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O espelho do Concelho: pontos fracos e fortes
Os pontos fortes e fracos de cada concelho.
Um retrato do distrito, segundo as reuniões preparatórias do Congresso Empresarial da Região de Santarém, promovido pelo
Nersant. (1)
   
       
     

 
  Rio Maior À espera do IP6

Rio Maior foi um dos concelhos do distrito que viram a sua população crescer nas décadas de 80 e 90, apresentando ainda dos melhores indicadores de desenvolvimento económico. Ainda assim, os participantes no debate local entendem que o concelho atravessa um impasse e reclamam o avanço das obras do IP6 e uma melhor formação profissional.

Com uma população de aproximadamente 20 mil habitantes, o concelho de Rio Maior registou um aumento da população residente de 0,8% entre 81 e 94. O concelho apresenta outros indicadores positivos, como as taxas de analfabetismo e de de semprego inferiores à média do distrito. É um dos concelhos do distrito onde a indústria transformadora tem mais peso, ocupando 40,81% da população activa. A indústria agro-alimentar, a metalomecânica e os minerais não metálicos são as indústrias mais importantes no concelho. O comércio e os serviços ocupa 39% da população empregada, sendo Rio Maior um dos concelhos onde este sector tem menos peso relativo. A agricultura continua a ter um grande peso no concelho, sendo responsável por 20% do emprego no concelho.

No debate sobre os pontos fracos do concelho, foi apontada a falta de promoção das potencialidades do concelho junto dos potenciais investidores. Considera-se negativo para a economia do concelho a excessiva dependência de duas ou três áreas de actividade. Por exemplo, qualquer crise no sector da suinicultura afecta gravemente todo o concelho. Foi sublinhada também a necessidade de uma maior articulação entre as escolas e as empresas e a falta de formação profissional adequada às necessidades das empresas.

O facto do Gabinete de Apoio ao Empresário não ter ainda passado do papel foi referido como ponto negativo. Defendeu-se também a necessidade de criação de infra-estruturas e inventivos aos jovens empresários para a fixação de novas empresas e a criação de um centro de desenvolvimento empresarial no concelho.

Os empresários consideram que a falta de conclusão das obras do Itinerário Principal n°6 (IP6) compromete o desenvolvimento do concelho. Quando estiver concluido, o IP6 deverá ligar Peniche a Castelo Branco com ligação à fronteira com a Espanha. Neste momento apenas está concluído o troço entre o nó da auto-estrada em Torres Novas e Abrantes.

Quanto aos pontos fortes do concelho destacam-se a localização geográfica estratégica, os recursos naturais, a qualidade de vida, os recursos humanos, as excelentes infraestruturas desportivas, a boa rede escolar, a riqueza da gastronomia local, e as condições para o desenvolvimento do turismo e do mercado de segunda habitação.

As potencialidade turísticas foram quase sempre esquecidas. E, no entanto, o concelho tem o Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, tem um dos melhores campos de golfe da Europa, tem excelentes unidades de turismo rural, tem as Marinhas de Sal. Nas potencialidades agrícolas foi sublinhado o grande trabalho que está a ser desenvolvido no concelho no sentido de aumentar a área de regadio em 2.600 hectares e no emparcelamento rural abrangendo já um número significativo de agricultores em várias freguesias do concelho.

Na intervenção final, o presidente da Câmara de Rio Maior salientou que "Rio Maior encontra-se entre os quatro concelhos com mais dinamismo económico do distrito, pelo que não se justifica cairmos no miserabilismo". Essa dinâmica empresarial do concelho está bem patente no facto do número de empresas ter crescido 116,5% entre 1985 e 1993, enquanto que a média do distrito ficou pelos 55,7%. Sublinhou o crescimento da população entre os Censos e o facto do concelho registar uma das taxas de desemprego mais baixas do distrito. Manifestou satisfação por não se ter falado da falta de estabelecimentos de ensino. Aproveitou para divulgar que está para breve a vinda para Rio Maior de um pólo do Instituto Politécnico de Santarém na área do desporto. Referiu que mais de 90% dos jovens formados na Escola Profissional de Rio Maior têm conseguido colocação imediata no mercado de trabalho, devido ao facto dos cursos serem escolhidos pelas associações comercial, industriais e de agricultores, em colaboração com a autarquia. Considera que o concelho poderá beneficiar de um forte impulso no seu desenvolvimento, caso a escolha do local para o novo aeroporto recaia na Ota em vez do Montijo. Sobre a construção do IP6, Silvino Sequeira recordou que já foi publicado o seu estudo prévio no Diário da República, estando definida a construção de três nós de acesso no concelho.

O autarca comprometeu-se a empenhar-se em conjunto com as restantes entidades envolvidas, na dinamização do Gabinete de Apoio ao Empresário, considerando necessário "lutar pela formação dos empresários e pelo desenvolvimento de uma mentalidade empresarial no concelho".

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  Salvaterra de Magos Criar uma zona industrial

A falta de acessibilidades e a inexistência de uma zona industrial no concelho constituem os grandes estrangulamentos ao desenvolvimento de Salvaterra de Magos. Estes os principais problemas apontados pelos empresários locais.

Nesta reunião, verificou-se a elevada dependência do concelho relativamente ao sector agrícola, actualmente a atravessar uma fase de disponibilização de mão de obra devido à mecanização, a par da falta de vocação industrial do concelho que obriga a população a procurar trabalho em concelhos vizinhos.

Os empresários estão preocupados com a falta de formação profissional e defendem que o Centro de Emprego deverá ser dotado de melhores infra-estruturas, além de que os cursos actualmente existentes não são aqueles que o concelho mais necessita.

A falta de associativismo é um dos pontos fracos do concelho, em especial na agricultura, onde se nota e falta de estruturas comerciais para escoar os produtos locais. Do mesmo modo, o artesanato local, onde merecem lugar de destaque os bordados da Glória do Ribatejo, sofre com a falta de uma estrutura comercial. Considera que o Centro de Emprego devia estimular o aparecimento de projectos neste sector da comercialização, que poderiam beneficiar de apoios através do Programa Escola Oficina.

Nos pontos fortes do concelho, destacam-se as potencialidades nos sectores dos serviços e do turismo, devido às boas condições ambientais do concelho. O papel da Escola Profissional de Salvaterra de Magos mereceu o elogio dos participantes. Foi igualmente sugerida uma maior atenção à vocação agrícola e florestal do concelho, que constituem pontos fortes. A disponibilidade de espaços a preços acessíveis e a grande potencialidade para a actividade imobiliária foram referidas como pontos fortes do concelho.

O presidente da Câmara de Salvaterra de Magos, José Gameiro dos Santos, admitiu, na sua intervenção, que "o diagnóstico feito nesta reunião está muito próximo da realidade, à excepção do saneamento básico que dentro de apenas 3 anos estará a 100 % em todo o concelho". Destacou como "a grande vantagem comparativa do concelho a inexistência de poluição ambiental". O autarca considera urgente dotar Salvaterra de melhores acessibilidades, sublinhando que "a acessibilidade é proporcional ao desenvolvimento dos concelhos.

Concordou com as críticas à falta de uma zona industrial para atrair novas empresas e investimentos, mas refere que a obra se atrasou devido a dificuldades no processo de aquisição dos terrenos. Trata-se de um investimento de 250 mil contos.

José Gameiro dos Santos defende que "a autarquia tem a obrigação de criar condições atractivas para as empresas investirem, através não só da criação de infraestruturas como a zona industrial, mas também com incentivos, nomeadamente a redução das taxas e licenças e apoios na elaboração das candidatures aos programas comunitários".

Manifestou-se optimista quanto ao futuro, tendo em conta que Salvaterra é um dos concelhos do distrito abrangidos pelo Sistema de Incentivos Regionais, o que poderá incentivar o investimento nesta zona.

Do mesmo modo considerou que o concelho irá beneficiar muito das novas acessibilidades anunciadas, como o IC3, a Ponte Vasco da Gama em Lisboa, a nova Ponte sobre o Tejo em Santarém, e o novo aeroporto na Ota ou no Montijo. O presidente da Câmara destacou a evolução muito positiva que o sector da educação tem beneficiado nestes últimos anos e onde se destaca o trabalho da Escola Profissional de Salvaterra.

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  Santarém O espelho do distrito

O concelho de Santarém é bem o espelho do distrito, com os indicadores sócio económicos a situarem-se na média da região. Um concelho em perda de população - embora com a idade a crescer-, uma agricultura em declínio, uma indústria pouco dinâmica e um sector de comércio e serviços com grande peso, mas em crise.

Com 61.710 habitantes, o concelho de Santarém perdeu 1,9% da sua população entre 81 e 94, valor que corresponde à média distrital. O envelhecimento da população do concelho é superior à média nacional e até mesmo do distrito. A taxa de analfabetismo (12%) é inferior à do distrito. A população do concelho apresenta um índice de instrução superior ao distrito e idêntico à média nacional.

Quanto à ocupação da população empregada por sectores, verifica-se o predomínio do comércio e serviços que emprega 57,42% da população empregada, sendo o concelho do distrito onde o sector terciário assume maior peso relativo, sendo superior até à média nacional. Segue-se a indústria que dá trabalho a 33% da população empregada do concelho. As indústrias de minerais não metálicos assumem a primazia na criação de emprego e o segundo lugar no volume de negócios. As indústrias de alimentação apresentam no concelho o maior volume de negócios e o segundo lugar na criação de emprego. Outros sectores com forte peso são a fabricação de máquinas não eléctricas, a construção de material de transporte, e as artes gráficas e edição de publicações. A agricultura ocupa o último lugar, com apenas 9,61% da população empregada do concelho, valor inferior à média distrital (15,44%) e nacional (10,8%).

Os participantes do debate identificaram entre os principais pontos fracos do concelho a falta de qualificação profissional e de articulação entre a escola e a empresa, assim como se considera haver um fraco espírito e dinamismo empresarial, excepção feita para as freguesias de Amiais, Pernes e Alcanede, com as quais a cidade apresenta um défice de articulação. A débil estrutura das empresas e inexistência de indústrias de peso com efeitos multiplicadores no tecido empresarial concelhio foram considerados pontos negativos. Criticaram-se os maus acessos no interior do concelho, em especial na ligação às freguesias mais industrializadas. Foi notada a falta de lobby do concelho. Os empresários apontaram como ponto fraco do concelho a inexistência de terrenos disponíveis para a instalação de indústrias, uma vez que a actual zona industrial está esgotada e não existem alternativas. O desaproveitamento dos recursos hídricos e o abandono a que o Tejo tem sido votado foi considerado negativo pelos participantes do debate.

A existência de um forte ensino superior em Santarém surge à cabeça dos pontos fortes enumerados pelos participantes neste debate. Santarém possui potencialidades agrícolas, turísticas e beneficia de excelentes acessos ao exterior e de uma privilegiada situação geográfica. Foi sublinhada a boa qualidade de vida que se destruta em Santarém, o bom parque habitacional, e a existência de boas infra-estruturas sócioeconómicas, culturais e cientificas, como o Cnema-Centro Nacional de Exposições e a EZN-Estação ZootécnicaNacional, entre outras. A candidatura de Santarém a património mundial, baseada na riqueza do património monumental, aliada à paisagem, foi considerada uma grande potencialidade em termos projecção da imagem de Santarém para o exterior e com o consequente desenvolvimento turístico do concelho. Foram também referidas as potencialidades do concelho como centro de serviços e de distribuição, e na fileira alimentar, nomeadamente na indústria agroalimentar e nos serviços avançados de apoio à produção agrícola da região.

O presidente da Câmara de Santarém, José Miguel Noras, manifestou preocupação pela redução da actividade agrícola no concelho, com reflexos no declínio do mundo rural, na desertificação humana e ecológica das zonas rurais. Um panorama que afecta todo o interior do país, em consequência da Política Agrícola Comum que não deu a devida atenção aos pequenos e médios agricultores e à especificidade da nossa agricultura. José Miguel Noras mostrou-se igualmente preocupado com a crise que afecta o comércio local.

Como forma de inverter este cenário de declínio, o autarca considera necessário tirar partido das acessibilidades e da localização do concelho, aproveitando a proximidade da área metropolitana de Lisboa para transformar Santarém como um grande centro de negócios, centro de distribuição e centro administrativo. Apontou ainda o património cultural e monumental, as potencialidades turísticas e o Tejo como grandes pontos fortes de Santarém. Aproveitou para manifestar o seu optimismo quanto à evolução positiva da candidatura de Santarém a património mundial. Sobre a falta de terrenos disponíveis para a instalação de indústrias, o autarca referiu que a Câmara deverá accionar o direito de reversão dos lotes da zona industrial em que os proprietários ultrapassaram os prazos de construção. Defendeu a existência de um tecido empresarial diversificado, com a introdução de novas actividades e apontou a zona de Abrã e de Amiais de Cima como bom exemplo da cultura empresarial, sendo actualmente a área mais dinâmica do concelho em termos de indústria.

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  Sardoal O peso da interioridade

Apesar da existência de uma zona industrial e de bons acessos, Sardoal está entre os quatro concelhos do distrito que mais sofrem os problemas da interioridade e da desertificação humana. Os indicadores sócio-económicos do concelho identificam um concelho ameaçado pela desertificação humana. O Sardoal registou, entre 1981 e 1994, uma perda de 16,2% da população residente, percentagem que o coloca como segundo concelho mais afectado no distrito por este problema. O concelho ocupa idêntica posição no índice de envelhecimento (180.3).

Menos negativos são os indicadores referentes ao analfabetismo (15,4%), nível de instrução da população (79%) e taxa de desemprego (10,8%), onde o concelho surge sempre a meio da tabela, embora com valores ainda preocupantes e acima da média nacional.

Nos dados sobre a distribuição da população activa por sectores destaca-se o facto da agricultura ser actualmente o sector com menor peso (10%). Comparativamente ao distrito, o Sardoal é o terceiro concelho onde a indústria tem maior peso relativo na ocupação da mão de obra, sendo responsável por 44% do emprego, e o comércio e os serviços são já o sector mais importante no concelho, com 45,ó% do emprego.

No debate identificaram-se à cabeça dos pontos fracos do concelho a falta de mão de obra qualificada e a destruição dos recursos florestais do concelho pelos incêndios. Nota-se a incapacidade de fixar os jovens e a falta de atractivos para atrair e fixar a população. Regista-se mesmo a continuação de grandes níveis de emigração para a europa, devido à crise na fileira florestal no concelho.

A falta de desenvolvimento industrial, e a fraca capacidade de alojamento hoteleiro foram também apontados como pontos fracos do concelho. A esmagadora maioria dos presentes considerou que o Plano Director Municipal (PDM) é limitativo ao desenvolvimento da construção no concelho, e não reflecte a realidade do concelho. Muito criticada foi também a falta de infraestruturas de cuidados de saúde no concelho, assim como a falta de ensino técnico-profissional. A interioridade do concelho foi o derradeiro ponto fraco deste debate, com os empresários a queixarem-se dos custos acrescidos de ester no interior do país.

Foram apenas três os pontos fortes do concelho referidos por esta assembleia: potencialidades turísticas (património arquitectónico, arte sacra, as condições naturais e a paisagem, o turismo rural e a gastronomia); os recursos agrícolas, florestais e hídricos; e o empenhamento da população e dos empresários em projectos comunitários.

A encerrar o encontro, o presidente da Câmara do Sardoal, Fernando Moleirinho, sublinhou a importância da zona industrial como factor de atracção das empresas, adiantando que a actual zona já começa a ser pequena, face à quantidade de pedidos que dão entrada na autarquia.

Em resposta às críticas feitas ao PDM, Fernando Moleirinho adrnite existirem problemas que terão de ser corrigidos. Afirma, porém, que o PDM é fundamental ao ordenamento do concelho, colocando limitações necessárias: "As pessoas não podem construir onde querem. Existem espaços destinados à construção e a própria autarquia tem loteado terrenos para construção a preços acessíveis, não é por falta de terrenos para a construção que as pessoas se vão embora do concelho".

Sobre as carências na área da saúde, anunciou que em 97 vai arrancar a construção do novo centro de saúde do Sardoal e do novo posto médico de Alcaravela.

Na área da educação, destaca o facto do Sardoal ser um caso praticamente único no País, com todas as crianças do concelho a frequentarem a pré-prirnária.

O presidente da Câmara do Sardoal sublinhou que o concelho está no centro do país, com bons acessos através do IP6, com uma boa rede de estradas no interior do concelho, e acesso ao caminho de ferro. Fernando Moleirinho aproveitou para divulgar o projecto da barragem da Lapa, que considera ser um empreendimento fulcral e decisivo para o desenvolvimento turístico do concelho, ao mesmo tempo que permitirá abastecer o concelho de água em quantidade e qualidade, e produzir energia eléctrica. O projecto encontra-se já aprovado no âmbito do sub-programa B do II Quadro Comunitário de Apoio, devendo receber uma comparticipação de 55%, qualquer coisa como 471 mil contos, faltando agora conseguir um apoio de 35% do Ministério do Ambiente, cabendo à autarquia os restantes 10%.

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  Tomar Lobby precise-se

Falta de espírito associativo e de profissionais qualificados, maus acessos, ensino e formação profissional desligados das empresas, e falta de um lobby tomarense que influencia as decisões a favor do concelho. Estes os principais pontos fracos atribuídos ao concelho de Tomar, na reunião do Congresso Empresarial da Região de Santarém.

Os indicadores sócio-económicos divulgados no início da reunião apontam para um concelho com uma acentuada perda de população, entre 1981 e 1994. Tomar perdeu 6,4% da população residente naquele período, superior à média distrital (-27%). A taxa de analfabetismo e de população com instrução no concelho são melhores que as da média distrital, mas ainda piores que a nacional.

Quanto à ocupação da população activa, regista-se a grande importância do comércio e serviços que dão emprego a 55,59% da população, seguindo-se a indústria com 37% e em último lugar a agricultura com apenas 7%. Salienta-se o peso das quatro indústrias de papel no concelho, não só em volume de emprego, mas também no volume de negócios, no conjunto de toda a indústria transformadora do concelho.

A falta de espírito associativo empresarial foi o primeiro ponto fraco lançado na reunião, havendo ainda a lamenter a fraca ligação dos empresários à Escola Superior de Tecnologia de Tomar. Os empresários queixam- se da falta de profissionais qualificados.

Mas o principal ponto fraco do concelho são mesmo as acessibilidades, tendo sido muito criticado o atraso da execução do Plano Rodoviário Nacional, com destaque para o IC3. Há quem defenda que este problema dos acessos se deve à falta de lobby do concelho, à incapacidade da elite política e empresarial tomarense influenciar as decisões, considerados pontos fracos do concelho. De caminho, atribuiu-se o retrocesso do concelho à deficiente cultura económica e ao predominio de uma cultura do doutor que afasta os jovens do mercado de trabalho, colocando-os muito acima da real capacidade do mercado de emprego tomarense.

Foi referida a falta de qualificação profissional da maioria dos desempregados , oriundos do comércio e serviços, problema que os impede de aceder aos empregos existentes. Tudo por culpa das "instituições que trabalham na área da formação e também dos empresários que ainda não consideram a formação como um investimento produtivo, imperando o tradicionalismo na prática da gestão de recursos hurnanos".

Quanto aos pontos fortes, todos estiveram de acordo em dar a primazia à riqueza das potencialidades turísticas do concelho, em todas as vertentes, desde o património cultural, as paisagens, a albuteira do Castelo de Bode, os vinhos, a ruralidade. Outro ponto forte consensual é a localização geográfica no centro do País, bem como a disponibilidade de mão de obra e a existência de uma boa rede escolar, em especial no ensino médio e superior.

A palavra final do debate coube ao presidente da Câmara de Tomar. Pedro Marques elogiou a iniciativa do Nersant, considerando úteis as mensagens e os contributos colhidos neste debate "sério, rigoroso, de pessoas interessadas no desenvolvimento do concelho". Concordou com a necessidade de um lobby por Tomar, assim como lamenta igualmente a burocracia do País. Sublinhou que o Hotel dos Templários, onde esta reunião do Congresso se realizou, constitui um ponto forte do concelho, ao qual se deve a realização aqui do encerramento do Congresso da Região, em Março. Do mesmo modo, considera a cidade e a qualidade de vida oferecida como pontos fortes do concelho. Admite que a falta de pequena e média indústria é um ponto negativo.

Lamentou, porém, "um certo negativismo que leva a que tenham sido mais os pontos fracos que os pontos fortes" enumerados nesta reunião. "Esta reflexão não deverá parar e devemos associar-nos em torno das grandes questões do desenvolvimento do concelho", defendeu Pedro Marques.

O presidente da Câmara afirma que o Instituto politécnico de Tomar, o Centro de Formação Profissional e a Escola Profissional têm condições para serem grandes pontos fortes do concelho. Assim se saibam aproveitar...

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  Torres Novas Captar novos investidores

Em Torres Novas faltam espaços infraestruturados para acolher navas empresas, aproveitando a procura registada nestes últimos anos, fruto das excelentes acessibilidades e da localização geográfica do concelho.

Torres Novas surge bem colocado no conjunto dos 21 concelhos do distrito, nos vários indicadores sócio-económicos. Embora tenha perdido 0,3% da sua população residente, tendência acentuada nesta década de 90, o concelho surge ainda bastante melhor que a média do distrito, onde se perdeu 2,7% da população. Torres Novas surge a meio da tabela distrital no que respeita ao envelhecimento da população. Mais favoráveis são as taxes de analfabetismo e da percentagem da população com nível de instrução, onde o concelho surge colocado em terceiro lugar.

Quanto à distribuição da população empregada por sectores, verifica-se a preponderância do comércio e serviços (52,48%), seguido da indústria (41,26%), enquanto que a agricultura está reduzida a uns 6,26% da população empregada. Porém, numa análise às sociedades com sede no concelho verifica-se um maior peso da indústria transformadora quer no número de empregos gerados, quer no volume de negócios. Na indústria transformadora verifica-se o maior peso dos têxteis, da fabricação de máquinas não eléctricas, das indústrias de alimentação e das indústrias do papel.

No debate sobre o pontos fracos do concelho, os participantes da reunião colocaram à cabeça a falta de espaços infraestruturados para a instalação de novas empresas, sendo certo que tem havido uma grande procura, fruto das boas acessibilidades e da localização do concelho no centro no País. Uma situação que tem obrigado a Câmara a enveredar por soluções onerosas para poder acolher novas indústrias.

As deficientes acessibilidades internas foram criticadas, tendo havido ainda alguma discussão sobre a falta de lugares de estacionamento no centro da cidade. Concluiu-se pela falta de atractivos do comércio local, o que coloca os comerciantes torrejanos numa posição de alguma desvantagem relativamente ao vizinho Entroncamento.

O quarto ponto fraco do concelho é a escassez de oferta de formação técnico-profissional contínua para activos. É que embora o concelho possua uma boa escola profissional e várias outras entidades que garantem uma boa oferta em matéria de formação profissional inicial, não existe suficiente oferta de formação para as pessoas que estão empregadas. De caminho, os participantes do debate defenderam a necessidade de instalação em Torres Novas de um pólo tecnológico do ensino politécnico.

Em sexto lugar surge a ausência de espírito de cooperação empresarial e de dinamismo associativo. A falta de cultura de empresa e de perspectiva social da empresa foram referidas por um dos participantes.

Foi igualmente sentida a falta de projectos de peso que possam ter um efeito multiplicador no tecido empresarial à sua volta, ao mesmo tempo que foi criticada a falta de informação sobre as potencialidades sub-aproveitadas no concelho na área agro-florestal.

Nos pontos fortes do concelho, destacou-se a localização geográfica estratégica, as acessibilidades ao exterior, o elevado índice de instrução da população, o dinamismo empresarial, a tradição industrial e os recursos naturais (pese embora o seu subaproveitamento). A existência do Nersant e da ACIS foram considerados pontos fortes do concelho, assim como as suas infraestruturas sociais que conferem a Torres Novas um estatuto de pólo de atracção sobre os concelhos vizinhos. Em último lugar foi referido o parque multimodal de Riachos.

Em substituição do presidente da Câmara, ausente por motivos pessoais, o vereador Pedro Vieira sublinhou a importância e oportunidade desta iniciativa do Nersant, dado o interesse em se ouvir as forças vivas do concelho sobre o desenvolvimento da região. O vereador destacou o facto do concelho surgir bem posicionado nos principais indicadores sócio-económicos. Entre os pontos fortes do concelho, considerando o aumento do número de empresas um sinal de desenvolvimento. Manifestou preocupação com o défice de oferta de formação para activos. Sobre o espírito associativo, o autarca considera que o problema não é a sua falta, mas sim o mau funcionamento das associações e o facto de funcionarem fechadas sobre si próprias. Destacou igualmente as enormes potencialidades do concelho na área do turismo, pese embora o sub-aproveitamento dos recursos naturais do concelho, como sejam o património histórico-cultural e paisagístico, o Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, entre outros.

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  Vila Nova da Barquinha A galinha da vizinha

Vila Nova da Barquinha não tem conseguido contrariar a atraccão exercida pelos concelhos vizinhos do Entroncamento e Constância, assim como não tem mostrado capacidade de captar novos investimentos.

Sobre os principais indicadores sócioeconómicos do concelho, importa referir que Vila Nova da Barquinha foi dos concelhos do distrito que perdeu mais população entre 81 e 94. Vila Nova da Barquinha perdeu 7,5% da sua população, valor bastante superior à média do distrito de Santarém que ainda assim perdeu 2% da população em 10 anos.

Com uma taxa de desemprego superior à do distrito, o concelho apresenta ainda a segunda maior densidade populacional do distrito, logo a seguir ao vizinho Entroncamento. A taxa de analfabetismo, 9,7%, é inferior à média do distrito e também do País. A esmagadora maioria da população activa está no sector do comércio e serviços (72,4%). A indústria ocupa 23% da população activa e apenas 3,7% vive da agricultura.

No debate sobre a situação actual do concelho, concluiu-se que Vi la Nova da Barquinha apresenta como principais pontos fracos a falta de habitação, embora existam muitas casas desabitadas e a degradarem-se. A proximidade do grande núcleo urbano do Entroncamento foi apontada como negativa para o concelho, levando a população da Barquinha a trabalhar e comprar naquele concelho vizinho. A grande concorrência dos hipermercados sobre o comércio tradicional foi também referida como ponto fraco do concelho.

A falta de capacidade de atracção de novas empresas e até mesmo de reter as existentes foi muito criticada nesta reunião, tendo sido referida a transferência de várias empresas para concelhos vizinhos, como foi o caso da Dário Honório que deslocou as suas instalações fabris para a zona industrial de Constância. Os participantes do debate destacaram a inexistência de uma zona industrial no concelho, ponto negativo a somar à falta de tradição empresarial e industrial. O debate concluiu que o Polígono militar de Tancos já funcionou como pólo de desenvolvimento no concelho, mas está a perder essa importância, devido à tendência de diminuição da actividade na zona.

O ex-libris do concelho, o Castelo de Almourol, figura entre os pontos fracos do concelho, devido ao facto deste monumento se encontrar sob a tutela militar, não podendo ser devidamente explorado do ponto de vista turístico.

Quanto aos pontos fortes, foram mencionados seis: bons atractivos turísticos (Rio Tejo, Castelo, Zona Ribeirinha, Turismo Rural e de Habitação, etc); as excelentes acessibilidades através do IP6 e IC3, e do Caminho de Ferro; a riqueza da gastronomia e do artesanato; a possibilidade de aproveitamento da Base Aérea de Tancos para a aviação civil; e a boa qualificação dos habitantes do concelho (acirna da média do distrito).

Em representação do presidente da Câmara, o vereador Miguel Pombeiro admitiu ser notória a falta de uma zona industrial no concelho, o que impossibilita o aproveitamento das vantagens do concelho em termos de acessibilidades. Segundo este membro do executivo, a localização da zona industrial está aprovada e incluída no Plano Director Municipal, mas várias vicissitudes impediram a obra de avançar. De momento, decorre a elaboração do plano de pormenor da zona industrial e, depois, haverá que equacionar o grande problema numa câmara pequena como a da Barquinha, que é a questão financeira. De acordo com este vereador, a única forma de realizar alguns investimentos são os fundos comunitários.

Referiu que a Escola Prática de Engenharia tem realizado importantes obras de conservação e manutenção do Castelo do Almourol, sem as quais o monumento provavelmente não resistiria, mas considerou imperativo aproveitar turisticamente este monumento único no País, que se calcula seja visitado por 7 mil pessoas por ano.

Concelho virado para o Tejo, a Barquinha está a investir na compra de pontões e de um barco para permitir a realização de passeios fluviais que irão certamente trazer ainda maior animação à zona ribeirinha já considerada um ponto obrigatório para a prática dos vários desportos náuticos. Sobre a construção da piscina municipal, garantiu que a obra irá iniciar-se em 97.

O vereador Hélder Silva sublinhou o investimento realizado pela autarquia na transformação de um antigo solar em hotel rural, mas lamentou que até à data nenhum investidor privado tenha manifestado interesse em explorar esta unidade hoteleira. Este vereador criticou a falta de iniciativa empresarial no concelho, referindo ter sido obrigado a devolver verbas a Bruxelas, devido ao desinteresse dos empresários e industriais do concelho que não foram capazes de aproveitar os fundos disponíveis. Apenas o proprietário de uma quinta de turismo rural apresentou uma candidatura. Este vereador falou da necessidade de uma intervenção global de todos os municípios ribeirinhos para a despoluição do Tejo e referiu estar em curso um projecto de valorização das zonas ribeirinhas em conjunto com as autarquias vizinhas.

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(1) in Suplemento do jornal "O Ribatejo" de 20/3/97

     
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