e os serviços são o sector que ocupa mais mão de obra no concelho, dando emprego a 41,26% da população activa. A agricultura continua a ser um grande peso no concelho (29%), bastante superior mesmo à média do distrito, já de si maior que a média nacional. A indústria dá emprego a outros 29% da população, valor abaixo das médias nacional e distrital.

No debate sobre os pontos fracos do concelho foram apontadas a falta de mão de obra qualificada, o fraco peso da indústria, a débil organização empresarial do sector agrícola e a falta de estruturas de comercialização dos produtos agrícolas do concelho. Foi também criticada a falta de organização e de associativismo no sector primário, sendo apontado o mau exemplo do melão de Almeirim que, por falta de uma denominação de origem que o promova e valorize, continua a vender-se à beira das estradas do Ribatejo, enquanto os melões espanhol e marroquino, de pior qualidade, se vendem nos hipermercados de toda a região, inclusivamente em Almeirim. Unânime foi a crítica às acessibilidades externas e internas do concelho, assim como a falta de formação profissional adequada às necessidades do concelho e da região. As questões em torno da educação e da formação profissional suscitaram vivo debate, com a inadequação da formação profissional às necessidades do concelho a ser incluída entre os pontos fracos.

Menos polémicos foram os pontos fortes, onde logo à cabeça surgiu a capacidade de trabalho e de empreendimentos dos almeirinenses, a localização geográfica e proximidade da capital do País, e a existência de um sector da restauração muito forte que beneficia do elemento distintitivo que é a tradicional Sopa de Pedra. A qualidade de alguns dos vinhos do concelho, as potencialidades turísticas e a existência de uma cultura artesanal foram destacadas como pontos fortes. No entanto, foi referido que ainda há muito a fazer para aproveitar estas potencialidades do concelho.

No final do debate, o presidente da Câmara de Almeirim referiu que já está a ser ultrapassada a competição entre a agricultura e a indústria que chegou a ser bastante sentida no concelho. "Houve quem me viesse dizer para não apostar na indústria porque iria prejudicar a agricultura, porque iria aumentar os salários dos trabalhadores e com isso desviar a mão de obra disponível". Sousa Gomes considera que hoje são precisas novas indústrias no concelho, para dar trabalho aos muitos jovens à procura do primeiro emprego que actualmente engrossam as estatísticas dos desempregados no concelho.

Segundo Sousa Gomes, o actual loteamento industrial de Almeirim encontra-se esgotado e a sua ampliação tem encontrado vários obstáculos, desde logo com a necessidade da Câmara investir uns milhares de contos na aquisição de terrenos, sem que os programas comunitários apoiem este tipo de investimento. Mas o autarca defende que a ampliação terá de ser uma realidade, até porque se prevê uma grande procura por parte de investidores, logo que a nova ponte sobre o Tejo e os novos itinerários complementares (IC3 e IC 10) entrem em funcionamento. A falta de definição do traçado destas vias impede também o alargamento da zona industrial, uma vez que a sua área é abrangida por estes acessos. Quanto à questão da formação profissional, Sousa Gomes defende que Almeirim terá de aproveitar a existência do centro de formação de Santarém, onde se realizou um grande investimento que ainda está por aproveitar devidamente.

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  Alpiarça O domínio agrícola

Alpiarça é um concelho essencialmente agrícola, tendo a quarta mais elavada taxa de analfabetismo entre os 21 concelhos do distrito e um baixo nível de instrução e formação profissional. Esta histórica e excessiva dependência da agricultura foi apontada no debate local como um factor impeditivo, ao longo dos anos, da melhoria do nível de instrução e formação profissional. Uma questão de mentalidade, portanto, que está na base do excessivo individualismo e também na falta de espirito empresarial, bem patentee no facto da zona industrial de Alpiarça continuar com cerca de 70% da sua área desocupada por falta de investidores.

Os participantes neste encontro entendem que o concelho não consegue reter os seus jovens e a classe média, assim como não consegue atrair o investimento. Outro ponto fraco apontado diz respeito à falta de uma estrutura produtiva para transformação e comercialização dos produtos agrícolas. A maioria dos participantes defende que os fracos acessos viários do concelho constituem um dos principais estrangulamentos ao desenvolvimento económico de Alpiarça.

A proximidade a Santarém e Almeirim foram apontados como factores negativos, assim como a reduzida capacidade de gestão e de cultura empresarial. Nos pontos fortes, destacaram-se a agricultura, as potencialidades turísticas e a boa qualidade de vida, a existência de uma zona industrial com terrenos disponíveis, a boa capacidade da mão de obra em especial na construção civil, e a disponibilidade de mão de obra, se houver formação profissional. A localização do concelho, beneficiando da proximidade dos grandes centros de consumo, e a existência de feiras e exposições locais foram mais alguns pontos fortes referidos neste encontro. Destacou-se a potencialidade do sector vitivinícola, onde as adegas cooperativas e casas agrícolas têm vindo a realizar grandes investimentos, e agora apostam em melhorar a imagem e o rótulo.

No final, o presidente da Câmara de Alpiarça, Raúl Figueiredo, subinhou que o principal ponto forte são os alpiarcenses, facto patente na elevada participação e capacidade de intervenção nesta reunião. Atribuiu "razões históricas ao atraso do concelho do ponto de vista industrial, recordando que a fábrica da Compal foi para Almeirim, depois da Câmara de Alpiarça ter rejeitado a sua localização no concelho, como se pode ler nas actas do Município da época". Admite haver estrangulamentos, "mas muitos não são ao nível concelhio, integram-se nos problemas da região e do país, a começar pelo facto de, se calhar, ser hoje mais rentável comercializar do que produzir em Portugal". Quanto à falta de formação e à mentalidade, Raúl Figueiredo considera tratar-se de uma questão complexa, pois existem pessoas analfabetas à frente de empresas de sucesso, assim como há muitas empresa geridas por pessoas com formação superior e que não têm sucesso. Em matéria de acessos, o autarca afirmou que se Alpiarça tivesse porto marítimo e acesso à auto-estrada teria certamente sido escolhida para a localização da fábrica da Auto Europa em vez de Palmela que é um concelho agrícola idêntico a Alpiarça. Raúl Figueiredo defence a melhoria das acessibilidades externas, nomeadamente com a construção do IC3.

Sobre a zona industrial, afirmou que nunca houve tanta procura por parte de investidores como agora, estando em apreciação na autarquia vários projectos no valor global de 2 milhões de contos de investimentos. De salientar que os terrenos na zona industrial estão a ser vendidos a 150 escudos por metro quadrado. Lamentou a inexistência de um hotel no concelho, pese embora todos os esforços feitos pela Câmara e os investimentos feitos no complexo turístico e museológico dos Patudos.

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  Benavente O melhor de dois mundos

Benavente está numa encruzilhada, entre um Ribatejo marcadamente agrícola e rural e a pressão da Área Metropolitana de Lisboa. Ser capaz de aproveitar e conciliar o melhor destes dois mundos é o desafio que se coloca a este concelho.

Benavente é dos concelhos do distrito de Santarém que apresenta os melhores indicadores sócio-económicos, beneficiando da proximidade da Área Metropolitana de Lisboa. Tem a menor taxa de envelhecimento, apresenta o maior crescimento da população residente, entre 1981 e 1994, e apresenta ainda a maior taxa de natalidade. Menos boas são as taxas de analfabetismo e a percentagem da população com nível de instrução, que se situam na média do distrito, mas ainda bastante desfavoráveis quando comparadas com a média nacional.

Apesar do grande crescimento industrial dos últimos anos, o sector secundário apenas emprega 33,78% da população, e o comércio e serviços são responsáveis por 45,79% do emprego no concelho. As indústrias agro-alimentares têm um peso predominante no concelho, seguidas a alguma distancia das indústrias de madeiras. A agricultura continua a ter grande peso, com 20,43% da população empregada, percentagem superior à média distrital, a que não é alheio o facto de estar situada no concelho a maior empresa agrícola do País - a Companhia das Lezírias.

Os empresários do concelho de Benavente queixam-se da falta de quadros qualificados. Uma questão que surge sempre a par das críticas ao sistema de ensino que não prepara os nossos jovens para uma vida profissional. Igualmente criticado foi o ensino e formação profissional que não está a ser orientado para as necessidades das empresas do concelho.

Entre os principais pontos fracos do concelho contam-se as deficientes acessibilidades. Ao concelho de Benavente foram apontados, como pontos fracos, o elevado nível de analfabetismo, a debilidade sócio económica da população, e a carência de infra-estruturas hoteleiras. Os industriais presentes neste encontro foram unânimes em apontar como ponto fraco do concelho as faltas na rede de distribuição eléctrica. O grande ponto forte do concelho é, no entanto, a localização geográfica no centro do País e beneficiando da proximidade de Lisboa. A existência de zonas industriais infraestruturadas e com terrenos disponíveis, a par do "bom apoio da autarquia à instalação de empresas", foram referidos como pontos fortes do concelho. Os recursos hídricos e a potencialidade do solos para a agricultura integram os pontos fortes do concelho.

Todos estiveram de acordo em colocar a existência de um bom plano director municipal entre os pontos fortes, considerando que este PDM consegue uma boa conjugação entre o rural e o urbano, preservando os espaços naturais do concelho, ao mesmo tempo que permite o desenvolvimento urbanístico e industrial.

A boa qualidade de vida, do ponto de vista ambiental, foi sublinhada pelos participantes deste debate, que consideram Benavente "um oásis na selva urbana da Área Metropolitana de Lisboa".

Foi elogiada a existência de bons agricultores e criadores de gado no concelho, e sublinhou o enorme potencial do concelho para o turismo, com destaque para o cavalo, a floresta mediterrânea, a paisagem e a gastronomia...

É considerada muito positiva a existência no concelho de um tecido industrial saudável, sem empresas em crise, assim como o bom relacionamento entre as empresas do concelho e a autarquia.

Coube ao presidente da Câmara, António José Ganhão, a intervenção final deste encontro. O autarca sublinhou que "Benavente é neste momento o único concelho que soube preservar-se da força centrífuga de Lisboa e da sua enorme pressão urbanística.

A Câmara apostou na criação de três zonas industriais, devidamente infraestruturadas, mostrando-se assim muito atenta ao investimento industrial (mas recusando indústrias poluentes), por forma a incentivar a diversificação da base produtiva do concelho.

O autarca sublinha o facto do concelho contar com novos empreendimentos turísticos de qualidade, como são os caves da Portucale, da Aroeira,, da Mata do Duque e de Braço de Prata. Para António José Ganhão, estes projectos permitem compensar algum declínio da agricultura em zonas onde esta actividade é mais desfavorável.

António José Ganhão defende que o Campo de Tiro de Alcochete, situado no concelho de Benavente, representa uma boa alternativa e localização do futuro aeroporto internacional, atendendo a que está mais perto de Lisboa do que a Ota e fica mais barato do que a zona de Rio Frio.

Para o autarca, os grandes problemas do concelho passam, hoje em dia, pelas deficientes acessibilidades, com o eixo viario da EN 118 a sofrer o estrangulamento da velha ponte de Benavente. O presidente da Câmara lamentou que o plano Rodoviário do actual Governo apenas contemple a construção dos itinerários principais e deixe de fora metade dos itinerários complementares, entre os quais se encontra o IC11, adiado para além do ano 2005".

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  Cartaxo A fama sem o proveito

Cartaxo, concelho bem conhecido pela sua produção vinícola, não explora devidamente essa imagem, ao nível das marcas de vinhos, como acontece, por exemplo no Alentejo. Isto mesmo foi constatado na reunião com o empresariado local.

O Cartaxo é um concelho na média do distrito, com alguns indicadores sócio económicos acima até da média do distrito. Com 22.170 habitantes, o concelho do Cartaxo registou entre 81 e 94 uma diminuição de 1,8% da população residente, registando, ainda assim, a terceira mais elevada densidade populacional do distrito. Apresenta a quinta menor taxa de analfabetismo do distrito e também ocupa o quinto melhor lugar quanto ao nível de instrução da população. O pior parece ser o desemprego. Segundo os últimos dados disponibilizados pelo Instituto de Emprego, o concelho apresentava uma taxa de desemprego de 13,98%, a quinta maior do distrito, em 1995. Quanto à ocupação da população activa, regista-se a preponderancia do comércio e serviços (47,98%), seguindo-se a indústria (35,73%) e, por último a agricultura (16,29%, valores que se situam na média do distrito.

No debate sobre os pontos fracos os empresários concluíram pela debilidade da mentalidade industrial/empresarial, a falta de formação industrial, com reflexos na falta de formação dos recursos humanos e na dificuldade de recrutamento de mão de obra qualificada. Os empresários queixam-se da mentalidade rural, originada pela inexistência de uma tradição industrial no concelho.

Mas aquele que veio a ser considerado unanimemente como o principal ponto fraco do concelho foram as acessibilidades. Também houve quem defendesse a necessidade da criação de uma nova zona industrial, tendo em conta que a actual não reúne as melhores condições. Os empresários notam a falta de um gabinete de estudos económicos que estabeleça a ligação entre as escolas, as empresas e a autarquia e defendem também a definição de uma estratégia de desenvolvimento económico para o concelho. A dificuldade em fixar os jovens no concelho, questão à qual se associa a falta de iniciativa empresarial, foi considerada um ponto fraco, assim como a falta de incentivos à fixação de indústrias no concelho. Uma vez mais foi criticado o individualismo dos empresários do concelho e a falta de associativismo.

Quanto aos pontos fortes do concelho, os participantes do debate apontam em primeiro lugar a localização geográfica estratégica, considerando que este factor pode estimular o investimento empresarial. Em segundo lugar surgem as potencialidades turísticas e em terceiro lugar surge a imagem do concelho. "Sendo o Cartaxo conhecido a nivel nacional, pode-se dizer que o marketing está feito, falta agora tirar daí os benefícios.

Outro ponto forte referido diz respeito à excelente relação entre a boa qualidade de vida e o baixo custo de vida no concelho. A possibilidade do futuro aeroporto se vir a instalar na Ota irá trazer enormes benefícios ao Cartaxo, entre os quais a criação de novos postos de trabalho e a instalação de novas indústrias. A existência da via férrea, embora mal aproveitada, foi igualmente apontada como ponto forte do concelho.

No encerramento da sessão, o presidente da Câmara, Conde Rodrigues, considerou que "não se pode ter tudo, sendo inviável pensar que um concelho deve ser auto-sustentado nos vários sectores. Adiantou que "há concelhos no País que não possuam indústria e têm sucesso". Defende que é mais importante a diversidade empresarial do concelho do que a criação de novas zonas industriais.

Considera que as acessibilidades são, simultaneamente, um ponto forte e fraco do concelho. Os eixos principais atravessam o concelho e está-se a 40 minutos de Lisboa. Porém, admite ser necessário melhorar as acessibilidades. Aproveitou para dar a conhecer o investimento de 2 milhões de contos que a CP está a realizar na freguesia de Vale da Pedra, para onde estão a ser transferidas as oficinas de Campolide, ficando no futuro as oficinas de Vale da Pedra a funcionar como um dos principais pontos de apoio à linha.

Sublinhou a existência de um bom relacionamento entre a autarquia e as empresas, e deu como ultrapassado o problema dos atrasos na aprovação dos projectos dos empresários. Notou igualmente o esforço da autarquia em melhorar as acessibilidades internas e a rede de infra-estruturas básicas, para incentivar os empresários a investir no concelho. O que falta é associativismo empresarial, declarou Conde Rodrigues, referindo como exemplo a inexistência de uma associação comercial no concelho.

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  Chamusca Uma ilha sem o IC3

Na Chamusca, uma das maiores dificuldades são os acessos, e o IC3 continua em banho-maria, deixando o concelho numa situação de insularidade. Esta foi uma das grandes preocupações manifestadas no debate concelhio realizado no âmbito dos trabalhos de preparação do Congresso Empresarial da Região de Santarém.

"Andamos todos há muitos anos para fazer um encontro como este, com gente dos vários sectores e sensibilidades e nunca conseguimos", afirmou o presidente da Câmara da Chamusca, Sérgio Carrinho. Uma iniciativa do Nersant que, quanto mais não fosse, tem desde já o mérito de estar a juntar empresários, autarcas e notáveis locais à mesma mesa para debater os problemas comuns em cada um dos concelhos do distrito.

A Chamusca é um dos concelhos do distrito que mais sofre com os problemas do envelhecimento, da perda de população, do analfabetismo, da falta de indústria. O concelho perdeu 6,5% da sua população, entre 81 e 94. A taxa de analfabetismo é de 19,8%, quase o dobro da nacional (11%) e superior mesmo à do distrito (15%).

No debate, foram apontados como principais pontos fracos do concelho a fraca escolaridade, a falta de bons acessos ao exterior do concelho é a grande condicionante do desenvolvimento do concelho, a grande dependência da agricultura e o nível de instrução e de qualificação profissional. A debilidade da rede eléctrica no concelho, a falta de iniciativa e de espírito empresarial e a falta de estruturas de apoio às micro empresas foram outros tantos problemas enumerados no debate.

Nos pontos fortes do concelho destacaram-se a quase unanime excelente capacidade dos solos para a agricultura, a boa localização geográfica do concelho, a proximidade da área metropolitana de Lisboa, as boas condições naturais e culturais para o desenvolvimento do turismo e do lazer. O Tejo foi apontado como ponto forte do concelho. A existência de duas zonas de desenvolvimento económico, uma na Chamusca, outra em Ulme, com terrenos disponíveis para a instalação de empresas foi considerada um ponto forte.

No final, o presidente da Câmara, Sérgio Carrinho aproveitou para traçar um quadro do que irão ser os próximos quatro ou cinco anos em termos de investimento municipal na Chamusca, tendo ressalvado que "a Câmara não é um agente de desenvolvimento, mas compete-lhe criar condições para propiciar o trabalho desses agentes".

Quanto às prioridades, elas já estão definidas e têm o apoio unânime das freguesias, nomeadamente quanto à melhoria da rede viária municipal, onde deverão ser investidos 600 mil contos, na reformulação do sistema de captação de abastecimento de água com mais 300 mil de investimento a somar aos 200 mil já gastos, devido à contaminação da água pelo excesso de fertilizantes usados na agricultura.

Serão ainda investidos mais 200 mil contos na infraestruturação das zonas de desenvolvimento económico e outros 200 mil em infraestruturas de ensino, cultura, desporto e lazer.

Fora do âmbito municipal está a construção do Itinerário Complementar 3 (IC3), nos troços Barquinha-Chamusca e Almeirim-Chamusca, acesso fundamental do concelho ao exterior e "sem o qual a Chamusca continuará numa situação de insularidade, problema que se poderá agravar a qualquer momento, devido ao estado precário da Ponte sobre o Tejo entre a Chamusca e a Golegã", como afirmou Sérgio Carrinho, desejando que "pelo menos os estudos para a elaboração do projecto continuem".

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      (1) in Suplemento do jornal "O Ribatejo" de 20/3/97
     
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