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Museu Agrícola dos Riachos
Riachos de outrora

O povoado estende-se por um plano levemente reclinado e toma o feitio de uma gigantesca aranha. O corpo fica aqui, junto ao Largo da Igreja Velha, coração e cérebro do povo. As pernas alongadas e disformes estendem-se à Estação, ao Campo, ao Rio, à Charneca, como que a determinarem o destino das pessoas que o habitam, diferenciando labutas.

Na Estação vivem os ferroviários que constituem uma família de viver calmo, amigo e prestável. Para o Campo encaminham-se seareiros ambiciosos e atrevidos que se atiram às culturas ricas que o chão úbere, por vezes, lhes nega. À margem esquerda do Rio vão os donos de Valada, seareiros de meia lavra, buscar mimos hortícolas que engrinaldam os mercados das terras vizinhas. A Charneca é excrescência desgarrada que dá azeite e figo aos menos afortunados.

Quatro destinos. Neles se fundem a alma e o destino de um povo ainda e sempre laborioso.

Campaínha de Cingeleiro
Campaínha de Cingeleiro

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