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| O Alfageme de Santarém | |||
| "(...) foi Nun'Álvares
aposentado em Santa Maria de Palhais. E um dia à tarde,
depois de ceia, saiu Nun'Álvares a folgar pela praia
afundo, contra a Igreja de Santa Iria. E, passando per
ante a porta de um alfageme, viu-lhe ter uma espada muito
limpa e bem corregida; e tomou-a na mão, e perguntou-lhe
se lhe corregeria assim uma sua. E ele respondeu que sim,
e muito melhor ainda. E Nun'Álvares fez logo ir por ela
e mandou-lha dar, que a corregesse. Em outro dia tornou Nun'Álvares per ali à tarde, e achou-a corregida muito à sua vontade. E tomou-a na mão, sendo com ela ledo, e mandou a um seu homem que lhe pagasse bem seu trabalho. O alfageme respondeu e disse: - Senhor: eu por ora não quero de vós nenhuma paga; mas ireis muito em boa hora e tornareis per aqui conde de Ourém, e então me pagareis o que mereço. - Não me chameis senhor, disse Nun'Álvares, ca o não sou. Mas todavia quero que vos paguem bem. - Senhor, disse ele, eu vos digo verdade, e assim será cedo, prazendo a Deus. E assim foi depois como ele disse, ca ele a pouco tempo tornou per ali conde de Ourém, e lhe pagou bem o corregimento da espada, como adiante ouvireis." in Fernão Lopes, "Crónica de El-Rei D. João I de Boa Memória", Capítulo 36, 1ª Parte. |
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