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O espelho do Concelho: pontos fracos e fortes
Os pontos fortes e fracos de cada concelho.
Um retrato do distrito, segundo as reuniões preparatórias do Congresso Empresarial da Região de Santarém, promovido pelo
Nersant. (1)
   
       
     

 
  Constância Quase sem defeitos

Constância foi um dos únicos cinco concelhos do distrito de Santarém que viram a população aumentar entre 81 e 94. Um indicador positivo que veio dar razão ao tom optimista do debate sobre a situação empresarial do concelho. Enquanto que o distrito perdeu em média 2,7% da sua população, Constância aumentou a popuIação residente em 5,ó%, valor apenas superado pelo Entroncamento e Benavente. É um concelho onde a indústria ocupa a maioria da população activa (55%), embora o sector terciário tenha um peso crescente (38%). Apenas 6,ó% da população activa trabalha na agricultura.

Muito negativa e a taxa de desemprego do concelho, que ascende a 18,86%, sendo o segundo concelho do distrito com a maior percentagem de desemprego. Ainda assim, os participantes do debate contestaram estes números, afirmando que várias ofertas emprego têm ficado desertas, nomeadamente quando se procure mão de obra especializada indiferenciada. O concelho, com 4.270 habitantes, regista 346 empresários em nome individual (94 no comércio) e 37 sociedades.

Entre os pontos fracos do concelho, salientou-se a mentalidade rural, que constitui uma condicionante ao desenvolvimento industrial. Muito notada foi a desadequação da formação profissional face às necessidades das empresas, tendo sido defendida a formação profissional para complementar a escola formal, nomeadamente através da criação no concelho de uma escola de formação profissional articulada com as necessidades das empresas.

Foram ainda referidos outros pontos fracos como a desvantagem da dimensão reduzida do concelho em termos de população e de território, a falta de mão de obra especializada, a necessidade de uma nova ponte entre as duas margens do Tejo e a necessidade de melhorar as acessibilidades, através da conclusão do IP6 até Castelo Branco.

À cabeça dos pontos fortes surge a localização central no país. Depois, foi também referida a riqueza florestal, a existência de boas empresas agrícolas, de equipamentos sociais, a dinâmica da autarquia, as boas condições para a actividade agrícola, bons acessos aos centros de decisão, a singularidade do concelho associada à qualidade de vida e as potencialidades associadas à tradição histórico-cultural.

A concluir a sessão, o presidente da Câmara, António Mendes, sublinhou que a grande taxa de desemprego registada no concelho resulta da crise das indústrias de concelhos vizinhos, nomeadamente Abrantes e Tomar, e afecta mais os jovens e as mulheres.

Falou da falta de aptidão do concelho para a instalação de grandes indústrias, considerando que existem na região outros municípios com melhores condições para atrair essas indústrias. Sublinhou que a autarquia orienta a sua acção por uma estratégia de desenvolvimento há muito definida e que passa pela afirmação da identidade cultural de Constância e pela criação de condições para as pessoas se fixarem no concelho, através do reforço da base económica, possibilitando a instalação no concelho de novas empresas, com a criação (e ampliação) da zona industrial. Paralelamente, a Câmara tem apoiado a construção de habitações a preços controlados, bem como disponibilizou terrenos infraestruturados para as pessoas poderem construir as suas habitações no concelho.

António Mendes atribui a estas iniciativas autárquicas o aumento da população verificado nestes últimos anos, contrariando a tendência geral no distrito. O Ponteze - plano de ordenamento das margens do Tejo e Zêzere mereceu destaque na intervenção do autarca. Considera que se o projecto fosse proposto no litoral ou no Algarve os investidores andariam a acotovelar-se para participar, mas, sendo em Constância não apareceram investidores, e a autarquia teve de assumir-se como motor e principal fomentador da actividade turística.

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  Coruche Beterrabeira à vista

Em Coruche, a tradição vai deixar de ser o que era, com a entrada em laboração da fábrica beterrabeira, ainda este ano.

Com 22.790 habitantes, Coruche regista uma acentuada perda de população, de 6,5% entre 1981 e 91 e de 9,8% segundo dados mais recentes do INK relativos ao período entre 81 e 94, sendo o quinto concelho que mais população perdeu e também o quinto mais envelhecido. É o concelho do distrito com a mais elevada taxa de analfabetismo, qualquer coisa como 27,2%, sendo a média do distrito de 15% e do país 11%. Coruche está também no fundo da tabela em matéria de população com nível de instrução, sendo que apenas 68% possui alguma instrução, uma percentagem bastante inferior à média do distrito que é de 79,5%. Também a taxa de desemprego, de 15,39% é das piores do distrito.

Na distribuição da população activa e por sectores, verifica-se que é o segundo concelho do distrito mais dependente da agricultura, sector que ocupa 37,59% da população. O comércio e os serviços surgem em segundo lugar, com 36,65%, e a indústria ocupa apenas 25,76% da população, sendo o terceiro concelho com menos população na indústria.

Os cerca de trinta empresários, dirigentes associativos e representantes de instituições do concelho colocaram no topo da lista de 10 pontos fracos do concelho a falta de acessibilidades do concelho, não só as externas, mas também as internas, contando-se ainda cerca de 600 quilómetros de estradas de terra. A excessiva dependência da agricultura foi considerada um importante ponto fraco do concelho, muito embora tenha sido sublinhado que Coruche nunca poderá deixar de ter um grande peso agrícola, dado que aqui se situam os melhores terrenos agrícolas do País e entre os melhores da Europa. Porém, esta mentalidade rural reflecte-se no excesso de individualismo e na falta de espírito associativo empresarial, mais dois pontos fracos referidos nesta sessão.

Os participantes notaram a falta de uma aposta do concelho na industrialização na década de 80, que impediu Coruche de acompanhar o desenvolvimento de outros concelhos da região que ofereciam condições mais atractivas para a fixação das empresas. Uma situação que já não se verifica neste momento, sendo Coruche um dos concelhos que oferece mais incentivos ao investimento na sua zona industrial.

Só que, segundo os participantes deste encontro, tem falhado a divulgação para o exterior das potencialidades do concelho, tendo este sido um ponto fraco de Coruche.

Do mesmo modo foi criticada a não criação de mais-valias nos produtos produzidos e extraídos em Coruche. E o exemplo da cortiça, em que embora o concelho seja um dos maiores produtores nacionais, apenas dispõe de uma fábrica para transformação desta abundante matéria prima. A falta de capacidade empresarial foi também referida por alguns participantes, embora tenha sido sublinhada a competência dos agricultores do concelho. O que parece faltar é espírito empreendedor aos jovens entre os 20 e os 30 anos, sendo por isso necessário incentivá-los a criar as suas próprias empresas e a fixar-se na sua terra.

Nos pontos fortes destacou-se a localização geográfica do concelho, a riqueza dos recursos agrícolas, florestais e hídricos, as potencialidades turísticas, em especial nas áreas do turismo rural, da caça, da pesca e o rio Sorraia. A boa qualidade de vida, a qualidade dos recursos humanos e a abundância de inertes (areias, rochas e argila) foram considerados pontos fortes do concelho. A encerrar a sessão, o presidente da Câmara, Manuel Brandão, considerou que a desertificação humana do concelho é um facto, mas não com a gravidade descrita nos dados do último censo do INE que enferma de erros grosseiros, como o de dar como desaparecidas 300 habitações só na freguesia do Couço.

Sublinha que Coruche terá sempre na agricultura e sua grande riqueza e a condição primeira do seu desenvolvimento económico. Defende assim, a defesa intransigente das culturas tradicionais e a floresta do Vale do Sorraia, que constituem matéria prima fundamental para a industrialização do concelho.

Afirma que o concelho possui a maior rede viária do distrito, e também um grande número de estradas em terra batida, mas o principal problema reside nas acessibilidades exteriores, sendo urgente a construção do ICIO e do IC13. Admitiu a falta de promoção do concelho no exterior, a exemplo do que acontece também no distrito, e defèndeu que a região deverá ser mais agressiva neste domínio.

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  Entroncamento Pouca terra, pouca terra

O Entroncamento encontra-se no topo do distrito de Santarém nos vários indicadores sócio-económicos e apresenta-se até ao nível dos melhores do país. Mas, reduzido ao tamanho da cidade, o grande problema que se coloca ao concelho continua a ser a falta de espaço disponível.

Com uma população residente de 14.970 habitantes, segundo o Anuário Estatístico do INE de 1994, ou de aproximadamente 20 mil habitantes de acordo com a Câmara, o Entroncamento apresenta a maior densidade populacional do distrito, qualquer coisa como 1.093 habitantes por Km2 ou 1.600, conforme a fonte. A título de comparação, registe-se que a média nacional é de 108 habitantes/km2 e a média distrital é de apenas 66 hab./km2. O Entroncamento é também o concelho do distrito que teve o maior crescimento populacional entre 81 e 94, com um acréscimo de 25%, tendência que se tem acentuado nestes últimos anos, enquanto que o distrito perdeu em média 2,7% da sua população residente.

Notável é também a taxa de analfabetismo, de apenas 5,2%, de longe a mais baixa do distrito, e uma das seis melhores do País. O concelho ocupa ainda os melhores indicadores do distrito, superiores até à média nacional, no que respeita a população com nível de instrução (88,1 %), taxa de natalidade, índice de envelhecimento e coeficiente de dependência. Só a taxa de desemprego, embora seja a quarta melhor do distrito, é um pouco superior à média nacional.

Na distribuição da população activa por sectores, verifica-se a inexistência de gente a trabalhar na agricultura (0,5%), enquanto que o comércio e serviços dão emprego a uns esmagadores 85,57% da população e a indústria apenas 13,92%.

O primeiro ponto fraco do concelho referido nesta reunião foi a limitação do espaço territorial do concelho, com uma área de apenas 18 quilómetros quadrados, que impede o crescimento urbanístico e da zona industrial.

A juntar à falta de espaço surge o problema do seu mau aproveitamento. Este problema foi identificado pelos participantes do debate como sendo "fruto da falta de planeamento e que se traduz hoje num certo caos urbanístico".

Foram apontados vários problemas à zona industrial, nomeadamente nos acessos e infra-estruturas (água, Etar, etc.) que não servem as empresas em condições.

A solução para o de senvolvimento do concelho passa, na opinião de vários intervenientes, pela execução de vários projectos intermunicipais, em parceria com o Município de Torres Novas, conforme está previsto no plano estratégico do Eixo Torres Novas - Entroncamento.

A falta de mão de obra qualificada, a deficiente rede de estradas no interior do concelho e a excessiva dependência relativamente ao comércio foram apontados como pontos fracos.

Quanto aos pontos fortes, referiu-se a localização e as acessibilidades ao exterior, o facto de ter uma população jovem, a existência de um pólo de actividade militar e o caminho de ferro, que atraem população para o concelho, o dinamismo do sector do comércio e dos serviços e o elevado nível de instrução da população.

Em matéria de ensino superior e profissional o Entroncamento está bem servido com o Instituto Superior de Transportes, o Centro de Formação da Fernave e a Escola Profissional Gustave Eiffel.

No final, o presidente da Câmara do Entroncamento, José Cunha, aceitou a crítica à falta de planeamento, mas sublinhou que "infelizmente, essa é uma realidade do nosso País". Admitiu que essa falta de planeamento tem tido como consequência a estagnação e a falta de crescimento de negócios, em particular a indústria metalomecânica relacionada com o caminho de ferro que constitui a principal vocação do concelho. Ainda assim, aludiu ao projecto de uma nova zona industrial, a sul da actual, com uma área de 60 hectares, como sendo um investimento necessário ao concelho.

Quanto ao problema das acessibilidades internas lembrou que estão previstos, no PDM e no Plano Estratégico do Eixo Entroncamento - Torres Novas, vários novos acessos e vias circulares que irão beneficiar significativamente a circulação automóvel na cidade, bem como o acesso à nova zona industrial.

Aceitou as críticas ao regulamento da zona industrial, mostrando-se disponível para o melhorar, e afirmou estar atento aos problemas da zona industrial, garantindo que todas as infra-estruturas serão construídas.

Destacou ainda a importância para o concelho do Terminal Multimodal do Vale do Tejo, em instalação nos Riachos.

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  Ferreira do Zêzere A riqueza florestal

A riqueza de Ferreira do Zêzere está na floresta e nas potencialidades turísticas da Albufeira do Castelo de Bode. Mas os problemas são mais que muitos neste concelho da zona do Pinhal.

Ferreira do Zêzere está entre os três concelhos mais desfavorecidos do distrito de Santarém. Entre 81 e 94, a redução da população residente foi de 14,4%, sendo o terceiro concelho mais afectado por este problema. Registe-se a título comparativo que o distrito perdeu em média 2% da sua população entre 81 e 91 e 2,7% até 94. O envelhecimento é outro dos graves problemas de Ferreira do Zêzere, o quarto concelho mais envelhecido do distrito. Com 19% de analfabetos, este é o sexto concelho com a taxa de analfabetismo mais elevada e o quarto pior classificado em termos de população com nível de instrução. O único indicador em que Ferreira do Zêzere está bem situado é o da taxa de desemprego onde surge em terceiro lugar, com 7,22 por cento, a seguir a Ourém (3,77) e aAlcanena (4,24).

A distribuição da população activa pelos sectores de actividade dá-nos conta da importância da indústria no concelho, que dá emprego a 44,87% da população, um peso que só é superado no concelho de Alcanena onde 64,22 % da população trabalha na indústria. O sector do comércio e serviços é o segundo mais importante, com 32%, sendo o segundo concelho onde este sector tem menos importância comparativa. Ainda assim, a agricultura continua a empregar 22,22% da população.

Perguntados sobre qual o grande ponto fraco do concelho, os participantes desta reunião não hesitaram em apontar os maus acessos rodoviários como o grande estrangulamento ao desenvolvimento económico no concelho. Foi igualmente muito sentido o baixo nível de instrução, tendo muitos empresários notado a falta de quadros médios e superiores, assim como de mão de obra qualificada. Apesar da existência de uma escola de formação profissional no concelho, os participantes deste encontro consideraram a falta de ensino técnico-profissional como um ponto fraco do concelho.

Apesar da existência de nada menos que 22 empresas de construção civil no concelho, foi notado o facto de não existir de senvolvimento urbanístico no concelho, notando-se uma falta de mercado para absorver a capacidade produtiva do sector no concelho.

Destaque na lista de pontos fracos para a inexistência de uma zona industrial no concelho, muito embora todos tenham admitido que de nada vale uma zona industrial sem boas acessibilidades.

A população envelhecida e a falta de capacidade de atracção e de fixação dos jovens constitui um dos principais aspectos negativos num concelho ainda marcado por uma forte mentalidade rural e por uma falta de espírito associativo. A reunião concluiu pela falta de um plano integrado de desenvolvimento para o concelho, remetendo para a autarquia um papel de principal catalisador do desenvolvimento do concelho. A falta de formação dos empresários e o encerramento das empresas de cerâmica e de serração foram também referidos como pontos fracos.

À cabeça dos pontos fortes do concelho surgem as potencialidades turísticas, com destaque para a beleza paisagística, a albufeira do Castelo de Bode, o património histórico-cultural e a gastronomia. As potencialidades agrícolas surgem em segundo lugar.

A riqueza florestal do concelho foi considerada como uma das principais potencialidades do concelho. Foram ainda apontados como pontos fortes a existência de equipamentos sociais modernos e o grande afluxo de ferreirenses emigrados e migrados durante o Verão, o que fez subir para o dobro a população do concelho durante estes meses.

A fechar a sessão, o presidente da Câmara, Luís Ferreira, disse que "o concelho não é assim tão mau como o pintaram. Temos coisas muito boas, a começar pelas potencialidade turísticas e só foi pena que os investidores turísticos não tivessem descoberto o concelho há mais tempo".

Luís Ferreira recordou o quanto tem lutado pela construção de uma zona industrial, tendo a Câmara já adquirido os terrenos necessários. Afirmou, porém, que "todos os concelhos vizinhos têm zonas industriais, mas os lotes estão às moscas ou ocupados por barracões e meros armazéns.

Quanto aos acessos, foi já aprovado pela autarquia o estudo prévio apresentado pela Junta Autónoma de Estradas que permitirá melhorar o traçado da Estrada nacional, através da eliminação das temíveis curvas de Alviobeira.

Luís Ferreira considera que a existência de bons empresários é um dos pontos fortes do concelho. O autarca defence, porém, a diversificação industrial, por forma a permitir ao concelho sair da dependência das cerâmicas, das serrações e da construção.

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  Golegã Aposta no Multimodal

A economia da Golegã está dependente quase exclusivamente da agricultura e poucos se mostram preocupados com a diversificação do tecido empresarial do concelho. Uma excepção é a aposta da Câmara da Golegã no parque multimodal e, em especial, na zona de apoio logístico que poderá vir a ser um importante pólo de desenvolvimento empresarial da região.

No debate local foi defendida a instalação de boas agro-indústrias que aproveitem o enorme potencial agrícola da região, mas a falta de dinamismo concertado, a falta de espírito e cultura empresarial, e a falta de diversificação das actividades económicas do concelho acabaram mesmo por ser inscritas entre os pontos fracos. Foi defendida a necessidade de uma zona industrial entre os concelhos da Golegã, Torres Novas e Entroncamento, aproveitando a localização do Terminal Multimodal do Vale do Tejo, em Riachos.

A falta de atractivos à fixação dos jovens no concelho foi apontada como ponto fraco, notando-se que a Golegã é um dos concelhos mais envelhecidos do distrito. Com uma taxa de instrução inferior à média do distrito, o concelho apresenta também taxas de analfabetismo (15,8%) e de desemprego (13,05%) elevadas e mesmo superiores às do distrito. Comparativamente à média distrital, as estatísticas do concelho apontam ainda para uma elevada percentagem da população empregada no comércio e serviços (50,98%), e na agricultura (20,27%), enquanto que a percentagem do emprego na indústria é das mais reduzidas do distrito (28,75%).

Um empresário queixou-se da autarquia não apoiar nem sequer facilitar a fixação de empresas no concelho. Logo outro aproveitou para referir que "há uma pequena zona industrial, mas há falta de infra-estruturas, a começar pelos acessos que são péssimos". Notou-se igualmente a ausência de uma política de captação de investimentos, nomeadamente na área do agro alimentar.

A falta de acessibilidades foi considerada uma limitação ao desenvolvimento do concelho. E se uns lamentam a falta de um acesso directo ao IP6, para outros o problema é mesmo o corte das estradas pelas cheias, o que se poderia evitar com obras de alargamento e de levantamento do nível das estradas.

Já a precariedade da assistência médica no concelho mereceu a crítica unânime da assembleia. Notou-se a falta de estruturas turísticas e culturais (hotéis, residenciais e restaurantes para aproveitar a afluência de visitantes aos fins de semana), e a falta de aproveitamento das mais-valias que são criadas no concelho (os rendimentos são aplicados noutros concelhos). Foram sublinhadas igualmente as limitações orçamentais da autarquia, sendo o concelho do distrito que menos verbas recebe do Fundo de Equilíbrio Financeiro (a única fonte de receitas do Município) e 70% do orçamento municipal é absorvido pelas despesas com pessoal.

Nos pontos fortes foram sublinhados os recursos naturais, como a Reserva Natural do Paúl de Boquilobo, a riqueza dos solos agrícolas, a proximidade do Tejo, a beleza da paisagem... O património cultural foi considerado um ponto forte do concelho, destacando-se a existência dos museus Carlos Relvas (fotografia) e Martins Correia (pintura e escultura). Na opinião dos participantes desta reunião, a riqueza agrícola do concelho, onde se obtêm produtividades acima da média europeia, justificariam a criação de um estabelecimento de ensino profissional agrícola no concelho. A localização geográfica, a proximidade do futuro Multimodal e a Feira Nacional do Cavalo, com todos os valves tradicionais que representa, como o cavalo, o touro e o campino, foram considerados igualmente pontos fortes. O associativismo agrícola, o elevado potencial para o desenvolvimento de actividades turísticas, e as perspectivas de proximidade às grandes vias de acessibilidade foram apontados como factores positivos para o desenvolvimento empresarial no concelho.

O presidente da Câmara da Golegã aceitou a caracterização feita ao concelho e lamentou a falta de fóruns de discussão dos problemas no concelho. Quanto às acessibilidades, afirma que a variante de Riachos não irá beneficiar a Golegã, continuando a ser necessário um acesso directo ao IP6. Manifestou-se confiante em que a construção do IC3 irá melhorar significativamente as acessibilidades do concelho. Lembrou o quanto se tem batido pela criação de novas infra-estruturas hoteleiras no concelho, lamentando a falta de apoios do Governo aos projectos apresentados. Apontou ainda a necessidade de levar por diante o projecto nacional de regularização do Tejo. Manifestou esperança em que o centro rural apoiado pelo programa Leader posse vir a beneficiar alguns projectos no concelho ligados à Feira do Cavalo. Assumiu o compromisso quanto à resolução do problema do abastecimento de água da Golegã a partir do furo da Azinhaga, assim como irá dar prioridade à repavimentação das estraadas do concelho, muito danificadas durante estes anos pela obras de saneamento.

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  Mação A luta contra a desertificaçao

Mação é um dos concelhos mais afectados pela desertificação humana e pelo atraso econórnico. A reunião com o empresariado local enumerou um longo rol de estrangulamentos que afectam o concelho.

O debate abriu com José Eduardo Carvalho, presidente do Nersant, a manifestar-se preocupado por se terem agravado nestes últimos anos as assimetrias dentro da nossa região, surgindo como concelhos-problema o já referido Mação, a par de Sardoal, Ferreira do Zêzere e Chamusca. Uma situação que, na opinião de José Eduardo Carvalho, urge combater com todos os meios e o Nersant está a dar o seu contributo.

Os indicadores do concelho de Mação apresentam-se bastante preocupantes. A taxa de analfabetismo situa-se em 22,3. O indice de envelheeimento ascende a 225,1%, o mais elevado do distrito.

Sem uma tradição industrial, Mação continua a não ser um local atractivo para os empresários virem aqui investir.

Na opinião dos participantes deste debate, "é fundamental que o IP6 avance até Mação e as obras não sejam mais proteladas". A falta de formação dos quadros das empresas, o afastamento dos centros de decisão dos serviços públicos, e a inexistência de um espirito de associativismo foram apontados como pontos fracos. A falta de informação sobre apoios e subsídios comunitários, a estrutura minifundiária, a inexistência de uma escola profissional e o divórcio escola-empresa são outras tantas desvantagens do concelho.

Entre os pontos fortes do concelho destacam-se a floresta e as potencialidades turísticas. O povo hospitaleiro, a gastronomia, a excelente situação ambiental constituem trunfos a jogar no sector do turismo, um sector ainda por explorar. Quanto à floresta, defende-se um melhor aproveitamento dos recursos, através da diversificação de actividades e da introdução de mais-valias nos produtos.

Outro ponto forte é o grande apego à terra por parte dos naturais de Mação, ao ponto de se poder contar com o seu regresso ao concelho, logo que existam condições para a sua fixação.

Elvino Pereira, o presidente da Câmara de Mação, anunciou nesta sessão a criação de um gabinete municipal de apoio aos empresários, iniciativa que virá juntar-se a um conjunto de medidas de apoio à actividade empresarial neste concelho onde existem duas zones industriais com terrenos infraestruturados e disponibilizados pelo Município a um preço simbólico de 1 $00/m2, e outros grandes apoios às empresas como a isenção e redução de pagamento de taxas, licenças e impostos municipais.

Com seis unidades de transformação de carnes, boas serrações de madeiras, e uma fábrica de lanifícios, o concelho regista uma grande carência de infra-estruturas hoteleiras que permitam aproveitar o seu enorme potencial turístico, beneficiando das excepcionais condições naturais da floresta.

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  Ourém Pleno emprego

Com a mais baixa taxa de desemprego do distrito, o concelho de Ourém regista uma grande dinâmica empresarial. Com 40.680 habitantes, o concelho de Ourém está a conseguir travar o decréscimo populacional registado entre os censos de 81 e 94. Ourém debate-se com uma grande taxa de analfabetismo (16,9%) e uma baixa percentagem de população com nível de instrução (76,7%). Na distribuição do emprego por sectores verifica-se que o comércio e serviços ocupa 44,62% da população, logo seguido da indústria com 41,96%, e a agricultura apenas 13,42%. As indústrias da madeira e do mobiliário assumem um lugar destacado na indústria transformadora do concelho, sendo digna de destaque a importância do núcleo industrial de Vilar dos Prazeres.

O debate manifestou a preocupação dos empresários quanto ao baixo nível tecnológico da generalidade das indústrias. Outra preocupação generalizada diz respeito à falta de mão de obra especializada. Os empresários reclamam a criação no concelho de um instituto superior das madeiras, a exemplo do que existe em Viseu.

Muitos empresários lamentaram a pouca disponibilidade de mão de obra e a elevada taxa de absentismo sazonal no concelho, situação atribuída ao facto da maioria dos operários da indústria manter um forte vínculo à agricultura, como forma de aumentar os rendimentos. Foi lamentada a falta de tradição industrial do concelho e a mentalidade rural dos operários que torna impossível, por exemplo, o trabalho por turnos em qualquer fábrica do concelho.

As falhas na distribuição de energia eléctrica constituem um dos principais motivos de queixa dos industriais. Nota-se igualmente uma falta de espírito associativo, embora em Vilar dos Prazeres já se verifique algum espírito de cooperação entre empresas.

A rede viária interna, em especial as ligações ao norte do concelho, foi considerada deficiente, assim como foi salientada a falta de zonas industriais infraestruturados no concelho. Foi defendida a necessidade de uma ligação mais rápida a Leiria, considerando prioritária a construção do IC9.

Foi sublinhada a importância da indústria da construção civil e do turismo. Fátima recebe 5 milhões de visitantes por ano, e embora a hotelaria já tenha um grande peso na economia do concelho, defence-se que este fluxo de visitantes deve ser melhor aproveitado, com a criação de mais oferta turística e um maior desenvolvimento das indústrias do sector.

Os participantes no debate consideram que Ourém encontra-se desprotegido em matéria de saúde, tendo sido defendida a melhoria de condições de funcionamento do actual centro de saúde e das extensões de saúde nas várias freguesias.

A exploração intensiva da floresta do concelho levanta preocupações ao representante da Quercus no concelho, enquanto alguns industriais lamentaam o mau aproveitamento da matéria-prima e a substituição progressiva do pinhal pelo eucaliptal, correndo-se o risco a prazo de escassear madeira para as indústrias do concelho.

Quanto aos pontos fortes do concelho, não houve dúvidas em register o dinamismo empresarial, as potencialidades turísticas e a existência de importantes fluxos de capital da emigração. Foi defendida a criação de um gabinete de apoio ao investidor.

Outros pontos fortes apontados nesta reunião referem-se à localização geográfica, à qualidade de vida, à apreciável capacidade económica, ao espírito associativo, à estabilidade laboral, à existência de uma boa escola profissional e de uma zona industrial, os nichos agrícolas e um forte sector da construção civil.

No final, o presidente da Câmara de Ourém, David Catarino, concordou com o retrato do concelho traçado nesta reunião, e deu conta das suas preocupações quanto à deficiente rede de energia eléctrica e à existência de jovens licenciados desempregados. "Neste momento, a prioridade da Câmara não é oferecer terrenos para as empresas - já construímos uma zona industrial - mas sim apoiar a actividade das empresas já existentes, através da construção do centro empresarial e negócios e de um centro de congressos que perrnita dinamizar o turismo na época baixa. Lançou o desafio à constituição de um consórcio entre capita1 privado e público. Falou ainda do projecto de construção de uma central de biomassa, para aproveitar os desperdícios das indústrias de madeiras e mobiliário e os produtos da limpeza das matas. Manifestou a sua preocupação pelo avanço desordenado da eucaliptização no concelho, sendo as plantações feitas ilegalmente. "Só o tribunal é que pode mandar arrancar os eucaliptos, mas quando o faz já eles foram cortados e levados para a fábrica..."

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      (1) in Suplemento do jornal "O Ribatejo" de 20/3/97
     
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